[CONTOS] Contos Malditos – A Bela Adormecida

contos-malditos-bela-adormecida-dormindo

Nota da redatora: Antes de iniciar este conto, pensemos que a expressão “boa noite, Cinderella”, nome aplicado ao golpe comum aos grandes centros urbanos, não faz sentido nenhum. Quem dorme não é a Bela Adormecida?

Prossigamos…

Caros companheiros nerds, o conto maldito de hoje traz a história da Bela Adormecida, que embalou o sono (literalmente) de tantos de nós quando pequeninos.

Bom, primeiramente, vamos à versão mais conhecida, ou seja, a versão amenizada pela tradição popular moderna (pós-revolução) e pela Disney way of life.

A versão mais conhecida é a dos Irmãos Grimm, publicada em 1812, na obra Contos de Grimm, sob o título A Bela Adormecida (título original Dornröschen). Esta tem como base tanto a versão Sol, Lua e Talia de Giambattista Basile, extraído de Pentamerone, cuja primeira versão foi publicada em 1634; como na versão do escritor francês Charles Perrault, publicada em 1697, no livro Contos da Mamãe Ganso sob o título de A Bela Adormecida no Bosque, que por sua vez também se inspirou no conto de Basile.

Na festa do batismo da tão desejada princesa, foram convidadas 3 fadas que, como madrinhas desta, ofereceram-lhe presentes como: a beleza, o talento musical, a inteligência, entre outras bênçãos apreciadas. No entanto, uma velha fada, que foi negligenciada porque o rei tinha apenas doze pratos de ouro, interrompeu o evento e lançou-lhe como vingança uma feitiçaria, cujo resultado seria a morte pelo picar do dedo num fuso quando a princesa atingisse a idade adulta. Porém, restava o presente da 12ª fada. Assim sendo, esta suavizou a morte, transformando o maldição da fada malvada num sono profundo de cem anos, até o dia em que seria despertada por um beijo proveniente de um amor verdadeiro.

O rei proibiu imediatamente qualquer tipo de fiação em todo o reino, mas em vão. Quando a princesa completou 16 anos, descobriu uma sala escondida numa torre do castelo onde encontrou uma velha a fiar. Curiosa com o fuso, pediu-lhe para a deixar fiar, picando-se nesse mesmo instante. Sentiu então o grande sono que lhe foi destinado e, ao adormecer, todas as criaturas presentes no castelo adormeceram juntamente, sob o novo feitiço da 12ª fada que tinha voltado. Com o passar do tempo, cresceu uma floresta de urzes em torno do castelo, isolando-o do mundo exterior e dando uma morte dolorosa por uma picada em espinhos, a quem tentasse entrar. Assim, muitos príncipes morreram em busca da tal Bela Adormecida, cuja beleza era tão falada nas redondezas.

Após cem anos decorridos, um príncipe corajoso enfrentou a floresta de espinhos, mesmo sabendo da morte de outros tantos, e conseguiu entrar no castelo. Quando encontrou a torre onde a princesa dormia, achou tão grande a sua beleza que ficou apaixonado e, não resistindo à tentação, deu-lhe um beijo que a despertou para a vida e, seguindo-se ao dela, o despertar de todos os habitantes do reino, que continuaram onde haviam parado há cem anos. A partir daí, a princesa Bela e o príncipe “viveram felizes para sempre”!

contos-malditos-bela-adormecida-aurora-e-principe

Felizes para sempre?
Magia?
Bruxa má?
Vamos com calma…

Na verdade, a Bela Adormecida parece mais uma fofoca mal contada acerca de uma família muito mal dada aos vícios da automedicação.

A história começa com um Rei e uma Rainha infelizes por não conseguirem ter filhos.

O pobre casal tentou de tudo: rezas, banho de arruda, incensos, sal grosso, simpatias, chazinhos, Mãe Dinah… até que um belo dia resolveram chamar em sua casa algumas amigas farmacêuticas (não, não eram bruxas, eram senhoras versadas em química!).

Depois de alguns pitacos das inúteis, o único homem dentre as velhas decidiu falar. Era um cara sério, usava óculos, e sua aparência casmurra dava um pouco de medo. Diziam que ele havia sido professor de química. Com cara de poucos amigos, ele se levantou, abriu seu sobretudo, e entregou ao casal um frasquinho com um remédio diferente, chamado citrato de clomifeno.

Após a utilização do remédio, o casal real teve resultados visíveis, ou pelo menos um resultado bem visível: O nascimento de sua filha Aurora.

Para comemorar o ocorrido, os mais novos pais do pedaço resolveram dar uma festinha, convidando todo o reino e, especialmente, as tais senhoras muito versadas em assuntos alquímicos e farmacêuticos. Mas na hora de separar os convites, o casal, já muito saturado de tanto Prozac (afinal, aguentar uma recém-nascida gritando o dia todo não é pra qualquer um), acabou esquecendo um convite: justamente o convite do tal professor esquisitão de química.

O resultado disso foi que o professor guardou vários recalques por haver sido esquecido. Descontente (para não dizer MUITO PUTO), o senhor muito versado nas ciências alquímicas mandou um recadinho para o casal Real, dizendo que era melhor eles terem muito cuidado com a bela filha Aurora. Afinal, a venda de drogas ilícitas crescia cada vez mais, e a garota poderia acabar, assim, por acaso, se viciando em alguma dessas substâncias de fácil acesso.

contos-malditos-bela-adormecida-drogas

Temendo o recadinho venenoso do professor de química, Mr. White, e altamente suspeitos de que Aurora pudesse mesmo acabar por se interessar por algum tipo de droga, os pais da pequena Aurora mandaram proibir no reino todo e qualquer tipo de agulha, a fim de coibir qualquer possibilidade da mocinha um dia chegar a utilizar drogas injetáveis.

contos-malditos-bela-adormecida-alice-no-pais-das-maravilhas-1Mas não bastaram as proibições para que Aurora ficasse longe dos entorpecentes. Logo a moça entrou na adolescência e passou a andar com uma galera estranha. Dizem que chegou a ser grande amiga de uma tal de Alice (uma garotinha que adorava uns cogumelos). Aurora estava mesmo perdida.

Sabendo que a jovem Aurora, conforme suas previsões, andava pelo mal caminho das DORGAS, Mr. White passou a cercar a moça e apresentou a ela uma coisinha nova…

A essa altura do campeonato você já deve imaginar em que estado estava nossa princesa: viciada, acabada, vendendo as joias reais para comprar dois gramas de metanfetamina, e completamente trincada.

Afinal, como você deve (ou deveria) saber, a metanfetamina é capaz de deixar o ser humano completamente agitado.
contos-malditos-bela-adormecida-nao-pode-se-memeNão mais suportando o próprio estado, a garota recorreu ao seu drug dealer particular, AKA mr. White, que completou a vingança dando a ela uma injeção de propofol para que ela dormisse em paz.

Afinal, no estado em que a moça se encontrava, nem rivotril faria efeito.

[youtube www.youtube.com/watch?v=nY2Wyh7Kngc]

O rei e a rainha, ao verem a filha dormindo sem parar, sem conseguir acordar de forma alguma, entraram em desespero. Então, convocaram todos os médicos do reino e das adjacências para tentar reanimar a garota de algum modo.

Novamente as práticas foram as mais absurdas: banhos de arruda, sal grosso, rezas, incensos, Walter Mercado, pregações do Silas Malafaia…

contos-malditos-bela-adormecida-cavalo-galante

Até que um belo dia, um médico montado em um cavalo branco (talvez por isso tenham-no chamado de príncipe) chegou ao reino e, sabendo do problema, tratou de administrar uma boa dose de Flumazenil, o que fez a garota levantar feliz e contente… E louca pra fumar um beck.

contos-malditos-bela-adormecida-amy-winehouse

Teve que ser algemada ao pé da cama… :/

Após dias (e não cem anos, como esse conto exagerado diz) desacordada, e mais alguns meses numa clínica de reabilitação para dependentes químicos, a Bela Adormecida decidiu casar-se com o jovem médico, que acabou de fato virando príncipe. Uma pena.

Tivesse continuado sendo médico, poderia ter evitado que um astro famoso houvesse morrido pelo uso de propofol (ou pelo não uso do Flumazenil).

contos-malditos-bela-adormecida-michael-jackson

E todos foram felizes para sempre…

Ahhh… E o Mr. White…? Estava atuando em uma série de TV… Quebrando Mal” é o nome dela, eu acho.

contos-malditos-bela-adormecida-walter-white

Onde ele vende suas drogas usando como fachada uma rede de fast food:

contos-malditos-bela-adormecida-mclanche-feliz-breaking-bad