[ESPECIAL NGF] Sempre fui arteira

Sempre fui arteira.

 

Não, calma. Apesar de ter tido o prazer de haver subido em muitas árvores e me enfiado em cabaninhas feitas com cobertores, eu fui uma garotinha muito quieta.

Mas era arteira… Explico:
Não se pode chamar de artista uma infante que rabisca toda e qualquer folha em branco aos 4, 5 anos de idade. Mas é fato que sempre foi essa a minha mania. Deve ter começado assim que aprendi a falar e aprendi uma caneta e um papel. Eu era arteira mesmo.

Sim, essa era a frase padrão: “me dá uma caneta e um papel?”. Alguém me entregava os itens requisitados e lá ia eu, toda feliz fazer meus desenhos sem pé ou cabeça.

Tempos antes, afim de aprimorar minha coordenação motora, como a de qualquer criança, papai havia tentado me dar tinha guache. Mas eu acabava tão suja que, no fim das contas, acharam desenhar mais produtivo.

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Com o tempo, os desenhos sem sentido foram, de acordo com papai, se tornando “com sentido”. Pudera: era minha distração o tempo todo, já que eu era muito introspectiva.

Desenhava de tudo que me dava na telha: porque crianças não possuem medo de errar. Crianças só têm medo de escuro, né?

Assim que me tornei adolescente eu acabei me tornando uma espécie de garantia de que toda minha turma conseguiria fazer os trabalhos de artes em dia: eu ficava ocupada a aula toda com 30 folhas a serem desenhadas e pintadas para quase todos os meus colegas.

Quando completei 14 anos, minha mãe, tendo notado meu gosto interminável por desenhar, e querendo que eu pintasse quadros a óleo, decidiu me colocar em um Atelier de Pintura, onde recebi as melhores aulas da minha vida. Digo, com segurança que deve ter sido um dos melhores tempos de minha vida.

O que pode ser melhor que viver entre cores, pessoas adoráveis e músicas capazes de nos fazer sonhar?

Mas o tempo parece levar embora as coisas, quando você se distrai. Com a vida, veio a falta de horários disponíveis, as ocupações, os poréns, os “nos entantos”… Larguei a pintura por um longo tempo…

Hoje, após tanta dor – crescer dói… e dói muito – decidi roubar de mim mesma algumas horas de sono e voltar a pintar e até a desenhar.

De alguma forma, isso fez voltar a criança que morava aqui dentro. E ser criança é ser feliz.

Agradeço a Deus a força para resgatar o que eu tirei de mim mesma…

Não sou artista. Sou arteira…

E continuo tendo medo de escuro.

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Saudações a todos aqueles que não deixaram de ser crianças.

 

One thought on “[ESPECIAL NGF] Sempre fui arteira

  1. Parabéns Raquel Pereira.
    Tenho um orgulho imenso pelos nossos momentos de expressar o belo em cada pincelada um gole de café com papo cabeça. rsrs
    Lindo texto puro verdadeiro.
    Que muito me emocionou.
    Sucessos mil

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