[ESPECIAL NGF] “Causos” Arrepiantes de Papanduva – Parte 2: Assombração de Estimação; A Velhinha; O Pé de Caqui; O dia em que vi o diabo

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Aproveitei o mês de outubro para tirar do armário as histórias empoeiradas de assombração que circulam minha família há décadas. Já contei algumas delas aqui. Aí vão mais algumas:

Assombração de Estimação

Com base nos dados históricos, creio que isso ocorreu lá pelos anos 80, na pequena localidade de Rio da Prata, na cidade de Papanduva em Santa Catarina.

Minha mãe tem mais seis irmãos, dos quais quatro são mulheres. De infância humilde, elas dividiam a cama – como um grande coração de mãe, sempre cabia mais um. A prima dela sempre ia dormir lá, e junto, ia a sua assombração de estimação.

Na verdade, não era bem de estimação, era perseguidora dela mesmo – ouvi algo uma vez sobre um feitiço feito para sete pessoas da família, que acabou pegando somente nela. Graças a Deus foi desfeito e não alcança mais ninguém. Aonde essa menina fosse, esse negócio estava atrás. Jogava pedra nela, fazia barulho no mato, quando ela ia dormir arranhava o assoalho, e se ela estivesse próximo da janela, via-a abrir misteriosamente. Dizem, ainda, que na casa dela a assombração tocava o violão e desdobrava a roupa.

Ainda bem que a encaminharam bem antes de eu nascer!

A Velhinha

Certa vez, minha mãe, minha tia e minha tia avó estavam voltando da casa da minha bisavó, e encontraram uma velhinha com lenço na cabeça e saia comprida. Com toda educação, cumprimentaram a senhorinha, que nem deu bola para as meninas, muito menos respondeu.

As garotas acharam muito estranho, e quando olharam para trás, a velhinha tinha desaparecido. Pernas para que quero!, fizeram um risco embora.

Quando chegaram em casa, relataram o fato e descreveram a mulher. Descobriram que ela havia morrido há muitos anos.

O Pé de Caqui

Chegando agora nos anos 90, minha avó sempre fazia compras para passar o mês. Nesse dia, caiu uma tempestade muito forte. A Kombi do mercado acabou encalhando e fazendo com que minha avó e tia ficassem na vila até anoitecer, a esperar que alguém as levasse, junto com as compras, embora.

Eis que surge um homem abençoado com um caminhão. Chegando na porteira, o caminhão não passava. Então, até a casa, as caixas foram levadas nos braços. Quando chegaram, próximo a um pé de caqui, um cachorro branco veio correndo do meio do mato em direção delas, tornou-se um lençol e desapareceu. O homem corajoso nem mais ajudou as mulheres com as caixas. Acho que nem eu ajudaria depois dessa…

Nesse mesmo pé de caqui apareceu um homem todo de branco alguns anos depois. Minha tia estava no paiol, e correu para casa para receber a visita que nunca chegou.

Esse pé de caqui ainda existe, e ali nunca surgiu mais nada. O cão e o homem devem ter ido embora.

O dia em que vi o diabo

Quando eu era pequena sempre falava muito palavrão – criança só fala o que escuta.

Em um dia normal da vida, minha avó estava carpindo o quintal. Eu, como sempre, atrás dela – não me recordo o que eu estava fazendo de tão grave. Percebi que atrás de uma árvore tinha algo estranho, quando olhei mais diretamente, eis que o cramulhão aparece!

Meu Deus do céu, cadê você?! O diabo veio me buscar!

Tudo bem que só vi um negócio vermelho segurando o cesto de bambu e um tridente, mas foi o bastante para eu rezar até em latim.

Todo mundo nega, mas tenho certeza absoluta que era minha tia, até porque aquele cesto, tenho certeza, era do nosso paiol.

Só não consigo entender de onde ela tirou aquele tridente!