[HISTÓRIA EM SÉRIES] Review | The Americans 3×09: “Do Mail Robots Dream of Electric Sheep?”

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[CUIDADO COM OS SPOILERS, CAMARADA]

“Para tornar o mundo um lugar melhor” – Elizabeth

Este episódio lidou com questões pessoais para os principais personagens da série. Elizabeth, Phillip, Hans, Oleg e Stan vão além do que cumprir uma mera missão, operam ações egoístas onde “os fins justificam os meios”.

Comecemos por Hans que não processa muito bem quando Elizabeth diz que ele está fora de operação, pois provavelmente foi visto por Todd – o que nós sabemos que foi. Para voltar ao trabalho (ou seria para estar ao lado de Elizabeth?) Hans mata Todd depois de uma primeira tentativa frustrada.

Stan e Oleg seguem adiante com a ideia de trocar Zinaida por Nina. Porém, antes, é preciso saber se de fato Zinaida está agindo secretamente pela causa soviética. Disfarçado e assumindo uma postura ameaçadora, Oleg tenta tirar alguma informação de Zinaida, mas não consegue nada relevante.

Quando retorna ao FBI e mostra o ferimento na cabeça causado pelo homem que invadiu o quarto de Zinaida – claro que tudo fazia parte do plano com Oleg – a troca de olhares entre os agentes Gaad e Aderholt demonstra que os dois desconfiam de Stan?

Elizabeth e Phillip tem uma nova missão. Depois da descoberta da escuta no escritório de Gaad, Gabriel ordena que a operação no FBI tem que continuar e decide também manter Martha como uma alternativa. O plano agora é colocar uma escuta no carteiro-robô que foi para o conserto, vítima do acesso de raiva do agente Gaad. Aproveitando do fato de que o robô está numa oficina, Elizabeth e Phillip invadem o estabelecimento durante a noite para implantar a escuta. Mas eles não contavam que no lugar estivesse alguém.

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Elizabeth encontra uma mulher idosa, Betty Turner, cuidando da contabilidade da oficina. Ela é mãe do dono que por sua vez herdou o negócio do pai. Enquanto Phillip coloca a escuta no robô, Elizabeth e Betty conversam, falam sobre suas vidas, mas quando a palavra “Rússia” vem à conversa, a mulher idosa chega à conclusão que seu fim seria naquela noite.

A conversa entre as duas mexe muito com Elizabeth. Betty fala sobre seu marido que lutou na Segunda Guerra Mundial e como tiveram um bom casamento. Lembrem como Elizabeth ficou quando Phillip havia revelado que confiava em Martha, ela diz aceitar o afeto de Phillip por Martha, mas será que no fundo não sente ciúmes? Será que também não se preocupa com seu casamento? Pode Elizabeth se privar de qualquer sentimento em prol de suas missões? Pode ser que sim, já ficou mais que provado que para Elizabeth o que importa são suas missões de tornar “o mundo um lugar melhor”. “Você acha que fazer isso comigo vai tornar o mundo um lugar melhor?”, indaga Betty quando tem que tomar todas as pílulas do seu frasco e assim provocar sua morte. A morte da idosa abala Elizabeth. Ela chora. Não me lembro de tê-la visto tão tocada assim em outro momento da série.

A atriz Lois Smith faz um trabalho excepcional interpretando Betty Turner. Embarcamos nas suas histórias do passado e com seu jeito de “vovó” nos deixa apreensivos quando Elizabeth sugere a mulher forje seu “suicídio”. Entreguem um prêmio por participação em série dramática para Lois Smith, por favor.

Lembra que começamos o texto falando sobre o lado pessoal deste episódio? Pois bem, Phillip deixa bem claro para Gabriel que ele não está ali a seu dispor, para ele o mais importante e proteger a própria família, Phillip diz que se sente traído por Gabriel por não protegê-lo. O interessante é ver que “família” para Phillip pode ir muito além de Elizabeth, Paige e Henry, sobre suas asas ainda temos Martha e Misha.

Referências:

file_2_20A referência histórica deste episódio não está em algo dito na série, mas no próprio título: “Do Mail Robots Dream of Electric sheeps?”, é uma referencia ao clássico literário da ficção-científica “Do Androids Dream of Electric Sheeps?”, de Phillip K. Dick. No Brasil, o livro foi relançado pela Editora Aleph com o título “Androides sonham com ovelhas elétricas?” [nota do editor: leia uma resenha do livro aqui]

Em 1982 (época em que a série se passa), o livro foi adaptado ao cinema por Ridley Scott ganhando o título de Blade Runner (Blade Runner, o Caçador de Androides, no Brasil).