[FILMES] Onde está Segunda? (Crítica)

Onde está Segunda? é um thriller com uma pegada sci-fi que coloca um septeto de irmãs ilegais contra um regime autoritário. O filme tem um pano de fundo interessante, onde se lida com a mudança climática, o crescimento populacional, e uma fome mundial potencialmente catastrófica. Isso te lembra como a China estava permitindo apenas um filho por família? Bem, a mesma coisa acontece aqui, só que seguimos as façanhas de uma família que infringiu a lei.

Sinopse:

Em um futuro não tão distante, onde a superpopulação e a fome forçaram os governos a empreender uma drástica “política de filho único”, sete irmãs idênticas vivem uma existência de esconde-esconde perseguida pelo Departamento de Alocação de Crianças. O Bureau, dirigido pela feroz Nicolette Cayman (Glenn Close), reforça uma rígida agenda de planejamento familiar que as irmãs tentam se revezar assumindo a identidade de uma pessoa: Karen Settman (Noomi Rapace). Ensinadas por seu avô (Willem Dafoe) que as criou e nomeou-as como segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado e domingo – cada uma pode sair uma vez por semana como sua identidade comum, mas são livres para serem elas mesmas na prisão do seu próprio apartamento. Isso até que, um dia, segunda-feira não chega em casa…

Onde está Segunda? é apresentado de uma forma clara e concisa, com uma história bem trabalhada que nunca se desvia de sua premissa. O longa se destaca quando reconhece a necessidade de ter humanidade e emoção misturadas com conflitos e violência. O que me agradou sem fim foi o quão eficaz ambos foram transmitidos. Mesmo quando o filme cai em clichês, essa mistura continua sendo sua peça central e sedutora, mudando de um personagem para outro, muitas vezes dentro dos limites de uma cena cheia de ação.

As cenas de ação são absolutamente emocionantes, contando com ondas brilhantes de tensão que davam lugar a sequências viscerais e impactantes. A coreografia das lutas é excelente, e a câmera não hesita em recuar, permitindo que os espectadores vissem o que estava acontecendo, em vez de colocá-los no meio de um borrão confuso.

Como mencionado, há uma boa dose de humanidade em jogo aqui, pois nos é dado tempo para ver como cada irmã, embora fisicamente idêntica, é muito diferente em termos de personalidade. Embora elas não possam sair do lado uma da outra, exceto por um dia de cada vez, cada uma delas se torna inteiramente única em si. Por exemplo, uma irmã é fascinada por tecnologia, enquanto outra gosta de esportes radicais. E, assim como em qualquer outra família, elas brigam, discutem e nem sempre se dão bem. Mas, à medida que o filme avança, não há dúvida de que elas têm um profundo amor umas pelas outras, algo que o diretor Wirkola faz um esforço meticuloso para ser expressado.A principal atração é ver a excelente atuação de Noomi Rapace, onde ela precisa realizar um delicioso ato de malabarismo com as sete personalidades diferentes. O diretor encena um jogo de gato e rato que agrada às multidões, animado por floreios de ficção científica e um conceito de alto nível. O grau em que somos capazes de diferenciar entre segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado e domingo é uma combinação da atuação de Noomi Rapace, do figurino  e da maquiagem. O diretor, Tommy Wirkola, corta freneticamente de uma irmã para a outra quando elas se unem para enfrentar vários vilões em confrontos medonhos, em um momento, e se comunicam por rádio no seguinte.

O diretor e os roteiristas combinaram as performances dentro da narrativa de uma forma surpreendentemente perfeita – não apenas para Rapace, mas também para Clara Read, que interpretou a versão das irmãs em cenas de flashback, que mostram precisamente que tipo de sacrifícios seu truque requer.

Um problema do longa é a falta de um vilão distinto – Close faz a vilã em algumas cenas, mas ela não é memorável o suficiente, o que significa que Rapace tem que fugir de uma série de Homens de Preto, o que não é chato, mas ficamos só com a pancadaria.

Filmado em Bucareste, Romênia, com um design de produção eficiente de Joseph Hodges, o filme conseguiu fazer uma mistura evocativa, embora básica, do Velho Mundo, desintegrando-se e sombrio, e de alta tecnologia. O longa pode ser considerado um episódio prolongado de Black Mirror.

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