[ESPECIAL NGF] “Causos” Arrepiantes de Papanduva – Parte 1: A Curva e o Bradador

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Muitas pessoas não acreditam em assombração, lobisomem, boitatá, mula sem cabeça e mais uma infinidade de criaturas que circundam o imaginário popular. No entanto, quando você mora no interior e ouve os mais diversos relatos, você passa a acreditar que tudo isso pode ser verdade!

Sou uma pessoa muito medrosa, tanto que quando apago a luz da sala para ir para o quarto, me recuso a olhar para a janela – a gente nunca sabe o que pode estar espionando a gente. Mesmo com todo esse medo, nunca me recusei a ouvir um bom relato sobre coisas “sobrenaturais”.

Vou contar para vocês um fato que aconteceu comigo, quando eu tinha uns 10 anos de idade.

Minha mãe tinha uma amiga, que sempre ia lá em casa, e geralmente a gente a acompanhava até um pedaço do caminho – andar no escuro e no mato, não é para qualquer um não!

Eu morria de medo, pois, no trajeto, tínhamos que passar pelos destroços de um antigo carijo (onde antigamente se secava erva mate). Lá foi onde o antigo dono do terreno morreu enforcado. Dizem que, dependendo da época em que você passa, ainda é possível escutar os grunhidos dele morrendo.  Cruz credo, se isso acontecesse comigo! Juro que correria três dias sem olhar para trás! Graças a Deus, nunca ouvi nada.

Em certa altura do trajeto, podíamos ver o morro onde passava a estrada principal. Eu não era boba nem nada. Preferia olhar para lá do que olhar a estrada que eu estava passando. Isso foi um erro.

Na curva dessa estrada, tinha uma luz muito forte e brilhante, um único feixe, imóvel, descartando a hipótese de que se tratava dos faróis de um carro. Ainda era muito maior e mais forte que um farol de moto. Meu senhor, tive a grande sorte de minha mãe conseguir mentir bem, e inventou uma estória, sem pé nem cabeça: a de que eu estava vendo a luz do poste de um vizinho.

Aliás, o tal vizinho morava do outro lado, e ali havia somente um poste. Seria impossível algo tão absurdo! Como eu acreditei nessa baboseira, não sei.

Chegamos em casa, e lá o mistério foi desvendado: realmente não era a luz do poste (sério), e sim alguma assombração. Foi assim que descobri algumas coisas sobre essa dita curva.

Meu padrinho mora uns 2 km para dentro do mato, em um lugar com vista privilegiada para a curva, na qual, em certa noite, pôde vê-la pegando fogo (literalmente). Como havia uma roça ali próximo, ele pensou que o vizinho estava queimando o mato seco para a próxima plantação (queimar o resto seco da plantação anterior era super normal). Não deu muita bola e foi dormir. No outro dia de manhã, a roça surpreendentemente estava intacta, sem nenhum sinal de queimada.

Meu tio avô sofreu um pequeno acidente próximo dessa curva. Estava ele na sua Delrey (não sei o ano) vermelha, quando, de repente, ouviu um barulho muito alto, como se vários carros estivessem vindo na direção dele em alta velocidade, jogando pedra para todo lado. Ele então, deu lado e caiu na valeta. Ali ficou, e o barulho acabou e não passou carro nenhum.

Outras pessoas falam de várias estórias sobre fatos sobrenaturais na curva. Dizem até que deve ter algum tesouro enterrado por ali. Bom, em todo caso, sempre que passo por essa curva, olho bem – vai que essa luz mostra para mim onde está o tal tesouro?!

Meu tio adorava ir caçar. Juntava os vizinhos e lá se iam. Certa vez, eles resolveram ir num dia santo. Todo mundo avisou que era melhor não ir, não se podia desrespeitar o santo, que não era boa coisa (sempre escute os mais velhos, eles sabem o que falam). Eles não quiseram nem saber. Arrumaram as coisas, os cachorros, e foram, mas não deu nem duas horas e voltaram. Motivo?  Simples, não presta caçar em dia santo! Eles ouviram alguns barulhos e estumaram os cachorros, que iam até certo ponto e voltavam chorando com o rabo entre as pernas. Isso foi feito diversas vezes, e o barulho do “animal” persistia. Então, como os cachorros não avançavam, eles resolveram atirar. O tiro sempre sumia. Ao invés de acertar alguma coisa, alguma árvore… nada! Simplesmente, sumia no ar. Voltando pra casa, pra fechar a noite eles ouviram o bradador!

Agora você deve estar se perguntando: o que é o bradador?

É uma lenda da região sul, abrangendo mais Santa Catarina e Paraná. Nela, um grito desesperado é ouvido muito próximo da pessoa e mato é amassado. Existem muitas versões do que realmente é o dito bradador. Muitos dizem que é um Zumbi, o corpo de um homem que morreu encostado em um pé de imbuia, que não teve um enterro cristão e, por esta razão, sai por aí gritando, buscando alguém para ajudá-lo. Uns dizem que é uma porca voadora, que acabou de ter filhotes e sai por aí gritando em busca de alguém para batizar suas crias. (Se você responder ao grito dela, terá que batizar os porquinhos, e quando o fizer isso, nunca diga amém – o por quê eu não sei).  Outros, no entanto, afirmam que é um duende. O que realmente é eu não faço ideia, e nem quero descobrir, mas é consenso que não se deve responder ao chamado!

Nunca esqueça: se estiver no mato e ouvir um grito ou qualquer coisa, nunca, em hipótese alguma, responda.

Pode ser somente uma lenda, mas quem se arrisca a desvendar a verdade?