[CRITICA] X-MEN: DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO (X-Men: Days of Future Past)

X-Men Dias de um Futuro Esquecido (2)

Sabe, o maior problema de assistir uma adaptação são as expectativas que você tem dela. Você acha que quer que a adaptação seja uma transcrição literal da obra original, mas não quer. Watchmen provou que mesmo uma grande comic não pode ser transposta quadro-a-quadro para outra mídia, não é assim que funciona. Porém, existem meios de fazer funcionar.

Quando eu assisti o Espetacular Homem-Aranha 2 na outra semana eu sai plenamente satisfeito com a adaptação do personagem. O filme pode ter seus defeitos e o ator suas limitações, mas a adaptação do personagem foi bastante satisfatória.

Estou falando disso porque estamos falando da adaptação de uma das maiores e mais relevantes histórias em quadrinhos de todos os tempos. Embora Dias de um Futuro Esquecido não tenha realmente inventado a raiz dramática do problema-chave dos X-Men, foi o seu maior exponencial.

Diabos, estamos falando de uma HQ que inspirou o Exterminador do Futuro, isso não é pouca merda!

Mas… e o filme?

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O BOM – As atuações.

Como diria o tiozinho Raymond, não foram poupadas despesas para ter um elenco de peso. E o elenco corresponde grandemente às expectativas. O elenco de Primeira Classe é mantido (até porque o filme é tipo uma continuação) em grande estilo.

Absolutamente nada a reclamar do Fassbender como Magneto (apesar do fato dele existir me lembrar de Prometheus, mas não se pode ter tudo), ou do McAvoy como o Professor Xavier pirado anos 70 dorgas larilarila. Muito bom mesmo.

Adicione a isso o elenco clássico de X-Men fazendo participações especiais (Capitão Picard, Galdalf, a Mulher Gato) e temos alguma coisa.

Adicione mais ainda um filme que tem a Ellen Page e a Jennifer Lawrence, e você pode ouvir seu coração derretendo.

E por último, mas não menos importante, Peter Dinklage esmerilhando de bigodão. Sério, ele junto com o Bryan Cranston são os melhores atores da atualidade. That’s something something.

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O BOM – O feeling

O filme se passa, em sua maior parte, nos anos 70. E em homenagem a isso o filme tem um certo clima de exploitation e filme de assalto dos anos 70, e de longe essa é a melhor coisa do filme. A cena do Mércurio se movendo em bullet time ao som de uma música da época é magnífica. Temos música, temos dorgas manolo larilarila, temos bigodões e mullets. Isso foi divertido.

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O BOM – Os poderes

Quando o primeiro X-Men foi lançado 14 anos atrás, os produtores não tinham muita certeza se essa coisa de heróis coloridos iria funcionar no cinema e por isso optaram por um estilo mais Matrix. Muito couro preto e pouca cor. Hoje os tempos são outros e nós demandamos ver mais poderes, mais cores, mais sabores.

E enquanto esse filme não é nenhum Vingadores, nitidamente está mais colorido e mais perto dos quadrinhos do que jamais esteve. Dá pra perceber que os produtores claramente desencanaram um pouco com essa coisa de “como os poderes iriam funcionar no mundo real” e se deixaram levar. A Tempestade solta raios Sith pelas mãos, o Magneto claramente extrapola o que deveria ser apenas manipular metal, a Mística consegue se transformar em alguém com a metade do tamanho dela, tudo isso seria forçado no nosso mundo real e jamais teria sido feito 14 anos atrás, mas está ok dentro da proposta dos quadrinhos. Porra, até o Bishop por quem eu nunca tinha dado muita coisa está legalzão.

That’s ok man, that’s ok.

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O RUIM – O roteiro

Bom. Deus. Misericordioso. Que. Usa. Bambolê.
Que merda foi essa?

Sério cara, não adianta nada ter um filme com bons atores, boa ambientação, boas cenas de ação, se você não consegue parar de pensar “espera, eles estão fazendo isso porque mesmo?”.

Viagens no tempo sempre são uma coisa complicada de fazer funcionar em um roteiro, mais complicado ainda se você quiser adicionar o fator urgência. A coisa de “há um limite de tempo senão algo terrível vai acontecer” é importante no roteiro, mas é dificil fazer isso funcionar quando envolve viagens no tempo. Às vezes você consegue bolar um shenningan para adicionar esse efeito (isso funciona muito bem em Steins; Gate por exemplo) mas é difícil.

Ora, se ele tem uma maldita MÁQUINA DO TEMPO, por que diabos o Doutor Brown parece sempre estar com pressa? Do mesmo modo, por que diabos o Wolverine tinha que voltar exatamente alguns dias antes da raiz de todo o problema acontecer? Ele não podia simplesmente ter voltado um mês antes, ou anos antes, e convencido o Professor Xavier? Pra que a pressa?

E outra coisa, todo drama das cenas do futuro era o esforço da Kitty Pride em manter o Wolverine no passado. Ok, certo, mas pra que mesmo? Ele já cumpriu a missão dele com 10 minutos de filme, o Professor Xavier já está convencido que tem que mudar o futuro, beleza, deus pros ovo. Fora isso, todo o drama em manter ele no passado é apenas para ter mais um brucutu lutando – e nem isso é importante, porque ele acaba não fazendo nada de importante nas cenas de ação.

E outra coisa: eu não acredito que realmente precisou dos maiores heróis da franquia e suas mentes brilhantes para chegar a uma “solução” para o programa Sentinela, e a animosidade contra os mutantes que desencadearia o futuro alternativo. Sério, levou 15 segundos após a trama ser explicada para que eu chegasse a conclusão do que deveria ser feito, mas o Professor Xavier e sua turma precisaram de duas horas, viajar por dois continentes, lutar pela vida diversas vezes, e jogar um estádio ao redor da Casa Branca, para descobrir a mesma coisa que um nerd gordo sem talento como eu já tinha pensado.

Ah pára, né? Vão ser mongolóides assim lá na Mongólia…

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O RUIM – Garçom, tem um Magneto na minha sopa!

Ah cara, sério… o Magneto vilão DENOVO? Quando o filme começa com ele e o professor trabalhando juntos no futuro, e dão a missão para o Wolverine fazer com que isso acontecesse nos anos 70, eu tive esperança. Eu devia ter desconfiado quando o Wolverine é apresentado com as garras de osso (roteiristicamente ele está sem o adamantium para poder lutar contra o Magneto, duh). Mas eu tive esperança.

Mas aí o Bryan Singer veio e disse: “Quer saber? HUE HUE HUE HUE BR BR! NÃO!”. E então o Magneto é o grande problema do filme. Denovo. Faça-me o favor.

Os que deveriam ser os verdadeiros vilões do filme, os Sentinelas, são chatos, e não prestam para nada, eles lutam apenas no futuro, no passado uma Sentinela luta, mas não dura muito e nem é uma ameaça.

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O RUIM – Mística e os X-Men

Ok, eu adoro a Jennifer Lawrence. Ela é linda, ela é foda, ela é legal, eu totalmente teria meus bebes com ela.

Dito isso, cara, a Mística não é um personagem para levar o filme nas costas. Porque, na boa, da metade pra frente esse é na verdade um filme solo da Mística com alguns cameos de personagens tarimbados. E a Mística não é tão legal assim para ter um filme solo dela.

Então metade do filme é sobre o mimimi dela, e de ser uma boa pessoa por dentro e bla bla bla. Boooooorrriiiinnnnggg! Quando a Mística estrangulou o vietnamita na parede com o pé eu senti inveja dele. Não apenas porque eu tenho fetiches doentios, mas porque, pelo menos, ele estava livre de ouvir meia hora de um mimimi, que foi tirado de algo que não enchia nem duas linhas.

A única coisa mais chata que os dilemas emocionais da Mística são os ataques de pelanca do Professor Xavier. Ok Charles, a gente entendeu, tu passou por coisas horríveis e dificeis que ninguém deveria ter presenciado, mas os níveis de bundamolisse do professor ultrapassaram qualquer coisa conhecida pelo homem.

Sério velho, Wolverine, vai lá buscar o Shinji Ikari, que com ele dá mais jogo do que com esse professor chorão ae. Ele fica numa viadagem de não usar os poderes, mas aí por motivo nenhum (sério, eu não entendi mesmo), ele decide do nada que choramingar por uma hora e meia de filme já é suficiente, e ele vira o professor machão de novo.

Ah, vão plantar repolho pra ver pra que lado cresce, puta merda…

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O PIOR AINDA – Mãe, mãe, olha o que eu fiz!

Ok Bryan Singer, a gente entendeu. Tu foi diretor dos outros filmes dos X-Men e morre de orgulho disso. Bom pra ti, joinha mesmo. Agora, precisa enfiar quase um episódio de recapitulação de anime no meio do filme pra lembrar isso? Sério, que coisa mais desnecessária e chata aqueles milhares de cenas reutilizadas dos filmes anteriores.

Se você acha a Anna Paquin uma cocotinha, e queria ela no filme para ficar espiando ela se trocar nos camarins (eu não o culpo por isso), então que colocasse um papel pra Vampira no filme, caralho! De preferencia a Vampira fodona, não a adolescente emo, mas aí eu já estou pedindo demais mesmo.

Mas não essa punhetação de ficar se auto-homenageando. Isso que eu não vou nem entrar no mérito da cena final, olha que eu assisto anime quase uns trinta anos, e nunca tinha visto uma matação de tempo sem conteúdo tão grande assim (no qual os japas são mestres). Sério cara, precisava mesmo?

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O HORROR, Ó, O HORROR – Ok, o público é burro. Eu concordo. Mas não TÃO burro assim!

Sério, eu entendo isso. Eu trabalho atendendo público tanto santo dia, e compreendo que é realmente um fenômeno as pessoas conseguirem caminhar e respirar ao mesmo tempo sem terem um derrame, dada a capacidade intelectual média da população (não acredito que seja tão diferente assim nos US and A). Ok, eu entendi, as pessoas são burras como uma porta. Certo.

Mas isso não é motivo para explicar a trama do filme pelo menos três vezes (sério, eu parei de contar na quarta vez que falaram do problema das Sentinelas e a importância da Mística), as oito vezes que a Mística bate na tecla de seus problemas existenciais de uma linha, e nas 47 vezes que o Professor Xavier é um bundão pelos mesmos motivos.

Tudo bem, as pessoas precisam de um certo reforço para entender as coisas, mas na boa, o bastante é o bastante…

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BALANÇO FINAL

Um filme que começa muito bem e te enche de esperança, mas fica chato e nada acontece. Quando acontece não faz o menor sentido, ou tem a mínima relevância (tipo a cena do Magneto e da Tempestade enfrentando as Sentinelas no futuro é muito foda… mas não tem importância nenhuma). Possui personagens fortes, mas que são desperdiçados, em uma trama que poderia ser interessante, mas é tão chata e sem sentido que você não acredita no que está vendo.

Apenas Bryan Singer sendo Bryan Singer…