[CONTO] Limiar, Parte 2.

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Anteriormente em Limiar:
Parte 1


1.

Japão, Egito, Havaí, o Disque Tchan acumulou missões históricas por todo o planeta antes de decidirem tornar seu projeto secreto. Diversas iniciativas posteriores não seriam as mesmas sem a inspiração direta nesse grupo, desde o revival das Panteras até a Iniciativa Vingadores no cinema. E hoje, anos depois da missão contra a Legião do Mal, eles ainda se reúnem no pântano tomado, onde aterrizam sua nave e discutem música, guerra, amor e trocadilhos. Compadre Washington, Beto Jamaica e Jacaré estão na sala de reuniões, jogando truco e conversando.

– Duvido você saber essa, Beto. – diz Jacaré, sorrindo – Qual disco do Deus Bowie tem em sua capa um discreto anúncio da futura carreira de Kanye West?

A pergunta ressoa no ar. Beto respira fundo, não vai deixar a questão distraí-lo de seu jogo. Mas tem a resposta na ponta da língua.

– The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars, na capa há uma placa, um pouco acima da cabeça da imagem de Bowie, escrito “K. West”, o que nada provaria se não fossem os estu

2.

Antes de continuar, Beto é interrompido por uma entrada esfuziante de Alfa, aos gritos. O robô – que já trabalhara nos painéis de controle de Zordon, a Cabeça-Sem-Corpo, quando este ainda tinha o poder necessário para coordenar os Power Rangers – era a mais recente aquisição da nave Disque Tchan. Sua função era anunciar as novas missões e pilotar a nave no tempo de soneca do Compadre.

A missão atual dizia respeito a uma anomalia espaço-temporal cinematográfica. Numa bolha de tempo retrógrado, o personagem de Matt Damon em “Perdido em Marte” ainda não fora resgatado, e vive seus cinco últimos dias sobre a superfície do planeta, quase desistindo de continuar. Até aí, tudo ok. O problema é que, devido a uma falha de fluxo energético entre esta bolha e o cinema do Shopping Bela Vista em Salvador, o filme com final infeliz produzido na bolha está prestes a ser projetado para uma sala lotada com alguns dos futuros homens e mulheres mais influentes da Bahia. O É o Tchan precisa achar a bolha temporal, invadi-la, e, uma vez dentro do filme, resgatar e motivar Matt Damon ao ponto dele conseguir ter grandes ideias e inspirar quem vai assisti-lo.

3.

Para isso, precisarão de: Trajes espaciais, furadeiras e muito swingue. Nada que não tenham a bordo de sua nave. É o Tchan em Marte será a primeira de muitas missões no espaço, e levará nossos heróis a lugares muito mais que inesperados. Antes de partir, a nova japonesa e a nova reptiliana do Tchan entram a bordo. Com os motores ligados, Compadre dá a partida. No rádio, toca a “Dança da Manivela” do Asa de Águia. À parte, Alfa faz uma ligação.

  • R2D2, é hoje.

Continua.

Imagem lá em cima: “Diamond Spaceship Flying”, de Don Lee.