[GAMES] Os bons tempos do MSX

MSX Games

No mundo dos gamers, a palavra “nostalgia” é praticamente sinônimo de NES. Qualquer lugar que fale do que a gente jogava na década de 80 terá imagens clássicas de Super Mario Bros., Legend of Zelda, e claro, do meu favorito, o Bombardeiro Azul, o inigualável Mega Man. Mas isso é pro pessoal dos consoles, que gastava o dedo naqueles controles pouco ergonômicos e tinha que ouvir da mãe que o videogame tava estragando a TV. Mas e a turma do PC? E nós, inseridores de disquetes, senhores do C: e todas suas subpastas, dotados do poder de instalar e formatar? O que nós tínhamos para nos entreter em idos de 198X, antes mesmo do já paleontológico 286 ou mesmo do PC XT? Quem já estava vivo e brincava de domar bytes na época sabe qual era o nome do jogo no mercado de computação doméstica: MSX.

Se você sair por aí procurando em sites gringos, talvez não encontre grandes coisas sobre essa linha de computadores. O motivo é que, apesar de ter sido criado pela Microsoft (na verdade pela filial japonesa, mas ainda assim), o MSX teve pouquíssimo sucesso nos EUA, apesar de ser bastante comercializado no Japão e em outros lugares aleatórios como Holanda, Oriente Médio, União Soviética e… Brasil. E como dominou por aqui! Havia vários modelos competindo no mercado, como o Hotbit da Sharp e o Expert da Gradiente, mas todos dentro da arquitetura MSX (que foi concebida como um “padrão comum” que permitisse compatibilidade entre máquinas de diferentes fabricantes, mais ou menos como o PC é hoje), caracterizada pelo processador Z80, o mesmo do Master System e Game Boy.

Bem, e pra que diabos servia um computador naquela época em que não havia internet (até tinha um embrião bem primitivo, mas pouquíssimos sequer sabiam que isso existia), muito menos um Feice pra gente ficar enchendo o saco dos outros atrás de vidinhas de Candy Crush? (ou, no meu caso, ovos de Dragon City… sintam-se à vontade) O vídeo acima procura dar uma ideia, mas na boa, ninguém usava as tosqueiras de computador padrão doméstico da época pra trabalhar, e esse negócio de tocar musiquinha é muito legal por 30 segundos no máximo. Claro que o propósito real do MSX era o mesmo do PC de hoje quando o browser tá fechado (e, pra quem trabalha, quando o chefe não tá na sala): JOGATINA.

Havia diferentes companhias produzindo jogos para esta plataforma na época, mas a líder de longe, nadando de braçada à frente da concorrência, é a Konami, nossa velha conhecida dos tempos de Nintendinho. Quebrando a cabeça aqui, uns 90% dos jogos de MSX (e 100% dos jogos que prestam) que eu lembro eram dela. Aliás, uma das franquias mais conhecidas da Konami, a saga Metal Gear, começou justamente no jogo de 1987 para este computador. Castlevania, outra franquia clássica, teve um jogo chamado Vampire Killer lançado no MSX um mês após a estreia da primeira aventura de Simon Belmont no NES.

Solid Snake, se esgueirando pelo mundo 8-bits do MSX em seu jogo de estreia.

Solid Snake, se esgueirando pelo mundo 8-bits do MSX em seu jogo de estreia.

Quem lembra dessa época (ou fez 5 minutos de pesquisa no Google… tudo bem, seu segredo está seguro comigo) sabe que o gênero que dominava mesmo nesse tipo de computador era o shoot’em up, ou jogos de tiro de “navinha”, apesar de haver vários onde a nave é substituída, por exemplo, por um sujeito atirando flechas, como Knightmare e Hinotori. Mas, em se tratando em naves fugindo de uma tempestade de tiros inimigos pra pegar alguns power-ups, o MSX contava com uma infinidade de grandes títulos como Space Manbow, R-Type, Aleste, Zanac, e, por que não, a grande franquia Gradius, com seus spin-offs Nemesis e Parodius (uma versão bem-humorada com personagens cartunescos), que marcou presença em diferentes consoles da época. Outros jogos com mecânica semelhante, mas fugindo da temática espacial, são 1942 (2ª Guerra Mundial), Time Pilot (no qual você viaja por diferentes eras, enfrentando os inimigos característicos de cada uma, caracterizado por ter scroll livre em todas as direções), e a excelente série Twin Bee, com personagens e inimigos estilizados e coloridos.

Apesar das limitações do chip Z80 (cuja lerdeza tornava o scrolling meio travado), havia também alguns jogos interessantes de corrida, como Hang-On, o inesquecível Road Fighter e uma versão do célebre OutRun, mas meu favorito pessoal, no qual eu passei incontáveis e às vezes frustrantes horas, foi o inusitado Antarctic Adventure. Nele, você faz o papel de um simpático pinguim (que inclusive virou um mascote da Konami na década de 80), que precisa sair correndo desembestado pela Antártida toda, desviando de leões marinhos e buracos (e tentando pegar peixes pelo caminho), para chegar em cada estação de pesquisa (com as bandeiras dos diferentes países e tudo) em um tempo especificado. Minha teoria pessoal é que o tal pinguim tá com o intestino desarranjado e não aceita fazer seus negócios no meio do gelo (se bem que, nesse caso, os peixes deveriam diminuir o tempo restante em vez de aumentar…) Teve uma sequência chamada Penguin Adventure, toda elaborada e cheia de tchararãs, com vários cenários diferentes como cavernas, florestas e rios no fundo de cânions (é, a Antártida não é mais a mesma… haja aquecimento global), e com chefões de fase e lojas onde você compra itens variados. Bem legal, mas pra mim não supera o charme minimalista do primeiro jogo.

Cadê os cangurus?

Cadê os cangurus?

A maioria dos jogos de MSX eram coisinhas bem simples, mas (no meu olhar nostálgico) extremamente simpáticas. Um exemplo que me vem à mente sempre que eu penso nesse sistema é Magical Tree. Nele, você é um indiozinho que tem que subir numa árvore aparentemente infinita (talvez o jogo tenha fim, só não tive a capacidade mental de chegar tão longe assim). Você vai desviando de inimigos e obstáculos, coletando tesouros, evitando cair etc., mas no final das contas não é nada mais do que um curumim trepando numa árvore, com gráficos que fazem o primeiro Super Mario parecer uma obra de Monet. E não é que esse bicho é um dos jogos mais divertidos que eu já joguei? Na mesma linha, valem menções honrosas para Pippols (nunca entendi o que torna esse jogo tão bacana pra mim), Circus Charlie (gostava bastante da música, que descobri ser um jazz dixieland chamado Chattanooga Choo-Choo), Cabbage Patch Kids (um Pitfall de araque com umas bonecas feiosas, que era em si uma cópia fajuta de um outro jogo chamado Athletic Land), e The Goonies, considerado por muitos o melhor jogo de MSX.

Quantas vezes eu tive que ver esse moleque lazarento chorando porque não conseguiu alcançar a porra do galho...

Quantas vezes eu tive que ver esse moleque lazarento chorando porque não conseguiu alcançar a porra do galho…

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