[ESPECIAL NGF] De onde vem as bruxas?

Algumas palavras e imagens, quando evocadas, são facilmente projetadas em nossa mente. Mas, você já se perguntou o que significa de fato “magia” ou parou para pensar no que seria uma Bruxa? De onde esses seres reais ou fantasiosos vêm?

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Peça a qualquer criança ocidental desenhar uma bruxa, e boas são as chances de que ele ou ela chegue a algo familiar: provavelmente, uma senhora de nariz adunco, vestindo um chapéu pontudo e de capas largas, montando uma vassoura ou remexendo um caldeirão.

As bruxas têm história elaborada e longa. Talvez pelo fato de que não existe UMA definição para o que seriam bruxas ou UMA origem para elas. As bruxas parecem ter vindo de muitas culturas e surgido de muitos contos (reais ou não), ao longo do desenvolvimento de nossa sociedade (Ocidente e Oriente Médio para fins de especificação).

As suas antecessoras aparecem na Bíblia, na passagem do rei Saul – ele consulta a Feiticeira de Endor, uma necromante, quando este deseja comunicar-se com o espírito de Samuel. A crônica de 1ª Sm 28.7-25 foi ditada por uma testemunha ocular: logo, por um dos servos de Saul que o acompanhara à necromante. Saul só buscou a necromante depois que o espírito de Deus se retirou dele (de acordo com o relato bíblico). Esta, que foi chamada de a Necromante de Endor, poderia muito bem hoje ser interpretada como uma médium espírita, uma vez que houve a comunicação efetiva com uma pessoa já falecida. E a reflexão acerca dessa passagem e da existência das necromantes na antiguidade levanta um ponto interessante: seriam os médiuns, bruxos em sua essência?

A célebre figura da mulher capaz de produzir magia também surge na era clássica, na forma de harpias aladas, ora como formosas e sedutoras mulheres com longas unhas, ora como terríveis monstros com corpo de ave de rapina, rosto de mulher e seios – e que, ainda por cima, alimentam-se de carne de bebês.

Não, não eram bonitas...

Não, não eram bonitas…

A princípio, segundo relatos mitológicos gregos, as harpias eram irmãs de Íris, filhas de Taumante e da oceânide Electra. Há que se ressaltar que as harpias também aparecem na cultura japonesa. Elas eram, no universo nipônico, vistas como seres que forçavam as almas que se recusam a entrarem no barco do rio Estige.

Em A Batalha do Apocalipse: Da Queda dos Anjos ao Crepúsculo do Mundo, do Eduardo Spohr, Shamira é uma necromante, nascida em En-dor (ou Endor), que acompanha Ablon, um querubim renegado, a cumprir sua demanda contra dois arcanjos egoístas e ciumentos, Miguel e Lúcifer. Não me arriscaria a afirmar, mas suspeito que o autor tenha dado a entender que Shamira foi a mesma auxiliadora de Saul.

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Circe, a feiticeira da mitologia grega, era uma espécie de bruxa, capaz de transformar seus inimigos em porcos.

A passagem célebre da dita bruxa é em A Odisseia, quando usa sua magia contra o pobre e muito desafortunado Herói Grego. O problema é que com Ulisses, as coisas eram um pouco mais difíceis:

” Ulisses prosseguiu seu caminho e, ao chegar ao palácio, foi recebido cortesmente por Circe, que o obsequiou como fizera com seus companheiros. Depois que ele havia comido e bebido, tocou-o com sua varinha de condão, dizendo:

– Ei! procura teu chiqueiro e vá espojar-se com teus amigos.

Em vez de obedecer, Ulisses desembainhou a espada e investiu furioso contra a deusa, que caiu de joelhos, implorando clemência. Ulisses ditou-lhe uma fórmula de juramento solene de que libertaria seus companheiros e não cometeria novas atrocidades contra eles ou contra o próprio Ulisses. Circe repetiu o juramento, prometendo, ao mesmo tempo, deixar que todos partissem são e salvos, depois de os haver entretido hospitaleiramente.”

Note o uso, desde essa antiga passagem, da varinha de condão.

Circe, claro, teve outras histórias interessantes.

No poema “Endimião“, do poeta Keats, podemos ter uma ideia do que se passava no pensamento dos homens que eram transformados em animais pela feiticeira Circe. Os versos abaixo teriam sido ditos por um monarca transformado em elefante pela deusa:

Não lamento a coroa que perdi,
A falange que outrora comandei
E a esposa, ou viúva, que deixei
Não lamento, saudoso, minha vida
Filhos e filhas, na mansão querida
Tudo isso esqueci, as alegrias
Terrenas dos velhos dias olvidei
Outro desejo vem, muito mais forte
Só aspiro, só peço a própria morte
Livrai-me deste corpo abominável
Libertai-me da vida miserável
Piedade, Circe! Morrer e tão-somente!
Sede, deusa gentil, sede clemente!

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Versão Clássica de Circe

No Universo DC, Circe é uma supervilã e arqui-inimiga da Mulher-Maravilha.

Circe Versão DC

Circe, versão DC

Assim, também era sua sobrinha, Medea, personagem terrível e fascinante – filha do rei Eetes, é prometida a Jasão em casamento e o ajuda a cumprir uma tarefa para que ele obtivesse o velocino de ouro, até mesmo assassinando o próprio irmão (também o despedaça e lança picadinhos dele ao mar). Coisa leve, não? Bom, acrescente-se que há uma história séria de vingança e ódio envolvendo a jovem Bruxa.

Em vez de se casar com Circe, Jasão escolhe Glauce, filha do Rei Creonte.

O ódio de Medea é tamanho que todos acreditam que ela irá matar os próprios filhos (filhos de Jasão, também).

Creonte, antecipando a ira de Medeia, chega e revela a sua decisão de mandá-la para o exílio.

Medeia implora o adiamento por um dia da expulsão, acabando Creonte por concordar. A seguir Jasão chega para explicar e justificar a sua aparente traição. Ele explica que não podia deixar perder a oportunidade de casar com uma princesa, sendo Medeia apenas uma mulher bárbara.

Desde que Jasão a envergonhou para tentar começar uma nova família, Medeia resolve destruir a anterior família dele, matando os próprios filhos. Medeia hesita por momentos, quando considera a dor que as mortes dos seus filhos lhe causará. No entanto, ela mantem a sua determinação de causar a Jasão a maior dor possível e acaba por matar seus próprios filhos a facadas.

Tudo isso, lembremos, aconteceu em um mundo antigo, sendo ele (a sociedade antiga e a tradição oral amplamente difundida) o responsável pelo estabelecimento de uma série de alegorias que, séculos mais tarde, viriam ser associados com as bruxas.

No entanto, até o início de Renascimento, a nossa percepção moderna de “bruxa” não estava realmente formada. O pintor e gravurista alemão, Albrecht Dürer, fez mais do que qualquer outro homem do período para que conseguíssemos imaginar as bruxas de hoje.

Mas, antes de seguir a explicação histórica, responda: o que você entende por “bruxaria”?

Se a sua cabeça deu nó agora, da mesma forma que a minha, segue a definição da Wikipédia (para confundir ainda mais):

“A palavra bruxaria, segundo o uso corrente da língua portuguesa, designa o uso de poderes de cunho sobrenatural, sendo também utilizada como sinônimo de feitiçaria. (…)”

“(…) existem três pontos de vista principais sobre o que é bruxaria: o primeiro ponto de vista é o antropológico, que demonstra a bruxaria é sinônimo de feitiçaria; o segundo é o histórico, que através de documentos escritos coloca qualquer tipo de bruxaria como uma prática ligada ao culto ao diabo; o terceiro é o da bruxaria moderna ou hodierna, que defende a bruxaria como religião pagã (ou neo-pagã).

É importante ressaltar que determinadas ramificações modernas professa não reconhecer o diabo, dentre outros elementos judaico-cristãos, em suas práticas. ”

Nota dos redatores:

A Wicca (uma vertente da bruxaria moderna) pratica o culto à Deusa/ ou ao Deus, em sistemas que variam de uma deidade única hermafrodita ou feminina à pluralidade de panteões antigos, mais notadamente os panteões celta, egípcio, assírio, greco-romano e normando (viking), que interagem com a natureza e moldam o ciclo da vida. Boa parte dos praticantes considera até mesmo que diversas deusas antigas são faces de uma única Deusa, representada pela lua.

Justifica-se, com isso, a importância dos ciclos lunares para os professantes dessa fé, tal qual as celebrações das mudanças de estação do ano (sabás). As bruxas têm ligação com lobos. Esses ciclos lunares faziam com que se tornassem, segundo a cultura espanhola, lobos no Shabbat.

Letra da canção Vida que Flui (Wicca):

Vida que flui e que corre/ Se transforma/
Todo amor que vem da Grande Mãe/ Vive através de mim/ Através de você.

De volta à gênese histórica. Estávamos falando de Albrecht Dürer…

Com um par de gravuras extremosamente influentes, Dürer determinou o que se tornaria o duplo estereótipo do aparecimento de uma bruxa. Por um lado, em As Quatro Bruxas (1497), ela podia ser jovem, em idade de casar e ágil – seus encantos físicos capazes de levar homens à enlouquecida paixão, noutro, como em Bruxa andando de ré numa cabra – imagine a cena – (1500), ela poderia ser velha e medonha.

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As Quatro Bruxas (1497).

A segunda impressão apresenta uma anciã nua sentada em cima de uma cabra com chifres, um símbolo do diabo. Ela secou, está com as tetas caídas, a boca aberta, a gritar feitiços e maldições, e o selvagem cabelo dela é soprado pelo vento corrente de forma anormal na direção de seu curso (um sinal de seus poderes mágicos). Ela está mesmo segurando um cabo de vassoura. Aqui está a matriarca das bruxas que encontramos na cultura popular hoje.

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Bruxa andando de ré numa cabra (1500). (Eis a cena)

Para os historiadores de arte, no entanto, a questão interessante é o que serviu de fonte aos artistas do Renascimento comporem esta visão terrível. Uma teoria é que Dürer e seus contemporâneos se inspiraram na personificação da inveja, como concebida pelo artista italiano Andrea Mantegna (1431-1506), em sua gravura A Batalha dos Deuses do Mar.

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A Batalha dos Deuses do Mar.

A figura da inveja de Mantegna formou um tipo de chamado para a Renascença de uma bruxa como uma mulher decrépita e horrenda. A inveja estava magra, com os seios longe de bons, razão pela qual sentia ciúmes da mulher, para atacar os bebês e os comer. Muitas vezes, tinha serpentes ao invés de fios de cabelo.

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Lo Stregozzo.

Um bom exemplo deste tipo “invejoso” de bruxa pode ser visto numa extraordinariamente intensa pintura italiana conhecida como Lo Stregozzo (A Procissão da bruxa, 1520). Aqui, uma bruxa malévola com a boca aberta, descabelada e de tetas dessecadas suporta uma panela fumegante (ou um caldeirão), e a carruagem é constituída por um esqueleto monstruoso surreal. A mão direita dela segura a cabeça de um bebê do monte de crianças que está a seus pés.

Esta obra foi produzida durante a “idade de ouro” do imaginário popular da bruxaria: os conturbados séculos 16 e 17, quando perversos julgamentos de bruxas convulsionaram a Europa (o pico da caça às bruxas durou de 1550 a 1630). Em toda a Europa, houve a Reforma e a Contrarreforma, a Guerra dos Trinta Anos, uma pobreza fantástica e mudanças sociais, e a Inquisição (período de caça às bruxas). Até mesmo o rei James, em seu texto Daemonologie de 1597, perguntava-se: por que houve tal proliferação de bruxas? Todo mundo achava que era porque o mundo tinha ficado tão sujo, que estava chegando ao fim.

O julgamento mais famoso foi o ocorrido em Salem, nos Estados Unidos.

Como resultado, houve um derramamento de imagens de bruxaria brutalmente misóginas, o que foi facilitado com o avanço da tecnologia de impressão. Como exemplo, a poderosa xilogravura em cor O Sabbath das Bruxas do aluno de Dürer, Hans Baldung Grien.

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Sabbath das Bruxas.

Em meados do século 18, porém, as bruxas já não eram mais consideradas uma ameaça (os intelectuais, influenciados pelas ideias humanistas, começaram a se manifestar contra aqueles assassinatos). Em vez disso, passaram a ser entendidas como as fantasias supersticiosas dos camponeses. Daí nasce a frase, ainda hoje em dia famosa: “não creio em bruxas, mas que existem, existem!“.

Ainda assim, esta interpretação não impediu que grandes artistas como Goya as descrevessem.

Los Caprichos, coleção de Goya de 80 esboços caprichosos (ou extravagantes) a partir de 1799, utiliza bruxas, bem como duendes, demônios e monstros como veículos para a sátira. Debocha de problemas sociais, como a ganância, a guerra e a corrupção do clero.

Placa 68 de Los Caprichos é especialmente memorável: nela, uma bruxa enrugada ensina uma bruxa atraente jovem como voar numa vassoura. Ambas estão nuas, e a imagem foi certamente projetada para ser lasciva: o “volar” espanhol (voar) é uma gíria para o orgasmo.

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Placa 68.

Na mesma época, havia uma moda entre os artistas que trabalhavam na Inglaterra por retratar cenas teatrais de bruxaria. O artista suíço-nativo Henry Fuseli, por exemplo, fez várias versões do famoso momento em que Macbeth satisfaz as três bruxas, pela primeira vez na charneca.

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Macbeth e as três bruxas.

A essa altura, porém, a arte da feitiçaria estava em declínio. Faltava-lhe a estranha força imaginativa que tinha animado o gênero nos séculos anteriores. No século 19, os pré-rafaelitas e os simbolistas foram ambos atraídos pela figura da bruxa, a quem eles reformularam como uma femme fatale. Mas suas sinistras sedutoras indiscutivelmente pertenciam mais ao reino da fantasia sexual do que à grande arte.

Os artistas sempre foram livres para espalhar suas asas e apresentar todos os tipos de imagens bizarras.

Sim, essas cenas (os retratos das bruxas) representam a demonização das mulheres. Mas, muitas vezes, estão profundamente associadas à crítica social. As bruxas são os bodes expiatórios em que o mal da sociedade é projetado.

Nos séculos 20 e 21, a bruxaria e a feiticeira foram amplamente difundidas pela antologia de Harry Potter, pelas tirinhas da bruxa Onilda, pelo filme A Bruxa de Blair, pela fictícia família Hempstock de Neil Gaiman etc.

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Minerva McGonagall.

Mas… há mais coisas para serem ditas sobre as bruxas.

Talvez essa curiosidade soe um pouco agressiva, mas não é como se esse fosse um artigo leve, então vamos lá: A vinculação das vassouras às bruxas tem várias razões. A mais tola de todas é a associação permanente de mulheres dadas a grande interesse na vida alheia (Fofoqueiras), que ficavam discretamente escutando conversas atrás de portas ou perto de muros. Como sempre eram vistas empunhando uma vassoura, a imagem da velha bizarra com uma vassoura na mão teve essa associação.

Outra razão, talvez mais cabível (?) seria a inserção de substâncias alucinógenas por meios não orais. Sim, caro leitor, no passado, a mulherada costumava fazer preparados com várias ervas que as deixava pra lá de altas, e, como essas substâncias apresentavam diversos efeitos colaterais quando consumidas via oral, as “bruxas” usavam os cabos das vassouras para administrar esses compostos por meio de inserção e absorção vaginal.

Como você sabe, no passado, na falta de fármacos como os que temos hoje em dia, as pessoas criavam as mais variadas “poções” para tratar os mais diversos males, e experimentavam com todo tipo de coisa para descobrir quais eram os efeitos.

Assim, descobriu-se, por exemplo, que um fungo conhecido como esporão-do-centeio — Claviceps purpurea —, assim como o meimendro (Hyoscyamus niger), a mandrágora (Mandragora officinarum), a figueira-do-diabo (Datura stramonium) e a beladona (Atropa belladonna), apesar de potencialmente letais, em quantidades específicas, tinham efeito alucinógeno. E não era todo mundo que achava particularmente desagradável sofrer intoxicação por esses elementos.

Acontece que muitas das pessoas que produziam e usavam essas misturinhas, de acordo com relatos que existem sobre o tema — e existem registros do século 14, 15, 16, 17… —, também eram associadas com práticas de bruxaria, e diversas, inclusive, foram acusadas e julgadas. Assim, representações visuais da Idade Média já retratavam as bruxas acompanhadas de vassouras, assim como com outros objetos de uso cotidiano.

22144704431481Ainda hoje há muitos modos de se enxergar a “Bruxaria”.

Há mesmo quem classifique as feiticeiras (seja de que tipo for) de bruxas boas ou más, falando em magia branca ou magia negra.

O que temos de concreto hoje, além de rituais como os da Wicca, e o exercício das Cartomantes e Videntes em geral (que podem entrar na classificação de promotoras de bruxarias), seria o Vodu Haitiano.

O vodu haitiano, chamado de Sèvis Gine (serviço africano) no Haiti, é uma religião haitiana com fortes elementos de povos africanos como os igbos, bacongos e iorubás, além de elementos tainos. Formas de vodu haitiano também existem na República Dominicana, em partes de Cuba, nos Estados Unidos e em outros lugares para onde os imigrantes do Haiti tenham se deslocado ao longo da história. É similar a outras religiões da diáspora africana, tais como a Lukumí, Regla de Ocha ou santería de Cuba e o candomblé e a umbanda do Brasil.

Os valores culturais que o vodu haitiano engloba centram-se em torno das ideias de honra e respeito – a Deus, aos espíritos, à família, à sociedade e a si mesmo. Há uma preocupação quanto ao que é apropriado ou não para cada pessoa: por exemplo, o que é apropriado a alguém com Danbala Wedo como sua “cabeça” pode ser diferente do que é apropriado a alguém com Ogou Feray como sua cabeça.

O amor e a sustentação dentro da família da sociedade de vodu parecem ser a consideração mais importante. A generosidade em dar à comunidade e aos pobres é também um valor importante. As dádivas vêm através da comunidade, e há a ideia de que deve-se estar disposto a retribuir. Uma vez que o vodu haitiano tem tal orientação para a comunidade, não há a prática solitária na religião, exceto a de pessoas separadas geograficamente de seus antepassados e casa. Uma pessoa sem um relacionamento de algum tipo com pessoas idosas não estará praticando vodu, como se compreende no Haiti e entre Haitianos.

A religião do vodu haitiano é antes uma tradição extática do que baseada na fertilidade, e não discrimina homens gays e mulheres lésbicas, ou outras pessoas de maneira alguma. De fato, há hounfos, ou templos, no Haiti, cujo clero é inteiramente de gays e lésbicas. No vodu haitiano, a orientação sexual do praticante não é de nenhuma importância em um ambiente ritual. Vê-se-a apenas como uma maneira através da qual o deus fez uma pessoa. Os espíritos ajudam a cada pessoa simplesmente ser a pessoa que é.

O vodu veio a ser associado na mente popular com fenômenos como os “zumbis” e as “bonecas do vodu”. Embora haja uma evidência etnobotânica quanto ao zumbi, é um fenômeno menor dentro da cultura rural do Haiti e não uma parte da religião do vodu em si. Tal prática cai sob os auspícios do “bokor” ou do feiticeiro antes que do sacerdote do Lwa Gine. Já a prática de furar bonecas com agulhas foi usada como um método de amaldiçoar pessoas por seguidores do que veio a ser chamado “Voodoo de Nova Orleans”, o qual é uma variante estadunidense do vodu.

Esta prática não é original ao vodu de Nova Orleans, entretanto, e tem tanta base em dispositivos mágicos europeus, tais como a poppet, quanto no nkisi ou bocio da África ocidental e central. As bonecas de vodu não são uma característica da religião haitiana, embora as bonecas feitas para turistas possam ser encontradas no Mercado de Ferro de Porto Príncipe, capital do Haiti. A prática tornou-se associada ao vodu na mente popular através dos filmes de horror.

boneco-voduPara mais informações sobre bruxas (quem eram as tais bruxas, sobre a realidade ou não delas, e que fim tinham):


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