[HISTÓRIA EM SÉRIES] Review | The Americans 3×04: “Dimebag”

Para conferir o review dos primeiro episódios dessa temporada de The Americans, acesse História em Séries.

[CUIDADO COM OS SPOILERS, CAMARADA]

“Você limpa a sua velha natureza e se purifica para Jesus Cristo”

– Paige

O episódio desta semana traz a paranoia para dentro de casa, especialmente para próximo das pessoas que aparentemente se protegem por trás da sua inocência, que aliás, “inocência” é a palavra chave para entendermos melhor o que acontece em “Dimebag”.

Podemos partir do bizarro comercial de televisão sobre perfumes com cheirinho de bebê um tanto quanto politicamente incorreto. Uma mulher sedutora aparece lambendo de forma provocante um pirulito de criança enquanto o narrador diz “porque a inocência é mais sexy do que você pensa“. O que poderia parecer como algo deslocado, na verdade faz todo o sentido no decorrer da trama desse episódio, porque no lugar de “sexy” podemos usar também a palavra “perigosa”.

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Comecemos por Nina ainda presa na Rússia. Uma autoridade pede a ela que investigue sua colega de cela, Evi Sneijder, presa por transportar um pacote a qual diz que não sabe do que se trata. Nina então terá que mudar de comportamento com Evi, se a princípio foi ríspida com ela, agora terá que estar mais próxima e descobrir algo que possa lhe ajudar a diminuir sua pena. Nina começa então a bancar a inocente, mas uma inocente que conta o porque foi presa, conta que foi uma traidora e dessa forma busca ter a cumplicidade de Evi, seja ela inocente ou não. Nina volta a assumir seu papel duplo.

Os Jennings continuam na cola da filha de Isaac Breland, Kimberly.Philip sente-se incomodado com essa missão, revela a Elizabeth que acha Kimberly jovem demais para estar envolvida nisso, mas o que Kimberly tem de jovem, não tem de inocente. Além de querer algo a mais com Paaswell, amigo de seu pai, Kimberly compra maconha com as amigas e tenta entrar num bar usando identidades falsas. Disfarçado, Philip oferece ajuda as garotas, mas esperava na verdade se aproximar de Kimberly. E consegue, mas a garota começa a se aproximar dele, usando de seu jeitinho inocente para conquistá-lo. “Eu não sou mais criança”, ela diz.

11df9d949e9e4adbca826b91a1432293Stan também teve sua dose de desconfiança nesse episódio. Agora, o agente do FBI começa a desconfiar do interesse de Zinaida que talvez não esteja sendo honesta em suas intenções. Stan conta a seu superior que Zinaida pode estar fingindo ser inocente denunciando os métodos soviéticos. Desde que chegou aos Estados Unidos, ela vem participando de reuniões, tendo acesso a autoridades e Stan suspeita que seu objetivo seja chegar ao presidente. Stan também volta a participar das reuniões do EST na tentativa de recuperar seu casamento.

Agora a maior “trama” veio de quem a gente menos esperava, Paige. A adolescente ainda continua dividindo Phillip e Elizabeth. Neste episódio, chegou a vez de comemorar o aniversário de Paige, para fazer a vontade da filha, os Jennings preparam um jantar e convidam o pastor e sua esposa da igreja que Paige frequenta. Durante o jantar, Paige diz que quer ser batizada. Naquela situação, tanto Phillip quando Elizabeth (estupefatos) tem que se conter. Sentiram-se presos numa armadilha criada por Paige que esperava que os pais aceitassem o pedido diante seus convidados. Isso deixou Elizabeth mais certa de que é a hora de revelar tudo o que são para a filha antes que ela “limpe sua velha natureza” purifcando-se para Jesus Cristo, para o desgosto de Philip não quer ver sua família trabalhando para a KGB.

“Dimebag” é um episódio mais “morno” em comparação aos três primeiros episódios desta temporada que estavam mais centrados nas informações das operações da CIA no Afeganistão. Este episódio é uma tomada de fôlego, mas nem por isso deixa de ser interessante. Os personagens ganham mais desenvolvimento conduzindo outros caminhos dentro de The Americans mostrando o quanto a série tem acertado ao equilibrar a grama trama da série (EUA vs URSS) com tramas menores, mas não de menor importância.

Este episódio foi tão centrado no desenvolvimento dos personagens que não foram usados fatos históricos para contextualizá-lo, mas não quer dizer que não tem havido referências desse tipo. The Americans voltou a usar elementos culturais da década de 1980, dessa vez deu destaque ao Yaz que deve ter feito a cabeça da garotada em 1982.