[ESPECIAL NGF] Penadinho – Vida (Resenha)

Em meio a tantas resenhas macabras e sinistras nessa nossa Semana do Terror, eu trago uma obra assustadoramente gostosa e divertida. Ela é a graphic novel Penadinho – Vida, feita por Paulo Crumbim e Cristina Eiko. Leve e bem divertida, tentarei manter o texto nessa mesma pegada, sem me estender muito.

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Normalmente você esperaria que uma história envolvendo almas, criaturas do terror e seres mortos teria uma pegada de terror, certo?

Mas, como explicado por Sidney Gusman na Fest Comix desse ano, o gênero da dupla Crumbim & Eiko era tão leve, cômico e cheio de fofuras, que ele preferiu deixar esta história mais romântica e deixar o terror para uma obra que ninguém imaginava: Papa-Capim. Por isso que conseguimos uma história do Penadinho que não parece fugir do clima que as histórias originais têm. Isso veio tanto para o bem quanto para o mal.

A história é a seguinte: enquanto brincavam de esconde-esconde no cemitério, com Penadinho sendo aquele que procura, a Dona Cegonha, entidade mística que decide quais almas irão reencarnar em humanos, aterrissa perto de Penadinho e avisa: Alminha, o amor de Penadinho (e personagem que eu nem lembrava existir), irá reencarnar. Isso deixa o rapaz bem aflito, o que faz com que ele esconda essa informação de sua amiga. Paralelamente, temos a trama de um personagem original: Senhor Crowley [uma das mil referências a rock e metal (nota do editor: e também ao escritor e ocultista Aleister Crowley)]. Este senhor decrépito sequestra almas de toda a cidade para produzir perfumes populares, que dizem “trazer a pessoa amada de volta”, e para isso, conta com dois capangas demoníacos. Juntando 2+2, temos a trama dessa história, que você pode deduzir qual é.

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Apenadinho-vida01ntes de opinar sobre o enredo, quero dar os parabéns para o que mais se destaca aqui: a arte e as cores. Penadinho – Vida deve ser uma das graphic novels mais bonitas que li de toda a MSP. A escolha de cores é feita com muito cuidado, não deixando nunca a página colorida como um carnaval, mas precisamente escura e com alguns focos de luz, principalmente quando Penadinho está em vida. O que me faz pensar que essa história, e qualquer outra que seja contada sobre essa turma, precisa necessariamente ser feita de noite. A luz do dia só roubaria essa magia florescente que as páginas e os personagens de alma tem. Um trabalho magnífico que com certeza compensa por uma falha: a trama.

Meu problema com a história é que, um pouco parecido com Indiana Jones e O Templo da Perdição, os personagens principais não foram necessários em momento algum para resgatarem Alminha. Eles viajam pela trama inteira até chegar na casa do vilão, que inexplicavelmente os leva direto até a sala que contém um jarro de vidro com as almas lá dentro. Jarro esse que é destruído facilmente por um sofá atirado por minions que o próprio vilão soltou. Ainda podem dizer que foi necessário Alminha deixar os fantasmas instáveis e girando com toda força lá dentro, mas isso ainda exclui a turma de heróis. Se o vilão tivesse soltado esses minions em qualquer momento, eles teriam soltado as almas. Ou, se Alminha tivesse feito as almas girarem e cantarem com toda força, a Dona Morte ainda teria aparecido e resolvido tudo. Ou seja, eu fiquei com uma sensação de que li uma aventura desnecessária. Claro que ela teve bons momentos e piadas, mas acabou sendo isso. Nenhuma sensação de perigo foi sentida, e nenhuma satisfação veio com o desfecho da trama. Seria melhor que a história tivesse se passado no próprio cemitério, com alguma aventura mais despretensiosa e ainda assim cativante. Ou, voltando no que disse lá em cima, que ela tivesse sido, de fato, um terror, levando esses personagens para um gênero nunca antes abordado, como foi com Astronauta e Piteco. A arte e o estilo de histórias mais fofo e leve do casal acabou impedindo que a trama fosse para caminhos que poderiam ser bem mais aproveitados, deixando os leitores bem mais surpresos com o terror, gênero ainda não abordado nas Graphics MSP, e também um gênero que não se vê muito em quadrinhos que encontramos na banca.

Por fim, posso dizer que gostei da história, mas senti que ela poderia ter sido BEM melhor. Não vou comparar ela com outras obras, apesar de tê-las citado ali em cima. Acho injusto, já que cada uma das obras tem o seu papel a cumprir e sua mensagem a passar. Se Crumbim e Eiko queriam passar uma história de amor que atravessa a vida e a morte, eles conseguiram. Mas o caminho para entregar essa mensagem não foi dos melhores, e por isso, não me cativou tanto quanto devia.


Força de Recomendação: 7

Enquanto que a nota é:

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penadinho-vida-capaPanini Comics

80 páginas

19 x 28 cm

Capa dura (livrarias e comic shops) ou cartonada (bancas)

Onde comprar: Amazon | Extra | Saraiva


Compre abaixo algumas das Graphic MSP anteriores: