[GAMES] BioShock 2 e Infinite

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Continuando com a análise da trilogia BioShock, hoje iremos falar de BioShock 2 e BioShock Infinite (O meu queridinho)

Cada BioShock explora uma coisa a fundo. O primeiro, filosofia. O segundo, religião. O terceiro, bem, seria um spoiler magnífico falar sobre o que ele fala.

Durante a série, coletamos pequenos diários em áudio de pessoas da cidade que falam sobre coisas que acontecem. Suas vidas, seus problemas, atentados…

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BioShock 2 abre na virada do ano de 58 para 59, data citada em alguns diários no 1 como o momento de um atentado numa festa dos ricos. Você é o Subject Delta, um dos primeiros Big Daddies, um daqueles seres bizarros que soa como uma baleia e é similar a um tanque em forma de traje de mergulho. Eles são os zeladores de Rapture. E eles são os protetores de uma forma pura, carinhosa e totalmente dedicada das Little Sisters, garotinhas perturbadoras que, conforme você descobre no primeiro jogo, foram experimentadas e condicionadas para coletar ADAM, uma substância que mantém os plasmids. Nos dois jogos você tem uma escolha do que fazer quanto a elas. Esta é uma escolha moral que, embora não seja aparentemente tão impactante, faz toda a diferença.

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Num ataque extremamente bem planejado, você é morto e sua pequena protegida, Eleanor, é sequestrada por Sophia Lamb, uma personagem que conhecemos de relance no primeiro BioShock. Uma década depois, você é ressuscitado por Eleanor. Isto não é nada de outro mundo, no primeiro jogo, a mecânica de ressuscitação é apresentada e é dado um motivo para ela não funcionar com todo mundo.

Em termos de jogabilidade, BioShock 2 tem a melhor da franquia.

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O que ele não tem é o brilho dos outros dois. Ele não tem o mesmo carisma. A antagonista não conquista tantas emoções conflituosas. Você não é jogado no mesmo turbilhão de emoções que o primeiro jogo faz. Não é ruim, nem de longe. Apenas é o filho feio da franquia. Se ele tivesse qualquer outro nome, possivelmente seria muito mais bem recebido. Mas ele tem um nome de peso. Expectativas altas sobre ele. Muitos CTDs também, e um leve delay de render são falhas constantes no jogo.

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Não me leve a mal, é maravilhoso reencontrar alguns amigos. Conhecer novas pessoas. Explorar alguns locais novos. Apenas não chega ao nível que esperávamos. Afinal, foi outro time, com outras intenções.

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Eventualmente chegamos em BioShock Infinite. A ambientação é diferente, mas não menos fantástica. O estilo é diferente. A trilha sonora é simplesmente magnífica. E, sob última instância, é BioShock em sua primessência. Para começar, não estamos mais em Rapture. Aqui, você controla Booker DeWitt, um investigador com problemas com bebidas e apostas que foi contratado para resgatar uma jovem de uma cidade. Através de um farol, chegamos em Columbia, uma cidade flutuante linda, colorida e aberta. É um cenário extremamente agradável, organizado, limpo com uma bela praia, músicos adoráveis, e que é conduzida por princípios da supremacia branca e do fundamentalismo religioso.  Aham.

Não é um ambiente opressivo e claustrofóbico. Aparentemente.

Não estamos mais debaixo d’água.

Booker fala, e bastante. Qualquer um que tivesse a voz do Troy Baker falaria bastante, sejamos honestos.

Você tem um shield.

Booker só pode carregar duas armas ao mesmo tempo, e não mais armas o bastante para entrar em guerra com um país de pequeno porte, estilo Halo mesmo. É, doeu um pouco me separar de minha confiável submetralhadora, shotgun e besta, mas você acaba se acostumando.

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Algumas pessoas criticam que BioShock Infinite não é BioShock, devido a estas diferenças. Estas pessoas falharam em ver além do óbvio. Sem contar que BioShock 2 não deveria existir de facto. Foi uma intermissão não planejada.

Agora, após uma confusão grande, Booker descobre que foi profetizado que ele iria para Columbia e destruiria tudo. Eventualmente, ele chega numa torre gigantesca, onde ele encontra Elizabeth, a moça que ele deveria encontrar e resgatar e ela… Ataca ele com livros. Ela passou a vida toda na torre.

E um monstro gigante em forma de pássaro ataca ele com garras grandes o bastante para causar pesadelos no Freddy Krueger. Vocês fogem e você deve acompanhar ela até o chão.

Sim, o jogo é um jogo de escolta gigante. Mas é a Liz que te escolta. Ela consegue se virar muito bem numa luta, obrigada, dispensando chutes nas partes baixas, socos no queixo e se escondendo atrás de cobertura. Você nunca vai precisar defendê-la, e nem gritar desesperado para ela sair do caminho, que ela está na frente da sua mira enquanto tem quinhentos inimigos ao redor.

Ela também te consegue munição, eventuais armas, itens de cura, dinheiro, e ela consegue abrir fechaduras trancadas, desde que você tenha gázuas. E se você cair em batalha, é Elizabeth quem te arrasta para um local seguro, retira as balas e te dá uma injeção de adrenalina e um tapa na cara para parar de chorar e ir fazer seu trabalho.

Tá, ela não te dá um tapa na cara, ela é adorável, super simpática e com exceção daquele encontro constrangedor com os livros, ela é super fofa. E assustadora.

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Ela tem um carisma impressionante. E, com a fantástica atuação de Courtnee Draper, ela não demora a conquistar ninguém. Você se importa, e muito, com aquela criaturinha em roupas de moda e cabelão, capaz de abrir fendas no espaço-tempo para melhor destruir seus inimigos ou para ter um vislumbre de Paris.

Ela é apaixonada por Paris. Ela te pede para levá-la lá.

E o que você mais deseja é atender o pedido dela.

Mas não seria BioShock se a trama não se revirasse mais do que uma cobra tentando sair de sua pele antiga.

As coisas não acontecem como planejado. Você se encontra com membros da Resistência, os Vox Populi, que querem minar o controle de Comstock. Ter direitos. Poder viver como seres humanos.

Coisas duras acontecem. Aprendemos lições difíceis. Evoluímos. Mudamos. Somos conduzidos numa montanha russa de emoções.

E eu fico, como sempre, maravilhado quando ouço a voz da Laura Bailey.

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BioShock é uma série fantástica, e eu adoraria ter a chance de jogar de novo, pela primeira vez. Tem alguns problemas, sem dúvidas. Ainda assim, estará para sempre no meu coração como uma das minhas franquias favoritas, e que mais me maravilharam.

Gostaria muito de rever Elizabeth, Booker, Jack, Eleanor e Tenenbaum. Mas sei que não vou. E sei também que os mistérios que ficaram não serão elucidados. A beleza dos mistérios é esta: eles ficam para sempre. A resposta seria prontamente esquecida, mas a pergunta, quando não é respondida, é eterna.

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E a Irrational amarrou muito bem diversas questões necessárias nas suas DLCs, e conectou de forma maestral os dois primeiros BioShock ao Infinite. E mudou a forma como víamos algumas pessoas. Uma redenção, de certa forma. Será difícil olhar para eles, no futuro, e não me sentir ligeiramente triste, sabendo o que sei. Sabendo a motivação deles. Porque a construção dos personagens aqui é realmente complexa. Dizem que ninguém nunca planejou se tornar um monstro.

BioShock certamente nos mostra isto.

Pensei muito sobre como terminar a resenha. Fiquei sem saber se citaria um de meus diálogos favoritos, do Infinite, entre Booker e Elizabeth, em que ela pergunta:

-Booker, você tem medo de Deus?

-Não. Mas eu tenho medo de você.

Mas não seria o ideal. Não.

Ao invés disto, termino com a clássica assinatura:

Would you kindly play BioShock?


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