[ENTREVISTA] J.H. Williams III fala sobre Sandman Overture

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(entrevista cedida a Andy Khouri, traduzida e adaptada por Rodrigo F. S. Souza)

Entre suas muitas outras honras, Sandman da Vertigo tem a distinção de ser o portal pelo qual um grande número de leitores tiveram seu primeiro contato com um até então misterioso e oculto artefato: um verdadeiro roteiro de quadrinhos. Disponível em numerosas edições e formatos, o roteiro de Neil Gaiman para o shakespeareano capítulo “Um Sonho de Uma Noite de Verão” revelou a deferência do escritor por Charles Vess, seu colaborador artístico. As palavras de Gaiman expressavam uma profunda compreensão dos quadrinhos como meio visual e dos pontos fortes de Vess como um mestre ilustrador, com descrições de painéis que soavam menos como instruções mecânicas num roteiro e mais como sugestões úteis numa carta. O processo, supervisionado por Karen Berger, editora e fundadora do selo Vertigo, foi um sucesso retumbante, com Sandman #19 ganhando um World Fantasy Award [nota do tradutor: prêmio especialmente voltado para livros de fantasia, um dos mais respeitados, até então jamais vencido por uma história em quadrinhos].

Através da história de Sandman, Gaiman manteve esta colaboração estreita com seus artistas; sempre os desafiando com visões variadamente sombrias, divertidas, íntimas e horríveis, mas sempre construindo oportunidades de poderosas narrativas e deliciosas idiossincrasias que definem os melhores quadrinhos e seus artistas. Alguns deles incluem P. Craig Russell, Chris Bachalo, Milo Manara, Sam Kieth, Dave McKean, Marc Hempel, Matt Wagner, Jill Thompson e Bill Sienkiewicz. Até o grande ilustrador japonês Yoshitaka Amano foi atraído para o reino do Sonhar de Sandman (embora não na forma de um quadrinho, mas no premiado livro ilustrado, Os Caçadores de Sonhos).

Gaiman entende o quanto do poder de Sandman – dentre todos os grandes quadrinhos – vem da imagem, portanto não foi honestamente uma surpresa ouvir que o colaborador de Gaiman para The Sandman: Overture (leia uma review da 1ª edição aqui), a celebração do 25º aniversário da duradouramente popular série, seria o grande J.H. Williams III. Foi, porém, uma surpresa ver o quanto Overture superou as expectativas.

The Sandman - Overture (2013-) 001-000a

Williams vem sendo um experimentador há tanto tempo quanto o sigo, desde a super-heroica Chase, da década de 1990, [série em quadrinhos] que ele co-criou. Foi naquelas páginas, assim como em quadrinhos relacionados a Starman (outro título que lembra Sandman em suas ousadas escolhas artísticas) que notei pela primeira vez a predileção de Williams por layouts de páginas interessantes e elementos recorrentes de design. Mais tarde ele levaria o que você pode chamar de suas “peculiaridades” para patamares eufóricos na mistura de super-heróis e misticismo [vista em] Promethea, algo tão deslumbrante que está sendo reimpresso num formato maior para exibir mais adequadamente as imagens de Williams. Daí houve uma estadia estendida em Gotham City (certamente o mais amistoso dos locais dos quadrinhos para artistas, com exceção da Somnopolis de Mister X), onde ele não apenas se tornou um tipo de herói do mundo dos quadrinhos ao estabelecer a Batwoman da DC Comics como uma super-heroína abertamente gay com um título solo, como também desenhou alguns quadrinhos singularmente belos.

Batwoman demonstrou quão cuidadosamente Williams aborda seu trabalho. A narrativa tipicamente não-linear é inexoravelmente ligada às idiossincrasias de Williams como narrador, frequentemente ditando que os quadrinhos vizinhos sejam construídos em diferentes formas e renderizados em estilos distintamente diferentes dependendo de quem está neles e onde ou quando eles ocorrem. Mesmo personagens dentro dos quadrinhos eram algumas vezes retratados de maneiras contrastantes, como na parceira vista ano passado com a Mulher-Maravilha, que foi ilustrada num estilo tipo linha clara mesmo com ela interagindo diretamente com a Batwoman, que Williams sempre apresentou num estilo rigidamente pincelado, quase pintado. Tudo isto envolto em luxuriantes, e intrincadamente desenhadas páginas duplas que guiavam os olhos do leitor através de maravilhosos ícones do passado, emblemas e outras imagens viscerais como relâmpagos, bolhas flutuantes e notas musicais. Em cada ocasião, Williams transformou o que para outro artista seria uma indulgência caprichosa numa autêntica pulsação emocional da experiência de leitura.

A marca que Williams deixou com a Batwoman foi indelével e eu sabia que ele não gostaria de se repetir com Sandman; além de uma inclinação artística natural de tentar coisas novas, isto não faria sentido num nível narrativo. Mas enquanto eu sabia que os talentos únicos de Gaiman ajudariam a tornar Overture um quadrinho singularmente bem desenhado, Batwoman funcionou tão bem que eu queria saber se Williams poderia realmente se superar e adaptar suas imensamente dramáticas páginas duplas de ação e ousados instintos de design para algo relativamente calmo como o Sandman de Gaiman.

Para simplificar: ele encontrou um jeito.

Overture #1 foi lançada semana passada, e com ela Williams muito possivelmente superou seu trabalho anterior. A história surpreendentemente épica sobre o que aconteceu imediatamente antes de Sandman #1, de 1989, é uma edição que desafia expectativas em múltiplos níveis, apresentando os leitores para uma dimensão completamente nova de sua mais adorada saga em quadrinhos que começou 25 anos atrás, onde o rei dos sonhos é puxado para o outro lado do universo numa verdadeira aventura cósmica anterior ao aprisionamento que começou a séria clássica de Sandman. E como você pode ver nas imagens presentes neste post, a adequadamente batizada Overture nos reapresenta um artista que já está no auge de suas habilidades.

Tive a oportunidade de fazer a J. H. Williams III algumas perguntas sobre seu trabalho em The Sandman: Overture. Conversamos sobre a história como um leitor das aventuras do rei dos sonhos, sua colaboração com Neil Gaiman, seus artistas favoritos da série Sandman, e se andróides sonham com Sandmen elétricos.

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PERGUNTA: Onde você estava quando Sandman #1 saiu? Sua carreira já havia começado?

JH Williams III: Minha carreira definitivamente não havia começado de fato quando Sandman foi lançado. Eu estava tentando entrar no mercado de quadrinhos mas levou algum tempo após o ensino médio pra eu chamar atenção – com razão; eu não era muito bom. [risos]

P: Você era um grande fã de Sandman nessa época?

JHW3: Eu logo me tornei um. Na época eu lia toneladas de quadrinhos de super-heróis, mas estava sempre ansioso pra encontrar algo novo. Sandman saiu neste período em que quadrinhos incomuns e únicos vinham se tornando mais predominantes e facilmente acessíveis [através do crescimento do mercado direto de lojas especializadas em quadrinhos]. Quando saiu era exatamente o que eu estava procurando.

P: Imagino que Sandman: Overture não faça parte da típica linha de montagem dos quadrinhos, em que um roteiro aparece um dia e você só tem que desenhá-lo. Que tipo de discussões você teve com Neil Gaiman antes de começar a desenhá-la?

JHW3: Na verdade foi bastante simples. Neil e eu tínhamos nossas idéias sobre o que é um quadrinho “cósmico.” Algumas das coisas que o interessavam eram coisas que me interessavam. Nós dois adoramos um monte de quadrinhos cósmicos que saíram na década de 1970. Quando alguém menciona “quadrinhos cósmicos” pra mim, penso imediatamente em alguns destes. Neil parece muito apegado a algumas destas mesmas idéias mas, claro, através das lentes que criam uma história de Sandman. Posso dizer com segurança que Sandman será arrastado através do universo e que veremos a insinuação de algo que mostrará o que é Sandman numa escala mais grandiosa e universal, e menos terrena. Acho que será bem fascinante. E bem épico, na verdade.

P: Overture ofereceu um novo olhar pra você. Antes de começá-la, houve alguma discussão sobre metas criativas específicas que você queria atingir com sua técnica ou estilo?

JHW3: Quanto ao avanço de meu processo ou a tentativa de fazer algo diferente do que já fiz antes, eu realmente não tento jogar essa mentalidade sobre o escritor com o qual vou trabalhar. Isto tem que ser mais orgânico. Quando vejo a história começando a se formar e sobre o que as cenas são, consigo enxergar diferentes meios de mover as coisas e fazer algo legal com elas.

(clique para ampliar) Esta inteligente e inquietante página dupla preserva o tradicional designe ambiocioso de páginas de Williams embora seja completamente distinto de seu estilo intrincado em ‘Batwoman.’ As imagens dos dentes remetem os antigos fãs de Sandman ao clássico Coríntio enquanto dá aos novos leitores um sensação ameaçadora do destino sombrio do personagem.

(clique para ampliar) Esta inteligente e inquietante página dupla preserva o tradicional design ambicioso de páginas de Williams, embora seja completamente distinto de seu estilo intrincado em Batwoman. As imagens dos dentes remetem os antigos fãs de Sandman ao clássico Coríntio, enquanto dá aos novos leitores um sensação ameaçadora do destino sombrio do personagem.

P: Com Batwoman você inovou sua abordagem muito expressiva de páginas duplas com elementos intencionais de design, e muito drama… Eu estava imaginando como você daria continuidade a isto no contexto de Sandman. Mas daí você veio com a página dupla do Coríntio em Overture #1, com todas aquelas imagens dentro de dentes diferentes em seu olho-boca. É diferente, mas reconhecidamente algo de J. H. Williams.

JHW3: Sabe, eu queria abordar toda esta série com uma mentalidade dualista, de uma perspectiva visual. Ela é para todos os intentos e propósitos um prelúdio de uma das séries em quadrinhos mais famosas que a indústria já viu. Ao mesmo tempo, está saindo depois de tudo isto. Daí eu me perguntei que coisas posso fazer visualmente, ou que coisinhas podem ser feitas, que ressoem histórias que antigos fãs de Sandman reconheçam; eles entenderão o que esta iconografia significa. Mas ao mesmo tempo, para aqueles que não leram Sandman antes, pra quem isto será a primeira vez, as imagens podem agir como algo que insinue alguma coisa sinistra que está por vir [na narrativa cronológica].

O Coríntio é um bom exemplo disto. Esta página dupla onde as imagens estão em seus dentes, é uma distração legal para quem sabe tudo sobre o Coríntio, mas leitores que estão sendo apresentados a ele aqui, não entenderão muito bem porque eu fiz assim até mais adiante. E acho legal brincar com isto. É um desafio interessante pra mim, visualmente falando, saber que estou trabalhando em algo que precisa ser sobre o aqui e agora, mas que ainda assim ocorre antes da 1ª edição de uma série muito famosa com 25 anos de idade.

(clique para ampliar) Williams desenhou uma impressionante página dupla quase inteiramente sem linhas retas, protagonizada por flores totalmente não-humanóides ainda que expressivas. Um desafio intimidador, sem dúvida.

(clique para ampliar) Williams desenhou uma impressionante página dupla quase inteiramente sem linhas retas, protagonizada por flores totalmente não-humanoides, ainda que expressivas. Um desafio intimidador, sem dúvida.

P: Entendo o que você quer dizer porque só de olhar, as imagens de dentes te levam de volta para o arco do serial killer [em A Casa de Bonecas]. É extremamente dramático, mas o layout é mais solto que seus outros trabalhos, não há linhas retas nas páginas.

JHW3: Do ponto de vista do design, tento abordar cada projeto me certificando de que estou levando todos os pontos da história em consideração para o que faço visualmente. Mesmo mudanças estilísticas que podem ocorrer dentro dos estilos de desenho. Tudo isto realmente se baseia no poder de Sandman.

P: Isto manifesta de uma maneira significativa na página quádrupla com todos os Sandmen do universo. Alguns são ilustrados em estilos diferentes enquanto outros – e talvez isto seja apenas uma ilusão? – parecem ilustrados em meios e com ferramentas diferentes.

JHW3: Definitivamente eu queria gerar a sensação de que cada um daqueles Sandmen são de seus próprios mundos ou dimensões. Era importante vender a ideia de suas singularidades mudando o estilo de arte, porque não teremos muita exposição deles. A forma como algo é desenhado imediatamente impacta na forma como o leitor sente isto. Usei esta abordagem com cada um daqueles personagens. Isto dá ao leitor uma impressão imediata de como cada personagem é, mas de uma forma abstrata, o que é bem legal.

Com relação aos diferentes meios, alguns deles são definitivamente verdade. Alguns foram pintados a mão, alguns foram aquarelados, alguns foram só feitos a lápis e coloridos [por Dave Stewart].

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(clique para ampliar) Williams criou cada Sandman na hora em que desenhava a página, usando diferentes estilos e técnicas de ilustração, como tinta, aquarela e lápis quando necessário. Cor de Dave Stewart.

P: Você deve ter um monte de rascunhos dos Sandmen espalhados pela casa.

JHW3: Não tem nenhum. Todas aquelas decisões eu tomei na hora, enquanto desenhava a página quádrupla. Seja onde for que eu faça esse tipo de coisa em que faço um personagem com um determinado estilo em mente, a decisão é com frequência feita na hora; o que minha intuição diz ser o certo para um personagem em particular. Foi assim que trabalhei nesta página quádrupla. Eu sabia que havia estilos específicos que eu queria usar na jogada, mas onde os aplicaria não foi inteiramente pensado. Eu só… fiz.

P: Isto é uma grande surpresa. Quais são seus favoritos na página? Gostaria de ouvir sobre um monte deles. Tipo o Sandman Robô!

JHW3: Eu gosto do robô! Neil deu algumas sugestões no roteiro de possíveis Sandmen. Algumas delas não tinham que aparecer nesta página, mas vão aparecer quando retornarmos à cena. O robô foi intrigante porque quando as pessoas pensam em versões diferentes de Morpheus, o senhor dos sonhos, sempre pensam em termos orgânicos. Mas com é Morpheus para uma máquina viva?

P: Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas?

JHW3: Exato! Achei que seria interessante. Eu gostei mesmo dele.

P: Quais outros são seus favoritos?

JHW3: Adoro o gato gigante, ele é bem divertido. Outros dois que se destacam pra mim é o Sandman de pele verde com quatro braços – a forma como está vestido me lembra um antigo herói pulp de aventuras espaciais – e o personagem perto dele, que tem uma cabeça em forma de lua crescente. Ele me faz lembrar de algo que você encontraria em algum livro ilustrado de fantasia.

Uma homenagem subconsciente a Dave McKean, veterano artista das capas de Sandman, aparece na página quádrupla de William.

Uma homenagem subconsciente a Dave McKean, veterano artista das capas de Sandman, aparece na página quádrupla de Williams.

P: O cara com cabeça de lua lembra uma capa de Sandman feita por Dave McKean [a edição 39 de 1992]. Lembro de um cara com uma cabeça em forma de lua crescente apoiando-a com as mãos. Lembra dessa capa?

JHW3: Sim, eu me lembro!

P: É esse o cara!?

JHW3: Vai saber, pode ser! Esse é um daquelas lances subconscientes. As imagens da série original são tão poderosas e fortes, que algumas coisas diferentes podem viver no fundo de sua mente e você nunca vai se tocar que algo veio à tona. Como o personagem que o fez lembrar desta capa específica – ele também me faz lembrar dela. Quando eu vi o personagem que estava desenhando eu pensei, “Oh, isto me lembra daquela mesma capa!” o que eu acho divertido. É legal.

P: E os Sandmen pintados?

JHW3: É claro que eu também queria muito brincar com pinturas. Acho o Sandman Picasso bem fascinante. Quando ele surgiu achei muito interessante. Uma das coisas que me ocorreu foi que, se estamos mostrando como Morpheus é em todos estes mundos diferentes, como ele é visto neles, podemos levar isto a extremos no que diz respeito ao estilo visual. Como buscar inspiração em pinturas abstratas ou perspectivas de arte moderna como Picasso – de que forma isto ficaria numa página?

P: O que você estava falando sobre Dave McKean me lembrou de algo importante. A série Sandman teve muitos artistas ilustres.

JHW3: Ah, sim.

P: Você tem alguns artistas e histórias favoritas de Sandman?

JHW3: Eu adoro minha história favorita porque foi a primeira história de Sandman que me fez pensar, “Ok, essa série fará coisas que você jamais esperou.” Provavelmente foi “O Sonho de Mil Gatos.” Esta foi brilhante.

P: Kelley Jones!

JHW3: Sim! A arte de Kelley e a história de Neil nesta história em particular foram tão… você simplesmente não esperava algo assim depois de ler a série até aquele ponto. Aquilo foi um sinal pra mim sobre quão longe a série poderia ir para apresentar tipos únicos de histórias.

Williams e o colorista Dave Stewart usam linhas e cores efetivamente para nos imergir no mundo de Sadman. O sonhador humano e seu ambiente são renderizados num estilo distintamente tenso e hachurado que é perturbado quando Morpheus está presente. Figuras e cores parecem em estilos distorcidos para denotar a super-natureza dele e do Coríntio.

Williams e o colorista Dave Stewart usam linhas e cores efetivamente para nos imergir no mundo de Sandman. O sonhador humano e seu ambiente são renderizados num estilo distintamente tenso e hachurado que é perturbado quando Morpheus está presente. Figuras e cores aparecem em estilos distorcidos para denotar a super-natureza dele e do Coríntio.

JHW3: Quanto a ilustradores favoritos, é inevitável amar o trabalho de P. Craig Russell  mas meu favorito nas histórias longas é provavelmente Marc Hempel. Acho que o que ele fez [no arco Entes Queridos] foi fantástico. Aquelas imagens realmente ficaram e ressonaram em mim. Quando penso em Sandman, não deixo de pensar nas imagens dele, porque há algo poderosamente gráfico nelas.

P: Eles foram desenhados com carvão vegetal. Dá pra ver a aspereza.

JHW3: Sim, o trabalho que ele fez foi muito interessante. Havia aqueles ângulos e formas agudas mas, como você disse, se você olhar nas bordas das linhas há ao mesmo tempo uma aspereza neles. Acho que foi bem interessante ser capaz de capturar essa aspereza mas manter-se extremamente gráfico.

P: Quanto trabalho você ainda tem que fazer para Overture antes de dormir sossegado? [trocadilho não intencional]

JHW3: Ainda há muito para ser feito. Estamos trabalho duro nisto. É um processo assustador. A intensidade do trabalho é definitivamente semelhante ao que fiz em Promethea. Algumas coisas levam tempo!

Fonte: http://comicsalliance.com/