[ESPECIAL NGF] Desde criança, eu crio Desenhos Animados para a TV

Sempre fui muito ligado com a televisão. Eu não gostava de atividades físicas, não tive videogame por uma boa parte da minha vida e nunca me interessei em livros ou quadrinhos. Minhas diversões eram meus brinquedos e a televisão, sendo que ambos tinham uma relação simbiótica. Sem um, o outro não existia. Da TV vinham as inspirações para minhas brincadeiras com os bonecos, enquanto que eu não conseguia brincar com eles sem um barulho estático e sem foco no fundo, então sempre ligava o televisor e deixava em algum canal infantil.

Com o tempo, cresci e passei a ficar mais agitado. Somente bonecos não supriam mais a alta demanda criativa do meu cérebro. Foi por isso que eu criei um canal de televisão.

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Alô Nickelodeon? Liguei para dizer que é bom você se cuidar.

Inicialmente eu não tinha imaginado um canal de tv. Tinha criado uma “brincadeira”, que na prática era um teatro. Eu e meu primo, Léo, éramos o Bat-Bax e o Robin-Bax, filhos dos respectivos heróis. Porém, ao invés de sermos detetives e mestres de kung-fu, nossas personas heróicas usavam “broches” mágicos que mudavam a nossas formas e nos davam poderes diferentes. Sim, eu fundi Batman com Kamen Rider aos 5 anos de idade. E o resultado era muito bom. Eu tinha as transformações “Bat-Zouro”, uma versão dourada e que usava uma espada e “Bat-Silver”, uma versão prateada que usava uma lança e tinha uma relação com o lobo.

Juntos enfrentávamos outros filhos de vilões, além de alguns “originais”. Uso aspas porque, bem, na verdade EU mesmo não tinha nenhuma ideia original. Tudo era completamente inspirado, e as vezes até copiado, de coisas que eu assistia. Seja um brinquedo meu que, ao ter se quebrado, ficou sem pernas, e ao ser transportado como vilão do “desenho” que eu brincava, também não tinha os membros. Eu vivia em constante busca por inspiração, sempre inventando inimigos e enredos que eu já tinha visto em algum lugar. Isso ficou sério quando somente uma só brincadeira não bastava. Foi aí que, com tantas brincadeiras que tinha criado, eu disse para mim mesmo que todas elas um dia iriam passar em um canal de TV do qual eu seria dono.

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Nessa transição de Bat-Bax para um canal inteiro de desenhos/brincadeiras, meu primo acabou se mudando e isso quase pôs um fim nessa paixão artística que eu tinha. Por sorte, eu tive minha irmã e um outro primo para manterem essa chama acesa. Com eles eu realmente expandi meus horizontes e fui à níveis de interpretação e “controle do canal” nunca antes visto em um rebento. Para você ter uma noção, eu já tinha decidido até mesmo em quais dias cada desenho seria exibido, o que acabava também decidindo os dias para cada brincadeira. Todo dia era uma nova, repetir era um pecado.

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Todos esses nomes são brincadeiras com enredo, temporada, elenco e abertura definidos

Por mais que pareça melhorar as coisas, eu odiava brincar disso com pessoas novas. Era um misto de vergonha com frustração pelos novos participantes não entenderem o espírito da coisa, além de tentarem interferir no MEU roteiro. Por isso eu só chamava meu primo, e de vez em quando minha irmã para me ajudar. Isso não me impediu de “elencar” pessoas para as brincadeiras, por mais que eu nunca fosse deixá-las participar. Fazia isso por puro gosto.

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Entre as várias atrações dessa época, eu tinha:

  • Cavaleiros da Luz: O meu próprio grupo de Power Rangers, cada um com seu elemento, sua arma, sua cor e sua nacionalidade. Com direito à zords, contrapartes malignas e vilões alienígenas.
  • Mega Fighters: Um torneio de artes marciais que englobava todos os clichês e as inspirações possíveis de animes. Tinha inspiração de Medabots, Beyblade, Yu Yu Hakusho, DBZ, qualquer anime que tivesse torneio era copiado.
  • Jack Carvalho: O meu próprio herói brucutu de filmes de ação. Ele tinha uma tonelada de tatuagens, cicatrizes e todas essas coisas que deixam alguém badass. Uma das únicas brincadeiras que inventei e brinquei exclusivamente na escola com amigos.
  • Quarteto Fantástico: Mega inspirado pelo FILME (!!!), criei um desenho um pouco parecido com Bat-Bax, com os filhos no lugar dos pais. Meu herói era filho do Dr. Doom, e assim como naquela merda de filme, se transformava em metal e usava eletricidade.
  • Monsters: Um dos que mais me orgulho por ser bem original. Era sobre um mundo onde animais eram antropomorfizados, e acompanhava os casos de uma delegacia. Gangues de gatos, delegado lobo, ajudante mosca, operações entre espécies diferentes. Era um bom exercício de criatividade.
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Obviamente desenhava os personagens,…

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…e, nesse caso, os Zords também

Mas o meu XODÓ mesmo, aquela brincadeira que, mesmo tendo dia definido, era feita todos os dias, todas as tardes, o que teve mais temporada e desenvolvimento. O meu tesouro: Deadly Arts.

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O desenho tinha SINOPSE. PRA EU LER. EU. A PESSOA QUE CRIOU A HISTÓRIA.

A história de Deadly Arts é engraçada. Ela não foi, inicialmente, inspirada por nada famoso. Pelo contrário: ela é totalmente baseada em um jogo de luta do Nintendo 64 que provavelmente você nunca ouviu falar. Curiosamente, o jogo é um pedaço de merda. Não faço a mínima noção de sua história, muito menos de seus personagens. A única coisa para qual esse jogo serviu foi dar uma ferramenta de criar lutadores, onde, com um número limitado de opções, criei alguns personagens. Os achei tão bacanas que inventei um desenho para inseri-los e poder dar vida àquelas personas tão legais. E assim surgiu essa febre.

Inicialmente brincávamos os três, sempre que dava. Mas com o tempo, minha irmã parou de se interessar, e assim ficamos eu e o Davi, meu companheiro eterno de brincadeiras, prolongando aquele anime animal que nunca veria a luz do dia. Misturamos conceitos de “Duelo Xiaolin”, “Yu Yu Hakusho” e “Mortal Kombat”. No fim, tínhamos um anime com diversos arcos, sagas, aberturas, poderes novos, inimigos para cada etapa, um vilão final, plot twists. Foi tão intenso que eu carrego comigo até hoje diversas cenas que criei junto com ele. Vira e mexe, quando estou sozinho, eu me transporto por alguns segundinhos para aquele mundo e interpreto sozinho as falas e ações de todos.

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Megalomania do Adler: criou categorias para premiar suas criações em uma festival fake. Obviamente ele e seu primo interpretaram o festival.

Hoje eu não crio mais nada para brincar. Mas esse hiato é passageiro. Todas essas criações estão presentes quando atuo em uma pela, escrevo um conto, crio personagens para RPG. E, com um canal no Youtube, pretendo futuramente usar cada vez mais dessas experiências infantis que tive para criar conteúdo real, que as pessoas possam assistir e admirar. Não que elas já não fizessem isso. No meu canal de TV, a audiência sempre era máxima 😉

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Bônus: não, não criei nenhum desenho/brincadeira com Chaves. Só queria mostrar que já fiz o Quico em uma peça de teatro infantil.

2 thoughts on “[ESPECIAL NGF] Desde criança, eu crio Desenhos Animados para a TV

  1. Nossa, que bacana isso. E o mais legal é você ter registro de tudo isso que criasse.
    Tempo bom esse de quando somos crianças e nossa imaginação vai longe! Eu costumava inventar histórinhas quando brincava sozinha, mas nunca fiz canal de TV 🙁
    Olha, acho que você pode resgatar essas ideias e mandar pro Cartoon, Nick… vai que cola? 😛

    Adriana

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