[ESPECIAL NGF] 128 anos de Chaplin – O Homem da Ribalta

Até quem não conhece Charles Chaplin, sabe quem é Charles Chaplin.

por mais paradoxal que essa declaração pareça, é a mais pura verdade; busque uma criança de idade razoável para conhecer qualquer personagem de filmes ou de TV e mostre a ela uma figura qualquer – minimalista ou detalhada, bem-feita ou malfeita – de homem simples, usando um chapéu coco, um bigode mínimo e uma bengala e com certeza, ela saberá quem é; Ainda que não saiba seu nome direitinho, com todas as sílabas, ou ainda que o chame de Carlitos, ela saberá.
Não é para menos.
O homem que nasceu cheio de ideias, colocou, ou ao menos tentou colocar em prática toda as que pôde.
E assim mudou o mundo. Ou pelo menos o tornou mais interessante.

Charles Spencer Chaplin, mais conhecido como Charlie ou Charles Chaplin, nasceu no dia 16 de abril de 1889, em Londres, na Inglaterra, e morreu aos 88 anos, em um dia de Natal, no dia 25 de dezembro de 1977, em Corsier-sur-Vevey, Vaud, na Suíça. Charles Chaplin se tornou uma figura emblemática da era do cinema mudo e, em especial, ficou conhecido pelo personagem Carlitos (ou O Vagabundo), criado e interpretado por ele mesmo.
Além de ator, Chaplin foi também diretor, produtor, humorista, empresário, escritor, comediante, dançarino, roteirista e músico britânico. Mais além disso tudo. Chaplin foi Chaplin: único e incomparável. Jamais visto.
Chaplin é um dos primeiros astros da história do cinema, elevando a indústria a um patamar que poucos ousaram imaginar na época.
Entre os seus filmes mais conhecidos estão Luzes da Cidade e Tempos Modernos.

 

Charles Chaplin foi abandonado pelo pai Charles Spencer Chaplin Sr., um alcoólatra, quando era muito pequeno. Sua mãe, Hannah Chaplin, atriz e cantora, ficou com o menino e o meio-irmão mais velho, Sydney. Sua mãe, que viria a sofrer problemas mentais graves e teve que ser internada em um asilo, foi capaz de sustentar a família apenas por alguns anos. Contudo, ela foi a responsável por inserir o filho mais novo no mundo da performance. Logo cedo, Chaplin mostrou talento para comédia. Contudo, como sua mãe perdeu a voz devido uma laringite e estava impedida de cantar, Charles e Sydney tiveram que achar uma casa e moraram em lugares pobres de Londres.
Curiosidade: Foi observando a mãe, impedida de falar por um bom tempo e incapaz de falar com eficiência pelo resto da vida em razão de sua laringe danificada, Chaplin aprendeu a observar a genitora. E foi observando-a assim que ele aprendeu não somente a traduzir as emoções com as mãos e o rosto, mas a estudar o homem de uma maneira diferente.

MAIS QUE DE MÁQUINAS, PRECISAMOS DE HUMANIDADE.

Chaplin estava determinado a fazer do seu show o seu negócio.
Em 1897, usando os contatos de sua mãe (ex- cantora), entrou para uma trupe de dança. Chaplin fez sua estreia como ator como um pajem em uma produção de Sherlock Holmes. Em 1914, fez sua estreia no cinema em um curta chamado Making a Living, nos Estados Unidos. A partir dali, começou a desenvolver o personagem Carlitos (ou o Vagabundo), que se tornaria um verdadeiro sucesso. A primeira aparição de Carlitos para o público aconteceu no filme Kid Auto Races at Venice, lançado em 7 de fevereiro de 1914, produzido pelo estúdio Keystone.

Durante o próximo ano, Chaplin apareceu em 35 filmes. No mesmo ano trocou de estúdio e foi para a Companhia Essanay, que concordou em pagar-lhe US$ 1.250 por semana. A essa altura, Chaplin, que havia contratado o seu irmão Sydney para ser seu gerente de negócios, já era um astro.

A PERSISTÊNCIA É O CAMINHO DO ÊXITO.

Mais tarde, mudou novamente de estúdio, desta vez para a Companhia Mutual, que lhe pagava US$ 670 mil por ano. Com a Mutual, ele fez alguns de seus melhores trabalhos, incluindo Carlitos Boêmio (1916), Casa de Penhores (1916), Carlitos Presidiário (1917), e Carlitos Guarda Noturno (1917).
Através de seu trabalho, Chaplin passou a ser conhecido por seu exaustivo perfeccionismo. Seu amor pela experimentação muitas vezes significava inúmeras refilmagens e não era incomum ele pedir a reconstrução de um set inteiro. Chaplin tinha fome de fazer arte e de fazer com que sua arte desse certo. Talvez por isso tenha sido o melhor dos melhores.
Também não era raro ele começar como um ator principal, perceber que cometeu um erro no seu casting, e começar de novo com outra pessoa.

Mas os resultados de tanto trabalho eram compensados com sucesso. Durante a década de 1920, ele fez alguns filmes marcantes, incluindo O Garoto (1921), Pastor de Almas (1923), Casamento ou Luxo? (1923), Em Busca do Ouro (1925) e O Circo (1928). Os três últimos foram lançados pela United Artists, empresa de Chaplin co-fundada em 1919 com Douglas Fairbanks, Mary Pickford e DW Griffith.


NADA É PERMANENTE NESSE MUNDO CRUEL – NEM MESMO OS NOSSOS PROBLEMAS.

Chaplin tornou-se igualmente famoso por sua vida pessoal.
Seus casos amorosos com atrizes que tiveram papéis em seus filmes eram constantes. Em 1918, ele rapidamente se casou com Mildred Harris, de 16 anos. O casamento durou dois anos apenas, e, em 1924, ele se casou novamente, com a atriz Lita Grey, também de 16 anos. O casamento foi provocado por uma gravidez não planejada e da união nasceram Charles Jr. e Sydney. O casal se separou em 1927.

Em 1936, Chaplin casou-se novamente, com Paulette Goddard. Ficaram juntos até 1942. A separação foi seguida por um processo de paternidade desagradável com outra atriz, Joan Barry, em que testes provaram que Chaplin não era o pai de sua filha, mas mesmo assim o júri ordenou que ele pagasse pensão alimentícia. Em 1943, Chaplin casou-se com Oona O’Neil, de 18 anos de idade, filha do dramaturgo Eugene O’Neil.
Os dois teriam um casamento feliz, que resultaria em oito crianças para o casal.
É… Um dia a gente acerta, né?

POR SIMPLES BOM SENSO, NÃO ACREDITO EM DEUS. EM NENHUM.

Chaplin continuou criando filmes interessantes e envolventes na década de 1930. Em meio ao avanço dos filmes sonoros, produziu Luzes da Cidade (1931) e Tempos Modernos (1936) antes de abraçar o cinema “falado”.
Esses filmes foram essencialmente mudos, porém possuíam música sincronizada e efeitos sonoros. Ambos os filmes seriam a sua consagração. Tempos Modernos, em especial, traçava uma critica mordaz sobre a economia e política mundiais. Chaplin foi ainda mais longe com o filme O Grande Ditador (1940), em que ridicularizou os governos de Hitler e Mussolini.
Além do grande impacto imediato de “O grande Ditador”, o filme gerou influências posteriores. Uma delas foi na Música Iron Sky, de Paolo Nutini:

No entanto, Chaplin não era aplaudido universalmente. Suas inúmeras relações românticas atiçaram a fúria de alguns grupos de mulheres, o que, por sua vez, o levou a ser impedido de entrar alguns estados norte-americanos. Como a Guerra Fria, Chaplin não ficou mudo diante de injustiças cometidas em nome da luta contra o comunismo em seu país de adoção, os Estados Unidos. Logo ele se tornou alvo dos conservadores de direita. Em 1952, o procurador-geral dos Estados Unidos anunciou que Chaplin, enquanto navegava para a Grã-Bretanha em férias, não estava mais autorizado a voltar para os Estados Unidos, a menos que ele pudesse provar “valor moral”. Foi o que bastou para Chaplin dizer adeus aos Estados Unidos e passou a residir em uma pequena fazenda em Vevey, Suíça.

UM DIA SEM RIR É UM DIA DESPERDIÇADO.

Chegando ao fim de sua vida, Chaplin fez uma última visita aos Estados Unidos em 1972, quando ele foi premiado com um Oscar especial da Academia de Cinema. A viagem aconteceu somente seis anos após o último filme de Chaplin, A Condessa de Hong Kong (1966), primeiro e único filme em cores do cineasta. Apesar de um elenco estrelado, que incluía Sophia Loren e Marlon Brando, o filme teve resultado ruim nas bilheterias. Em 1975, Chaplin recebeu o reconhecimento de cavaleiro da rainha Elizabeth.
Nas primeiras horas da manhã de 25 de dezembro de 1977, Charles Chaplin morreu em sua casa em Corsier-sur-Vevey, Vaud, Suíça. Sua esposa Oona e sete de seus filhos estavam ao seu lado no momento de sua morte. Em uma reviravolta que poderia muito bem ter saído de um de seus filmes, o corpo de Chaplin foi roubado pouco tempo depois do seu enterro, perto do Lago de Genebra, na Suíça. Dois homens exigiram US$ 400 mil como resgate.
Os homens foram presos e corpo de Chaplin foi recuperado 11 semanas mais tarde.
128 anos depois, o espírito de sua arte vive.