[ESPECIAL NGF] Instituto Xavier Para Estudos Avançados – E foi assim que eu virei Nerd.

Poucas pessoas Entenderão o que direi nesse momento, mas, apesar do gostinho de nostalgia, não sinto falta da minha infância. Ela ainda é Maravilhosa. Afinal, todo nerd é uma criança grande.

Mas eu não escolhi a vida Nerd. Ela me escolheu…

Com 3 anos eu já parecia o cérebro, não? Com 3 anos eu já parecia o cérebro, não? (Eu já pensava em dominar o Mundo)

Isso mesmo, eu fui escolhida pela vida nerd. Os fatores foram muitos, mas se você quiser criar um pequeno nerd, esse post poderia até mesmo ser um Tutorial. Fique Atento (a).

MAS PRIMEIRO… Um agradecimento Especial àqueles que tornaram minha infância (e também adolescência) uma história sem-fim. 

Pai, Marcelo e Valéria, vocês foram a base desse estrago mental \o/. Amo vocês.

Agradecimentos também a Rodrigo (por reforçar meu NERDSIDE a cada dia), a todos os colaboradores do site (nosso melhor time) e a Gabriel Velasco e Eduardo Roza (que vai ler e não vai querer responder…). A Força é Forte em Vocês.  ,\\//

Agora vamos ao que interessa.

O PRIMEIRO MESTRE: MEU PAI (MEI?)

Meu treinamento começou quando eu sequer tinha noção de que estava em um projeto especial para me tornar uma Nerd.

Tudo começou quando o Mestre (vulgo, meu pai) tentou fazer com que eu e meu irmão gêmeo começássemos a ler aos dois anos de idade.

Utilizando-se de um método retirado de uma professora e mãe americana, nosso Mestre (papai) deu início ao nosso treinamento cognitivo por meio do uso de letras que deveriam ser metodicamente unidas de modo a formar palavras.

Uma pena que as fotos não estejam disponíveis, mas eu acabei aprendendo a ler aos 3 aninhos de idade. Eu e meu antagonista/companheiro (meu irmão gêmeo). livros-810x417-1

Não satisfeito com o duro treinamento de aperfeiçoamento avançado precoce de cognição (ou Advanced… ahhh falta do que fazer com seus filhos pequenos), meu Mestre (Papai) começou um programa de recrutamento literário quando eu era uma pequena infante cabeçuda de 5 anos de idade.

Sem piedade, além dos Mitos do Velho Continente (contos de fadas), eu e meu antagonista/companheiro fomos apresentados a experiências literárias das mais diversas naturezas.

Câmara Cascudo e suas histórias folclóricas, todos os livros da saudosa coleção Vagalume, clássicos como O Pequeno Príncipe e Meu pé de laranja Lima foram o início do treinamento. Mas o Intensivo mesmo foi iniciado com Kafka.

É… Pois é.

O Mestre leu “O Processo” e “A Metamorfose” para mim e meu irmão antes de termos seis anos de idade. Até hoje tenho teorias diversas sobre isso e meus desequilíbrios mentais.

Talvez o Mestre só não esperasse que o incentivo às letras me levaria, aos onze anos de idade, a começar a ler Marquês de Sade.

(Isso, eu tenho certeza de que mexeu com minha saúde mental).

818895Nota da redatora: Nunca deixe livros desse teor soltos pela casa. Seu Pequeno nerd pode encontrar… e ler.

UMA PEQUENA MUTANTE (MÍOPE)

Conforme já comentado em artigo anterior, a Miopia é possivelmente um fator decisivo para a nerdice. Não pode ser tão ao acaso que grande parte do público voltado às curiosidades do cinema, HQs, livros e games esteja sempre vendo o mundo por meio de lentes.

Inclusive, os óculos são símbolos do Nerd Power.

Bom, como já disse, meu destino não foi escolhido por mim, mas traçado por uma Força maior (deixa o Darth fora disso!).

Nasci com muitos problemas para enxergar as coisas de longe. Contudo, até os doze anos de idade, evitei o quanto pude o uso dos óculos.

Toda escolha, claramente, envolve uma perda: não querer ser “4 olhos” fez com que eu me tornasse um total desastre em qualquer atividade normal para crianças, como pular corda ou jogar vôlei ou Queimado. O resultado, claro, era que eu sempre acabava sobrando.

549c7e6d86817Passei a não gostar de Educação Física (se é que algum dia eu tive gosto por ela), e passei a fazer de meu isolamento uma forma de desenvolver minha intimidade com a literatura e com o desenho.

Não posso dizer que fui bem sucedida nos dois, mas posso atribuir uma boa dose de aperfeiçoamento para cada elemento.

Aos 12 anos, Lucíola era meu livro favorito. Mas eu já tinha uma boa lista de romances lidos… E enciclopédias… Eu amo e amava enciclopédias.

Quando passei a usar óculos já era tarde: a nerdice já estava em mim.

Aos 22... já sem vergonha de dominar o mundo. ( Ou não)

Aos 22… já sem vergonha de dominar o mundo. (Ou não)

Aos 16 anos, eu conseguia ler uma média de um livro a cada dois dias. (E já pintava telas)

TUTORES SECUNDÁRIOS E O PROJETO MANCHETE

Além do Excelente mestre Supremo (papai…), tive tutores mais velhos, altamente treinados e capazes de promover a mais fina capacitação Geek.

Um dos meus mentores mais importantes me apresentou ao Projeto Revolucionário Manchete (e derivados) quando eu tinha apenas 5 aninhos.

Cavaleiros do Zodíaco, Dragon Ball, Shurato, Yu Yu Hakusho foram apenas uma parte do árduo (e muito divertido) trabalho mental.

Assim como o Mestre, o Tutor (meu irmão mais velho) me fez conhecer mais da ficção e da cultura pop ao me apresentar o Maravilhoso (e violento) AKIRA. Pois é… isso tudo aos Cinco anos. E eu nem virei psicopata.

A outra Tutora (minha irmã, quase mãe) do Instituto tinha um viés mais leve, me fazendo conhecer os filmes mais antigos – tradição necessária à formação – e o ÉPICO e JAMAIS esquecido Caverna do Dragão.

Eu também tinha acesso aos programas complementares do Projeto de Recrutamento, como Freakazoid, Pingu, Animaniacs, entre outros. NADA ficou para trás.

PROGRAMAS DE TREINAMENTO DISNEY E OS COLEGAS DE CLASSE

Essa parte do programa é aquele que separa os fortes dos fracos, os Bazingueiros dos Nerds, os Seres que habitam as regiões Umbralinas deste planeta daqueles que sabem sonhar.

Sim, meus caros. Estou falando do Projeto Disney, iniciado como uma forma de descanso dos tempos de recrutamento Cognitivo mais complexos, e introduzido ao meu arcabouço cultural pelos Colegas Mutantes.

Foi com Bear (Redator primitivo e aposentado do site) e Rodrigo (Nosso Arquiteto e atual Professor Xavier) que aprendi a valorizar cada lição dada pela fábrica de Sonhos do Camundongo de duvidosas risadinhas.

Todas as músicas foram decoradas em inglês e português, as cenas vistas e revistas, os momentos, as vozes, as cores, tudo foi eficientemente apreendido pela minha mente nerd.

O que parecia uma brincadeira de Crianças acabou se tornando um Badge a mais em minha Carreira Nerd.

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Foi com eles que eu aprendi a filosofia do HAKUNA MATATA ou, a mais moderna versão: Let it go. (você pode chamar isso por outros nomes também, mas isso é um post da semana das crianças… Pega Mal).

O Resultado?

27 anos de extrema nerdice, um sem-número de livros lidos, um sem-número de livros a ler, um gosto peculiar e bastante analítico para o Cinema, interesse crescente pelas mais diversas áreas do conhecimento, um iPOD lotado de podcasts e músicas provenientes de trilhas sonoras do Tarantino, Disney e Yann Tiersen, a crença ferrenha na possibilidade de Viagem no tempo, uma Coleção de artigos de fazer inveja a alguns colecionadores…

E minha sanidade que deixou de ser, se é que um dia foi.

Mas o lado mais legal de tudo isso: Minha infância nunca acabou.

Uma pena meu psiquiatra tirar meus superpoderes…


Algumas das obras citadas: