[CURIOSIDADES] Mistérios da Humanidade: Os Estigmas de Cristo

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Os passos primevos do ser humano foram dados em direção à evolução quando, por algum mecanismo naturalmente implantado em cada ser vivo vivente, despertou-se o sentimento da curiosidade. É pela curiosidade que magias, mistérios e coisas místicas passam por observação e experimentações, até o ponto de poderem ser chamados de ciência. Contudo, os braços da ciência, embora cada vez mais amplos, ainda não foram suficientemente abrangentes para alcançar certas questões que atravessam a história da humanidade, permanecendo, para as mentes mais céticas, como casos duvidosos, folclore, eventos de origem mística ou mesmo produtos de mentes doentias. Estes casos, não interessa o quanto se discuta, permanecem sem uma conclusão. O NGF traz a partir de hoje a série “Mistérios da Humanidade” para revolver em sua mente as areias perdidas desse rio de possibilidades infinitas do universo das coisas misteriosas.

O primeiro assunto de que trataremos é o evento mais do que polêmico dos Estigmas. O site NGF NÃO faz apologia de nenhuma crença (ou descrença) religiosa. Assim, o artigo será, na medida do possível, NEUTRO.

Seguimos em nossos estudos a visão cética, mas cujo viés segue as informações formuladas e geradas pela Igreja Católica Romana, posto que é dela a origem deste fenômeno. Da mesma forma que um disco voador poderia ser denominado como um caso de ufologia, um caso de estigmata pode ser chamado de um caso católico.

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O termo “estigma” designa cada um dos sinais dos ferimentos sofridos por Jesus Cristo quando de sua crucificação. Os estigmas, ou chagas, ficariam, portanto, nos locais correspondentes aos locais das principais injúrias sofridas pelo Cristo. Seriam cinco as chagas: uma perfuração em cada um dos pulsos ou mãos (por onde o Messias teria sido preso à cruz), uma perfuração em cada um dos peitos dos pés (também marcas denotando locais pelos quais Jesus teria sido preso ao madeiro), e uma perfuração na altura das costelas, do lado direito.

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Giorgio Bongiovanni

Essas chagas podem ser visíveis ou invisíveis, permanentes ou transitórias, aparecer simultânea ou de forma alternada. Ao longo da história da Igreja (e da humanidade), cerca de 300 pessoas sofreram com os estigmas. Dentre elas, cerca de 60 foram canonizadas. De uma forma geral, este fenômeno é maciçamente feminino, atingindo principalmente pessoas de formação religiosa rígida.

Até onde se sabe, o primeiro estigmatizado e mais famoso teria sido São Francisco de Assis (1182-1226), um dos homens que mais se aproximou do modo de vida de Cristo. Alguns biógrafos, como René Fülop-Miller, em Os Santos que Abalaram o Mundo, defendem a ideia da presença dos estigmas no corpo do santo nos dois últimos anos de sua vida. Mas, para o biógrafo Donald Spoto, em Francisco de Assis – O Santo Relutante, nenhuma fonte antiga digna de crédito se refere a chagas sangrentas nas mãos e pés de São Francisco. Segundo ele, as feridas que acometeram o santo não passavam de sintomas da hanseníase – doença antes conhecida por lepra.

O segundo mais famoso da história recente certamente é São Pio de Pietralcina, cujos estigmas foram analisados por médicos e estudiosos, mas permanecem ainda sem explicação científica.

Padre Pio de Pietrelcina

Padre Pio de Pietrelcina

Os estigmas, de acordo com a classificação da Igreja, podem ter três causas:

  1. origem natural (caráter histérico), ou seja, aqueles casos nos quais haveria algum tipo de perturbação psicológica forte o bastante para ocasionar efeitos fisiológicos;
  2. origem demoníaca (o que, sob uma visão cética, devemos enquadrar na primeira categoria);
  3. origem sobrenatural (a possibilidade que, por falta de conclusão cientificamente comprovada, ainda está em aberto).
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Giorgio Bongiovanni

Durante séculos, cientistas e médicos têm-se debruçado no estudo sobre as pessoas que receberam os sinais. Os estigmas podem realmente ter uma causa meramente natural. Essa é a explicação mais simples e mais utilizada para dar base ao acontecimento das famosas chagas. Seriam os estigmas, portanto, um fenômeno derivado de algum tipo de desiquilíbrio psicológico. E esse tipo de análise é ainda reforçada quando o fenômeno dos estigmas ocorrem em pessoas que foram criadas sob regime religioso rígido o bastante para que houvesse algum tipo de desequilíbrio ou comprometimento de sua cognição.

É complicado afirmar a origem puramente desse acontecimento, é claro, uma vez que, além de raro, apresenta sinais controversos. Um sintoma causado psicologicamente como uma ferida dificilmente poderia transpassar tecidos de forma tão profunda, sobretudo o tecido ósseo, como ocorre em alguns casos.

Além disso, muito dos casos de estigmatas não apresentam sequer edemas ou comprometimento de tecidos adjacentes, como demonstram alguns exames. Seria uma fraude bem aplicada? Talvez.

misterios-da-humanidade-estigmas-maos-estigmatizadasO fato é que a ciência ainda não conseguiu bater o martelo para encerrar este caso por completo. A parapsicologia chegou perto:

Segundo a parapsicologia, as feridas podem surgir por um fenômeno denominado dermografia – a produção de sinais na pele, como letras, manchas ou desenhos induzidos por estados alterados de consciência. Já para os mais céticos, liderados por Robert Todd Carroll, editor do Dicionário Cético, os ferimentos deveriam ser interpretados como uma fraude, e não como reações psicossomáticas.

misterios-da-humanidade-estigmas-Estigmas de Lorenzo Mattotti“Nenhum estigmatizado manifesta esses ferimentos do princípio ao fim na presença de outros. Só começam a sangrar quando não estão sendo observados”, diz o pesquisador.

Na história dos santos, existem aqueles chamados “almas vítimas”, pessoas que se oferecem a Cristo com um amor tão ardente que desejam se configurar ao Cristo Crucificado. Nem todos recebem os estigmas, como é o caso de Santa Terezinha do Menino Jesus, mas outros sim. Olhando para o caráter benéfico de santificação, que os estigmas produziram na pessoa que os recebeu, bem como de evangelização ocorrido ao redor das sagradas chagas, não se pode deixar de reconhecer neles uma intervenção divina, de acordo com a Igreja Católica. A visão das chagas seria uma espécie de testemunho, uma demonstração de Deus (aos que creem) de que o indivíduo marcado é uma espécie de escolhido, ou, no mínimo, muito dado à fé.

misterios-da-humanidade-estigmas-elizabeth-sanchez-garciaOs apologistas em geral (estudiosos voltados ao estudo e defesa da fé) afirmam que um dos sinais de que os estigmas são de origem sobrenatural é que eles geralmente são precedidos por sofrimentos agudos, nos quais a pessoa se santifica, num processo de purificação. A maior parte dos santos estigmatizados os carregam quase como uma vergonha, pois gostariam de escondê-los. Mas esse nem sempre é o caso. Não raro, os tais estigmatizados vão à televisão mostrar com orgulho as “marcas da fé”. Não raro, estes exibicionistas são pegos em fraudes. Muitos deles provocam automutilações para chamar a atenção da mídia. Não seria exagero dizer que estes casos também se enquadram nos casos de histeria.

Os estigmas continuam a ocorrer pelo mundo e, espantosamente, até mesmo entre pessoas que nunca ouviram falar de Jesus Cristo. Talvez essa seja uma prova de que trata-sede uma doença e não de um evento espiritual, ou Deus estaria deixando marcas em todos os seres humanos por algum motivo? Não podemos saber. Mas este fenômeno que, de tão intrigante, já levou à criação de um filme, continua a arrastar fiéis, curiosos, mobilizar cientistas e autoridades religiosas, além de causar polêmicas.

Cena do filme "Estigmata", de 1999, estrelado por Patricia Arquette

Cena do filme “Estigmata”, de 1999, estrelado por Patricia Arquette

E você? Em que acredita?

Até o próximo mistério.