[HISTÓRIA EM SÉRIES] Review | The Musketeers – 1ª temporada

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A BBC é sinônimo de qualidade em suas produções históricas. Com shows que vão desde a recriação da corte Tudor até a reprodução das condições do povo durante a Revolução Industrial, o canal britânico realiza ótimas séries e minisséries mantendo-se fiel aos eventos históricos, mesmo sem abrir mão das licenças poéticas. Tudo isso não poderia deixar de ser diferente em The Musketeers, uma agradável série que engrandece a diversidade dos programas do canal.

The Musketeers é uma livre adaptação dos personagens criados por Alexandre Dumas no livro “Os Três Mosqueteiros”, que ao aliar história e ficção, o autor criou um dos clássicos da literatura mais celebrados e inaugurou a ficção histórica. A primeira temporada é dividida em 10 episódios (encontra-se disponível completa na Netflix).

O primeiro ano da série mostra o encontro de D’Artagnan com os três mosqueteiros mais famosos do rei Luis XIII: Athos, Porthos e Aramis. A união dos quatro os fortalece para enfrentar as maquinações do cardeal Richelieu e daqueles que querem manchar a reputação dos mosqueteiros, dessa forma, desafios não são poucos para o quarteto rendendo muita ação e aventura.

A diferença entre The Musketeers e outras séries da BBC está justamente em ser uma série de ação e aventura. Geralmente as produções do canal britânico são dramas. Além disso, a série é baseada numa obra de ficção que mesmo que tenha em seu enredo fatos históricos, a liberdade que os produtores tiveram com o material os permitiram reinventar os personagens. The Musketeers trata-se exatamente disso: uma reinvenção do clássico literário de Alexandre Dumas.

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Aramis (Santiago Cabrera), D’Artagnan (Luke Pasqualino), Athos (Tom Burke) e Porthos (Howard Charles)

O elenco principal também merece destaque. Os atores que compõem os mosqueteiros diferem das versões apresentadas até agora. Geralmente atores caucasianos interpretaram os personagens famosos, mas nessa versão televisiva, Phortos é interpretado pelo ator negro Howard Charles e D’Artagnan é interpretado pelo ator Luke Pasqualino que possui traços latinos. Athos é interpretado pelo ator Tom Burke e Aramis por Santiago Cabrera.

Vale chamar a atenção para a performance do ator Ryan Cage com seu Luis XIII que apresenta um rei afetado e mimado sem parecer uma caricatura. O cardeal Richelieu é feito por Peter Capaldi que não voltou para a segunda temporada da série, pois o ator tornou-se o novo doutor em Doctor Who. Mas sua passagem no primeiro ano da série é ótima ao antagonizar com os mosqueteiros e ser o responsável pelas conspirações ao lado da Milady de Winter (Maimie MacCoy).

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Cardeal Richelieu (Peter Capaldi) e Luís XIII (Ryan Gage)

The Musketeers tem as características de uma série procedural, ou seja, a cada episódio os mosqueteiros tem que lidar com casos diferentes que vão de roubos, assaltos, assassinatos ou tentativas de morte contra a realeza. Por vezes atuam como “CSI” investigando e coletando evidências sobre os crimes. As tramas não são desenvolvidas a contento, por vezes simples, mas nada que faça diminuir o interesse pela história. Se você está atrás de uma série de época cheia de aventura no estilo capa e espada, The Musketeers é um prato cheio.

Claro que por abordar personagens reais e alguns eventos históricos, The Musketeers tem algumas questões interessantes sobre seus personagens e suas narrativas. O foco da série não é desenvolver fatos reais, mas nós podemos perguntar: “o que é real e o que é ficção na série?”

Athos, Porthos, Aramis e D’Artagnan realmente existiram?

SIM. Quando Alexandre Dumas escreveu “Os Três Mosqueteiros” ele criou seus personagens a partir de pessoas reais. Ao consultar crônicas e relatórios da época dos mosqueteiros, Dumas encontrou documentos do século XVI que informava sobre suas vidas.

Athos, Porthos, Aramis e D’Artagnan eram originários da Gasconha, região situada no sudoeste da França. Armand de Sillègue D’Athos D’Auteville, nome completo de Athos, nasceu em 1615; Porthos era originário de uma família protestante de Audaux e foi batizado com o nome de Isaac Portau em 1617; Aramis ou Henri D’Aramits nasceu na aldeia de Aramits por volta de 1620, apesar da data do seu nascimento não ser precisa.

O mais célebre dos mosqueteiros, D’Artagnan, chamava-se Charles de Batz e adotou o sobrenome da mãe (Montesquieu D’Artagnan ) quando foi para Paris. O verdadeiro D’Artagnan não viveu as aventuras descritas por Alexandre Dumas, mas era bastante conhecido por seu heroísmo e pela liderança à frente dos mosqueteiros de Luís XIV.

Não há evidencias de que os quatro serviram a ordem dos mosqueteiros ao mesmo tempo. No entanto essa hipótese não é descartada já que poderiam ter lutado juntos em campos de batalha contra os inimigos do rei.

O Cardeal Richelieu odiava os mosqueteiros?

SIM… E NÃO. Bem, o cardeal Richelieu era um crítico da ordem. Ele via nas brigas entre espadachins e mosqueteiros grande parte da juventude perdendo suas vidas. Dessa maneira, pediu ao rei que proibisse os duelos. A guarda do cardeal passou a perseguir os mosqueteiros do rei e levou alguns para a execução. No entanto, a própria guarda do cardeal era formada por mosqueteiros. Em 1632, Richelieu criou o sua própria ordem formada por 200 homens. Enquanto os mosqueteiros do rei eram guardas montados e identificados por seus mantos azuis e ornados com grandes cruzes de flores-de-lis, os mosqueteiros do cardeal deslocavam-se a pé e usavam mantos vermelhos ornados com grandes cruzes brancas.

Maria de Médici tentou usurpar o trono do seu filho, Luís XIII?

SIM. Quando Henrique IV foi assassinado, Maria de Médici tornou-se regente da França, pois o sucessor, seu filho Luis XIII, ainda tinha 9 anos. O governo de Maria de Médici foi turbulento. Sua aproximação com a Espanha foi vista de forma apreensiva pelos protestantes, pois o rei Felipe III era católico. Para selar a paz, casou Luis XIII com Ana da Áustria, filha primogênita do rei espanhol.

Em 1614, Luís XIII queria a mãe distante, pois sentia-se humilhado por ainda não governar. Maria de Médici declarou o filho fraco para assumir o governo e deixou nas mãos de Concino Concini e Leonora Galigai o poder. Em 1617, Luis XIII tomou o poder ao tramar o assassinato de Concini e mandou decapitar Galigai sob a acusação de bruxaria. Maria de Médici foi exilada.

Em 1619, Maria foge do exílio, reúne tropas e marcha contra o filho – no evento conhecido como a “Guerra da Mãe Conta o Filho”. A Rainha Mãe assume o poder em Anjou e continua a revoltar-se contra o rei com apoio de grandes nobres. Porém suas tropas foram derrotadas pelo exército real em 1620. No entanto Luís XIII acabou perdoando a mãe que acabou recuperando parte do seu poder quando pode fazer parte do Conselho do Rei por influência do cardeal Richelieu.

Luís XIII era como um “filho mimado”?

Luís XIII é descrito como alguém facilmente manipulável. De fraca personalidade, melancólico e desconfiado, o rei dependia do seu principal ministro, o cardeal Richelieu, para governar. Tímido e inseguro, Luis XIII, segundo alguns estudiosos, poderia ter sido homossexual.

O que era a Corte dos Milagres?

A Corte dos Milagres era considerada uma região da cidade de Paris onde habitavam vagabundos , ladrões, mendigos e donos de cabarés. Era uma região extremamente perigosa para se andar. O nome vem do fato dos indigentes do dia desaparecem durante a noite, como por um milagre.

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