[HISTÓRIA EM SÉRIES] Review | The Americans 3×13: “March 8, 1983” – SEASON FINALE

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[CUIDADO COM OS SPOILERS, CAMARADA]

“Eles não são… americanos” – Paige

The Americans chega ao final da sua terceira temporada com uma certeza: está foi a temporada de Paige. A filha dos Jennings tornou-se uma das principais linhas narrativas da trama nessa temporada e o season finale não poderia ter sido diferente.

Acompanhamos o amadurecimento de Paige e como sua visão do mundo mudou quando tornou-se religiosa. As suspeitas que tinha sobre seus pais tornaram-se tão fortes que ela não agüentou mais e colocou-os contra a parede, “quem são vocês?”. Porém a verdade não trouxe nenhum alivio para Paige, trouxe mais sofrimento. Dor que a fez ligar para o pastor Tim e dizer que seus pais são russos, num momento em que “russo” passou a ser sinônimo de “mal”. Foi uma excelente temporada nesse sentido e a jovem atriz Holly Taylor esteve bem no papel que demandou mais dela nessa temporada.

Ainda falando sobre Paige, não podemos deixar de lado o quanto o destino dela dividiu Elizabeth e Phillip nesta temporada. Elizabeth parece disposta, assim como sua mãe esteve um dia, de permitir que Paige se envolva com as missões da KGB, diferentemente de Phillip que não aceita a ideia de ter sua filha correndo riscos.

A viagem da mãe e filha foi um momento em que Elizabeth poderia se aproximar de Paige. Imaginei também que poderia ser o momento em que Elizabeth mostraria à filha a realidade de seu país, mas o momento mais emocionante deste episódio não aconteceu na União Soviética, mas sim na Alemanha Ocidental. O encontro de Elizabeth com sua mãe foi muito bonito de se ver e ter Paige na cena tornou mais simbólico a reunião de gerações de mulheres de uma mesma família, porém cada uma carregando as marcas e o peso de suas épocas.

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O final da temporada traz também o sucesso que Philip e Elizabeth tiverem para impedir que mais armas caíssem nas mãos dos rebeldes afegãos, mas não sem antes Phillip contar a Yousaf que se sente um “merda” o tempo todo. Provavelmente foi o que Phillip deve ter sentido durante toda esta terceira temporada. Ele se envolveu em missões que todo tempo testavam seu caráter e sua moralidade. O desconforto que teve ao se envolver com Kimmy, a história com Martha, o filho Misha e os pensamentos que lhe vieram a cabeça quando matou o colega de Martha que colecionava brinquedos parecidos com o de Henry. Phillip sempre foi o mais emocional dos Jennings e no jogo que disputam, o lado emocional é um obstáculo.

Stan Beeman teve um grande momento neste episódio. O personagem me parecia estar sempre à margem dos acontecimentos nesta temporada, mas sua trama “tranqüila” ficou remexida quando o agente Gaad disse que iria demiti-lo pela investigação secreta que fazia com Oleg. Zinaida foi presa, mas não foi usada para trocá-la por Nina. A carreira de Stan no FBI foi salva por aquele que estaria ali para mandá-lo embora, o procurador adjunto que sugeriu a Stan trabalhar junto com Oleg garantiu a Beeman que estaria protegido de todos no escritório. A próxima temporada promete o embate entre dois amigos, Stan e Gaad.

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Numa análise geral, o episódio foi bem calmo para um season finale. Com exceção da morte do colega de Martha, não vimos o desenvolvimento continuo de uma missão envolvendo Phillip e Elizabeth. Enquanto a esposa e a filha viajavam, Phillip freqüentou reuniões no EST onde ficou mais próximo de Sandra e algumas subtramas que se desenvolveram durante e temporada ficaram de fora como as participações de Kimmy, Lisa e também não vimos o que aconteceu com Martha após a revelação de que Clark não era Clark.

Mas toda a calmaria explodiu na sequencia final do episodio. Tudo parecia andar para um acordo entre as nações – o uso dos noticiários de TV e de radio nesta temporada construiu a narrativa dos fatos históricos que ambientaram a trama – Phillip mão mais compreendia o que fazia, mas tudo mudou naquele 8 de março de 1983 quando o presidente americano, Ronald Regan, chama a União Soviética de “Império do Mal”. A Guerra Fria reacende mundo afora, a tensão e o perigo aumentam também dentro da casa dos Jennings, pois Page não está preparada para mentir.

Referências:

“Gente da Alemanha Ocidental” – Elizabeth

Após o final da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha foi divida entre os Aliados: Estados Unidos, França, Inglaterra e União Soviética. No dia 23 de maio de 1949, as partes controladas pelos Estados Unidos, França e Inglaterra são unificadas dando origem a um novo estado, a República Federal da Alemanha (Alemanha Ocidental). No leste, no dia 7 de outubro de 1949 é fundada a República Democrática Alemã (Alemanha Oriental). A cidade de Berlim também foi dividida.

A Alemanha Ocidental representava os valores da sociedade capitalista e reproduzia seus sistemas político e econômico. A Alemanha Oriental seguia os moldes dos estados socialistas que estavam sob controle soviético. O contrates entre as duas Alemanhas vai ficando latente ao decorrer dos anos. Enquanto o lado Ocidental desenvolvia-se, a Alemanha Ocidental estagnava-se com a burocracia soviética.

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[…] ignorar os fatos da história e os impulsos agressivos de um império do mal, […]  – Ronald Reagan.

A expressão “império do mal” foi usada pelo presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan para designar a União Soviética. No discurso feito no dia 8 de março de 1983, na Associação Nacional de Evangélicos em Orlando, Reagan assim disse:

Assim, em suas discussões nucleares prestes à se congelarem, eu os aviso para terem cuidado com a tentação do orgulho, a tentação de se declarar alegremente acima de tudo e rotular os dois lados igualmente em falta, ignorar os fatos da história e os impulsos agressivos de um império do mal, para simplesmente chamar a corrida armamentista de um gigante mal-entendido e, assim, retirar-se da luta entre o bem e o mal e do bem do mal. Eles pregam a supremacia do Estado, declarando sua onipotência sobre o homem individual e preveem sua dominação eventual de todos os povos da Terra. Eles são o foco do mal no mundo moderno.

O discurso de Ronald Reagan repercutir no mundo inteiro. A União Soviética reagiu denominando os Estados Unidos como uma potência imperialista que pretendia dominar o mundo inteiro e que a luta travada contra a nação americana era em nome da humanidade.