[GAMES] BioShock – A Trilogia

bioshock-the-collection-01Com a aproximação do lançamento da BioShock: The Collection, é necessário falar um pouco sobre esta perturbadoramente deliciosa trilogia.

Antes de mais nada, um aviso de amigo: sempre consuma uma obra sequencial pela ordem de lançamento dela. Depois você segue para a ordem cronológica. Acredite, vai ser muito melhor. Sim, tem gente que assiste Star Wars seguindo a ordem I, II, III, IV, V, VI, VII. Essas pessoas são idiotas. Todo mundo sabe que a ordem certa é IV, V, VI, I, II, III e VII. Fica muito mais épico. Você sente muito mais. O mesmo serve para BioShock. Jogue primeiro o 1, depois o 2, depois o Infinite. Quando terminar, faça as DLCs Burial at Sea.

Então, alguns meses depois, jogue novamente, fazendo o BioShock Infinite, BioShock 1 e BioShock 2. E vocês podem me agradecer depois.

Algumas informações técnicas: BioShock foi lançado originalmente em 2007, o primeiro de uma trilogia de first-person shooters, e foi criado pela 2K Australia e Irrational Games, sob o comando de Ken Levine. Não, não Adam Levine, Ken, o que fez System Shock lá atrás, que é considerado um dos melhores jogos da história e blábláblá. O que os jogos dele tem de grandiosos, o homem tem de ego, mas a gente acaba perdoando.

BioShock 2 veio em 2010, e é fruto de uma outra equipe. Me recordo de ter lido algo sobre ter sido uma forma de captar fundos para desenvolver BioShock Infinite.

BioShock Infinite foi lançado em 2013, novamente desenvolvido pela Irrational Games, que alguns meses após o lançamento de sua última DLC, fechou as portas e encerrou a série com uma chave de ouro. Não é que nem umas e outras empresas por aí, que ficam tentando ordenhar a galinha dos ovos de ouro. Sim. Vocês sabem de quais empresas eu tô falando.

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Em BioShock, você é Jack. Você é um protagonista mudo, mesmo que o jogo abra com você fazendo um monologozinho qualquer. Nunca mais você fala uma palavra, a não ser o grunhido ocasional ao cair de certa altura. O jogo se passa no final dos anos 50, e você é o único sobrevivente de um acidente de avião de pequeno porte. Próximo está um farol, para o qual você se dirige. Entrando lá, você desce numa esfera/submarino que te leva para Rapture, uma cidade no leito do oceano. Sim. No leito. Do. Oceano.

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Por mais chato que seja falar isto nesta década, Rapture é uma cidade distópica. Foi planejada com toda uma ideologia, seguindo todas as idéias do mercado livre e uma série de princípios filosóficos que seriam lindos… Se pessoas não fossem pessoas.

Num ambiente regido pelo livre mercado e sem interferência estatal, arte, pesquisa científica, drogas e milhares de outras coisas são difundidos livremente. Alguns muito bons. Outros, muito ruins. Uma das invenções são os plasmids, que são super soros que reescrevem o material genético da pessoa, lhe dando diversas habilidades, como atirar uma bola de fogo pelas mãos, ou lançar um jorro de eletricidade da ponta dos dedos, ou ter a habilidade de telecinese. Tudo muito impressionante e útil, mas… Eles reescrevem o material genético da pessoa. E causam dependência. E mutações grotescas. E instabilidade mental. E foi assim que Rapture, a grandiosa cidade sonhada por Andrew Ryan e composta sem deuses e sem reis, apenas por homens, decaiu.

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Tenho problemas com protagonistas mudos. Normalmente eles não tem grandes personalidades e poderiam resolver um monte de problemas dizendo “Não, a gente se separar enquanto esse monstro gigante está rondando é uma péssima ideia”. A única protagonista que não altera uma única palavra e demonstra muito carisma enquanto faz isso é Chel.

Mas é importante que Jack não expresse o que acha. Isto aumenta ainda mais a sua percepção das coisas. Ao entrar em Rapture, uma voz num rádio portátil fala com você. É Atlas, uma voz de esperança do povo. O líder da luta contra a opressão que Ryan levou ao longo dos anos.

Ele pede, por gentileza, sua ajuda. Ele vai te ajudar a voltar para sua vida, reencontrar seus pais, mas você tá ferrado. Um ser bizarro estripa um cara na sua frente. Você poderia, por gentileza, pegar aquela ferramenta e tentar sobreviver?

A jogabilidade é meio chatinha até você se acostumar com ela, e às vezes as texturas demoram de carregar. Algumas vezes, você vai se irritar com o sistema de hacking, mas depois de superados os percalços iniciais, a jogabilidade acaba te conquistando, e o roteiro fino e bem apresentado também. Este é um jogo que te toca como um violino. O Levine meio que conquistou o direito de ter um ego do tamanho que tem, porque ele leva Jack, e leva você, pela palma da mão, para onde ele quer: nos últimos 10 anos, consigo contar nos dedos das mãos quantas vezes um jogo efetivamente me surpreendeu, e a trilogia BioShock aparece duas vezes. Outro jogo digno de menção no quesito plot twist é Remember Me.

Dificilmente jogos de terror americanos conseguem construir o terror de forma eficaz. Olha Dead Space, é uma sequência de jump scares que se torna previsível após um tempo. Falta a eles graça. Falta tensão. Falta finesse.

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Agora, BioShock não é um jogo de terror. Mas ele mexe com seus botões quando quer. Ele cria um ambiente claustrofóbico, passagens bizarras, rodeadas por água, água cristalina e opressora. Quilômetros de oceano. Isto se assoma. Sim, às vezes splicers, indivíduos que se perderam devido ao uso abusivo de plasmids, aparecem perto de você jump scare style. Mas você sabe que eles estão lá. O jogo te avisa que eles vão aparecer. Isto te assusta quando eles finalmente aparecem, mas não é pelo jump exatamente. É porque, e é aí que vem a parte divertida, a tensão foi bem construída. Aos poucos. Lentamente. A expectativa que antecede o momento é muito mais forte do que o momento em si. E este jogo consegue muito bem te deixar com os pelos em pé quando quer.

BioShock consegue fazer muito bem tudo o que ele quer fazer: ele te faz se importar com os personagens. Ele te faz querer descobrir cada pedacinho de informação sobre aquela cidade perdida. Ele te faz se importar com Jack, com Tenenbaum, uma de minhas personagens favoritas da série, com Atlas. Ele te faz ter um misto de desgosto e respeito por Andrew Ryan, que vai se revelando aos poucos. E você não consegue odiar o homem.

Mas você consegue se odiar em alguns momentos: atacar um Big Daddy é sempre uma dor. Eles estão apenas cuidando das Little Sisters. É doloroso ter de atacar eles.

Mas você precisa fazer esta escolha difícil. Porque um homem escolhe. Um escravo, obedece.

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3 thoughts on “[GAMES] BioShock – A Trilogia

  1. Adquiri os 3 em uma promoção online. Porém, confesso que sou cagão para jogos de terror e estava pensando em jogar só o terceiro, que me pareceu menos terror.. Mas agora que li esse texto, acho que é cagada fazer isso né? Perderei muito se não jogar o 1 e o 2?

    • Perdão, cometi um erro. Se você jogar o INFINITY e suas DLCs primeiro, vai estragar a experiencia. O ideal é jogar o primeiro BioShock, o BioShock 2 (Opcional) e por fim o BioShock 3.
      Embora se passe no mesmo universo de BioShock 1, o BioShock 2 tem uma história paralela ao primeiro e ao terceiro BioShock. Então, jogar ele depois do primeiro ou não, é opcional. Mas é extremamente recomendado que nunca jogue o Infinity antes do primeiro BioShock. Só você jogando mesmo para entender o motivo.

  2. João. Se você jogar o primeiro, vai perder muita coisa sim, o segundo nem tanto. O recomendável é sempre deixar o BioShock Infinite e suas DLCs por último, falo sério. Jogue na ordem certa.

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