[ESPECIAL NGF] A simplicidade da felicidade

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Dia 12 de outubro está chegando, e com ele vem a nostalgia da minha infância. Quem sabe eu faça um cachorro quente com refrigerante só para comemorar? Lembro-me que minha mãe sempre fazia algo nessa data.

Fui criada em um sítio, em uma cidade do interior. Cresci livre. Adorava desbravar a mata, correr pelos riachos, pular as valetas, brincar pelos campos e acabar levando corridão de quero-quero, mas minha vó não queria que eu me machucasse e corria atrás de mim com o chinelo ou uma vara, para eu voltar ao quintal.

No quintal eu tinha minha casinha, toda feita no improviso com madeira e tijolo. Passava o dia cozinhando barro e folhas. Ah, como era divertido! E quando chovia, eu me revezava entre a garagem da carroça e o paiol.

Gostava de acompanhar minha tia na roça porque queria ajudar, mas, no fim, só atrapalhava e fazia ela dar risada com os meus tombos – como eu era desastrada… e ainda sou!

Sou a mais velha de 5 primos. Por comandar a tribo, minha avó me apelidou de cacique. Mal sabia ela que eu não mandava em nada. Meu parceiro de infância é um primo 3 anos mais novo. Nós éramos inseparáveis. Tirando o fato dele ter entregado que o cavalo mastigou minha mão, não tenho nada a reclamar dele, que sempre me resgatou das roubadas. Aposto que você, caro leitor, deve ter ficado curioso: como assim um cavalo mastigou a mão dela?

Então, certo dia estávamos eu e meu primo brincando na carroça carregada de espigas de milho, e eu tive a brilhante ideia de alimentar os cavalos. Só que não contava com minha lerdeza: quando coloquei o milho na boca do cavalo, simplesmente minha mão foi junto!

Imagine o desespero enquanto eu sentia minha mão ser alisada pela língua do bicho e sentindo os dentes. Assim que ele abriu a boca para pegar outro milho, puxei a mão. Por sorte, todos os dedos estavam ali, só haviam alguns arranhões.

Fiz de conta que nada aconteceu e fui para a escola. No retorno, a primeira coisa que minha mãe queria ver era minha mão – ele tinha me dedurado.

Outro fato que me recordo com a presença dele foi quando a gente estava em uma “desbravação” no banhado, e eu acabei simplesmente atolando a perna direita até a altura da coxa. Naquele dia, bateu o desespero. Se ele não estivesse lá para me desatolar, tenho certeza que teria apanhado.

Viver no interior é viver a mil. Tenho muitas lembranças boas da minha infância, e se eu for contar todas, já posso escrever um livro.

Ser criança é muito bom! Aproveite bem se você ainda é. E se não for, não deixe essa criança morrer, divirta-se. Deixe-a sair de vez em quando, e você vai perceber que será mais feliz.

Um feliz dia das crianças a todos nós!

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