[GAMES] A HISTÓRIA DOS VIDEOGAMES, parte V: Super Nintendo vs Mega Drive, a era de ouro dos videogames

snes vs mega drive

No último episódio de nossa épica saga, a SEGA havia desafiado a Nintendo em seu próprio jogo e vencido. Não havia nada que o NES pudesse fazer contra o Mega Drive, mas isto não estava sequer perto do final da história…

Perdeu as partes anteriores? Atualize-se abaixo:

Parte I, Parte II, Parte III e Parte VI.

Após o ataque a Pearl Harbor, em 7 de dezembro de 1941 o almirante japonês Yamamoto disse a celebre frase “Receio que tenhamos acordado um gigante adormecido”. Foi isso que a SEGA descobriu em 21 de novembro de 1990.

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MNT IV: Turtles in Time

A Nintendo estalou suas juntas e disse: “Vamos fazer isso!” O carregamento inicial do Super Nintendo no Japão de 300 mil unidades esgotou completamente em poucas horas. Como esperado, houve gritos, desmaios e colegiais sendo atacadas por tentáculos, mas o Japão nunca foi o problema da Nintendo. Seu problema era retomar o controle das coisas na América.

Ao preço de 210 obamas (que naquela época deveria estar na fila para comprar um também), o Super Nintendo Entertainment System (SNES para os íntimos) foi lançado em 23 de agosto de 1991.

A Nintendo lançou seu videogame com, temerariamente, apenas 5 jogos disponíveis. Seria uma receita para o fracasso, não fosse o fato de que a Nintendo era a Nintendo, e entre eles estavam os melhores jogos de todos os tempos: F-Zero, Sim City (até hoje meu favorito de toda série, e anos-luz à frente da versão de PC), Pilotwings e Gradius III (hoje jogos de navezinha, shmups, são peças de museu, mas na época eram tão na moda quanto ombreiras nos anos 80). Mas a grande peça de resistencia foi o jogo que vinha junto com o videogame. Sério, valia a pena comprar o SNES apenas por aquele jogo, sem a menor sombra de dúvida.

Mas espera, como pode um único jogo valer mais de 200 dólares? Ora, é porque estou falando, é claro, de Super Mario World e valia cada centavo disso.

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Esse podia ser o fim da história, mas era apenas o começo. A Nintendo ainda possuía os contratos de exclusividade com todas as grandes produtoras japonesas – Capcom, Konami, Squaresoft, Enix – o que significava que o Super Nintendo tinha títulos que jamais veriam a luz do dia no Mega Drive (ou apenas muitos anos depois), como Final Fantasy, Megaman e Castlevania. Devido a isso, quando o puta sucesso Street Fighter II foi lançado para o SNES, levou quase um ano para que saísse para o Mega Drive.

aladdin snes mega drive

Aladdin, a esquerda a versão do SNES e a direita a do Mega Drive

Enquanto a Nintendo empilhava títulos próprios que valiam o seu peso em plutônio, como Legend of Zelda, a Link to the Past, e tinha o apoio forte das grandes produtoras de jogos da época, a batalha parecia decidida, mesmo o Mega Drive tendo sido lançado primeiro, ter uma biblioteca de jogos muito maior, e ser mais barato.

E estava mesmo.

Até que um jogo mudou tudo. Mais precisamente, duas palavras: FINISH HIM.

Em 1992, a até então insignificante Midway (outrora gigante dos arcades nos anos 80, com Space Invaders, Pacman e Ms Pacman, mas esquecida nos anos 90) lançou um jogo que mudaria todos os jogos: Mortal Kombat.

Mortal Kombat não era um grande jogo de luta: os personagens eram tecnicamente iguais (ao contrário de Street Fighter, onde os personagens tinham velocidades e força diferentes), a jogabilidade era meio tacanha, e o jogo não tinha vergonha em reutilizar o mesmo personagem, só mudando a paleta de cores deles. Mas esse foi um dos jogos mais importantes da história dos videogames devido a uma coisa: violência.

mortal kombat mega drive vs snes

Mortal Kombat

O jogo utilizava atores digitalizados ao invés de desenhos, e tinha a opção de terminar a luta com “Fatalities”, movimentos abusivamente violentos, mesmo para os padrões de hoje. Estou falando de arrancar o coração do cara (e era um cara mesmo, já que o jogo usava atores) com as mãos, ou sua cabeça com coluna e tudo. Isso nunca fora feito antes, e a gurizada pirou com a possibilidade de ultraviolência desta forma.

Quando o jogo veio para ser adaptado para consoles, as pessoas não sabiam muito bem o que fazer, até aquele momento o videogame mais radical era sobre pular em robôs que soltavam bichinhos fofinhos (Sonic não parece tão radical colocando dessa forma, pensando bem). Por isso, por causa de Mortal Kombat, os jogos passaram a ter classificação etária pelos Órgãos de censura, assim como os filmes já possuíam. Imagine um jogo tão violento, que fez os jogos deixarem de ser classificados de brinquedos inofensivos a algo que precisava ser classificado…

E a guerra dos 16 bits com isso?

scoobie doo snes genesis

Scooby-Doo

Ora, a Nintendo sempre teve uma política de fazer produtos para a família (pelo amor de Raava, o videogame deles no Japão se chamava Famicom, que vinha de “computador da família”), então o jogo foi modificado para ficar mais… palatável. O sangue do jogo foi substituído por suor… ou areia… e os fatalities foram modificados para ficarem mais cartunescos. Enquanto isso, a SEGA apenas olhou e disse: “whadda fuck?”, e lançou o jogo para o Mega Drive tão fiel quanto sua caixinha preta era capaz de fazê-lo.

O resultado foi obvio: a versão do Mega Drive vendeu quase quatro vezes mais do que a do Super Nintendo.

E foi assim que o calcanhar de Aquiles da Nintendo foi revelado. A SEGA aproveitou a brecha no ponto fraco do seu oponente, acarcando com jogos repletos de violência de humanos contra humanos para adolescentes, como Splatterhouse, Eternal Champions, Road Rash, Kid Chamaleon, Smash TV. Na versão de Alladin para Mega Drive, o personagem título tinha uma cimitarra e mandava ver nos guardas. Na de Super Nintendo, ele pulava na cabeça deles.

the last metroid is in captivy

Super Metroid (SNES)

A SEGA recuperou terreno sabendo agora que não venceria a Nintendo enquanto não trilhasse seu próprio caminho, e ser “alternativo”, “dark” e “cool”, para a ótica de um adolescente dos anos 90, era o caminho a ser seguido.

Em resposta a isso, qualquer um teria cedido e usado as armas do inimigo, mas a Nintendo não. A resposta da Nintendo (e das empresas que produziam exclusivos para ela), como bons japoneses que eram, foi tentar fazer a mesma coisa que eles sempre fizeram só que melhor ainda. Isso nos deu pérolas como Super Metroid, Kirby Dream Land, Megaman X, Final Fantasy VI e por aí vai.

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Night Trap (SEGA CD)

A nova investida da SEGA foi, então, criar hardwares melhores para superar o SNES. Assim, eles criaram acessórios para acoplar ao Mega Drive, e dar mais poder de processamento, como o SEGA CD e o 32x (que transformariam o Mega Drive em um Transformer, mas enfim).

Com toneladas a mais de processamento – incluindo a capacidade de reproduzir CDs, algo completamente inédito até então – a SEGA tinha um ponto extremamente válido. Isso possibilitou a criação de jogos que nem a pau juvenal rodariam no Super Nintendo, como Snatcher, Sonic CD, Night Trap e Secret of Monkey Island.

O que a Nintendo fez a respeito disso? Ora, acho que já deu pra perceber um padrão aqui: ela respirou fundo e continuou lançando jogos mais fodas ainda para o Super Nintendo. Faça o que você sabe fazer, só que melhor ainda. Foi nesta época que tivemos Starfox, Donkey Kong Country, Super Mario RPG, Yoshi Island, Street Fighter Alpha 2 e Killer Instinct.

SEGA CD + Mega Drive + 32x e essa não é minha última forma!

SEGA CD + Mega Drive + 32x, e essa não é minha última forma!

De fato, a Nintendo e suas associadas estavam tão afiadas lançando jogos para o SNES, que não só o avanço tecnológico da SEGA foi detido, como, quando no final de 1994, quando desembarcaram no mercado japonês os consoles da nova geração – com pelo menos 150 vezes mais capacidade de processamento – o SNES bateu no peito e disse “vão na frente, eu seguro eles!”

A guerra dos 16 bits terminou por volta de 1995, uma guerra em que não houve vítimas, e todos gamers saíram ganhando com jogos cada vez melhores e mais legais. No fim das contas, o SNES vendeu aproximadamente 10 milhões de consoles a mais que o Mega Drive, e acabou vencendo.

Em 1997, a Nintendo lançou seu último jogo para SNES, e em 1999 encerrou a produção no ocidente. Em 1998, foi lançado Frogger para Mega Drive, o último jogo da SEGA para seu console. Mas seu legado, e aqueles dias incríveis, viverão para sempre em nossas memórias.

this is playstation

Mas, bem, o trem da história nunca pára, e embora os dias de ouro do Super Nintendo e do Mega Drive tenham passado, a história dos videogames continua. Enquanto a Nintendo e a SEGA lutaram com unhas e dentes pelos corações e mesadas de crianças ao redor do mundo inteiro, nenhuma das duas percebeu que uma enorme nuvem negra de tempestade se aproximava no horizonte.

Uma tempestade que mudaria tudo para sempre e começaria uma nova era… Era o começo de 1995, e com ele está começando o reinado do PLAYSTATION!

(continua)

One thought on “[GAMES] A HISTÓRIA DOS VIDEOGAMES, parte V: Super Nintendo vs Mega Drive, a era de ouro dos videogames

  1. Parabéns pelo post , 2 video games muito queridos , e no que diz respeito a ” Magia ” e a
    ” Diversão ” , o Super Nes e o Mega Drive são invencíveis , quem teve o privilégio de conhecê-los pode comprovar isso , nunca surgirá outro console que supere esses dois .

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