[ESPECIAL NGF] O Melhor dos Gostos, SAUDADE…

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Oh, que saudades que tenho/ Da aurora da minha vida,/Da minha infância querida/ Que os anos não trazem mais!

Começo emprestando os versos de Casimiro de Abreu em “Meus Oito Anos“, tão adequada me é essa definição de infância…

Alguns dirão que não, mas tive o privilégio de crescer durante a geração que ainda teve contato com terra, brincadeiras reais, com amiguinhos reais, em frente de casa, arranhões e férias no sítio de familiares.

Não culpo as crianças de hoje por serem tão aficionadas por tecnologia, minha nerdice também vem de muito cedo, mas não deixo de sentir certa tristeza em saber que muitas delas não experimentarão essa tenra idade da maneira como experienciei.

Como boa nordestina de cidade interiorana que sou, cresci rodeada de primos pestes, tão amados, entupida de comida por vó, que sempre achava (até hoje) que os netos estavam magros demais, passando o recesso escolar no sítio, tomando banho de rio e torcendo pra não levar uns puxões de orelha quando aprontava.

Hoje, quando a vida adulta me dá uma folga, corro para o sítio de meus familiares e, já no caminho, vou revivendo lembranças preciosas. O velho pé de carambola ainda está lá, sempre à minha espera, cada vez menor do que me lembrava. Subo em seus galhos até o topo, me estico até a mangueira próxima, fecho os olhos e ouço a tia Jura me gritando “Desce daí, menina! Parece um macaco!

Muito mudou desde aquela época, mas certos lugares parecem tombados pelo tempo: o açude (com jacaré e tudo), a cachoeira, a mata, árvores amigas… e as histórias de terror! Quantas noites fui dormir tremendo de medo da “Cumadi Fulôzinha” e do “Pai da Mata“, criaturas tão reais quanto o que se acredita.

Cresci, deixei muito de lado, mas essas pequenas nostalgias que me acometem às vezes me fazem ter a certeza de que fui uma criança, no sentido mais puro da palavra. Ah, as cicatrizes das quedas de bicicleta, do pé de carambola e das brincadeiras com os primos também ajudam muito a recordar. Fui muito feliz.

Ainda emprestando os versos de Casimiro de Abreu, “Que aurora, que sol, que vida,/ Que noites de melodia/ Naquela doce alegria,/ Naquele ingênuo folgar!”