[CONSPIRAÇÕES] HARRY POTTER é uma série sobre instituições mentais?

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por Cilon Mello

Ah, as boas e velhas teorias conspiratórias da internet. Onde estaríamos sem elas? Bem, provavelmente no mesmíssimo lugar… SEJE como for, volta e meia ouvimos falar de uma coisa ou outra que mexe com a nossa imaginação, não raramente novos ângulos sobre histórias que conhecemos e amamos.

Quem nunca ouviu a história que Pokémon é um devaneio de Ash em coma ou que Caverna do Dragão é na realidade sobre eles estarem presos no inferno?

Ainda sim, volta e meia ouvimos uma tão razoavelmente coerente, que temos que parar e nos perguntar… será mesmo?

A história a seguir rola na internet há algum tempo, de forma que eu não saberia apontar quem foi o autor original da teoria, mas isso não vem ao caso agora. Apenas sente e aproveite a viagem…

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HARRY POTTER É UMA SÉRIE SOBRE INSANIDADE.
HOGWARTS É UMA INSTITUIÇÃO MENTAL.

Toda a série “Harry Potter” é uma metáfora estendida sobre um garoto com um grave caso de esquizofrenia, sofrendo de alucinações o tempo todo. Tudo descrito na série pode ser interpretada como uma tentativa de lidar com a dura realidade do seu confinamento em instituições psiquiátricas. Cada evento principal na série é uma versão fantasiosa do que uma criança experimentaria ao ser institucionalizada e tratada para transtornos mentais.

Tipicamente, o ato introdutório de qualquer história deste tipo começa no “mundo comum”. Então, algo acontece que manda o herói para um novo mundo, onde as antigas regras da vida do herói não mais se aplicam – esse é o conceito do que é narrativamente chamado de “A Jornada do Herói”.

Na porção “mundo comum” destas histórias, o protagonista normalmente vivencia algum tipo de trauma psicológico – notavelmente na forma de humilhação, rejeição ou isolação social. O herói se encontra como uma pessoa anônima, abandonada, rejeitada ou socialmente subordinada em algum sentido.

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Luke Skywalker está preso a ser um mero fazendeiro, a Dorothy dizem para ficar fora do caminho dos adultos enquanto matam o seu cãozinho, o narrador do Clube da Luta é literalmente anonimo e vive no inferno corporativo.

Então algum agente externo aparece e dá poderes ao herói (às vezes apenas metaforicamente, como em Clube da Luta) para responder a estes traumas. O heroísmo resultante é sempre o exato oposto a impotência, rejeição ou humilhação anteriores.

Em Harry Potter, seus pais eram bruxos que se tornaram mundialmente famosos por seu amor sem precedentes pelo seu filho Harry – que é o que coloca a série toda em movimento, então são assassinados e deixam um órfão com cicatrizes para trás (fisicamente Harry tem uma cicatriz, ao contrário do mundo real, onde esta seria uma cicatriz emocional – mas a referência é clara).

Se nós interpretamos a história como uma fantasia de Harry, então os Dursley seriam os seus pais verdadeiros, e os perfeitos e apenas-convenientes-demais Potter seriam imaginários. Os Dursley apenas não conseguem lidar com a piora das delusões do menino morando com eles, ou talvez sejam apenas abusivos, e seja este abuso que o faça delirante.

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Em qualquer caso, as figuras paternas constantemente o maltratam, favorecem o irmão (Duda, no caso), e infligem humilhações cruéis a ele.

Um dia, Harry surta e Duda acaba gravemente ferido, de uma forma que ele precisa de sérios cuidados médicos (na fantasia de Harry ele imagina um rabo de porco magicamente crescendo da bunda de Duda). Como resultado deste incidente, Harry é levado para uma “escola especial”.

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Minha teoria é que a linha principal da história é um relato simbolizado de um menino delirante que começa a se envolver em surtos psicóticos violentos, e é mandado para uma instituição mental como resultado. Tudo que acontece dali para frente é progressivamente distante da realidade, e o que nós vemos, como espectadores, é apenas seu devaneio, no qual ele reencena sua experiência com o tratamento psiquiátrico em uma forma de aventura.

Insanidade é um tema recorrente e temido em toda série, e tratado de forma bastante proeminente. Características clássicas dos transtornos psiquiátricos como delírios, paranoia e desordens de multipla personalidade se tornam exponencialmente o tema da história. Alguns exemplos:

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1 – O tema do primeiro livro envolve Harry ficar obcecado com um espelho, no qual ele passa infindos dias imaginando seus pais perfeitos e sua vida perfeita (que no caso estão mortos, o que é uma metáfora para dizer que não existem). Você consegue imaginar um menino sentado em uma instituição psiquiátrica fazendo isso? Pois é.

Dumbledore, o mentor de Harry (muito possivelmente uma alegoria para o médico que o acompanha), o alerta para o perigo do espelho levar as pessoas à loucura, já que passar muito tempo na fantasia o leva a ficar cada vez menos satisfeito com o mundo real (e é exatamente o que acontece no restante da série)

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2 – A escola é segregada do mundo e repleta com perigos que desafiam a lógica e o bom senso, mas que todo mundo aceita como perfeitamente comuns – como escadas que se mexem, pinturas falantes e bestas mortíferas vagando por aí. Com efeito, é dito no primeiro livro que um aluno desaparecer por alguns meses é algo perfeitamente trivial. Isso é uma alegoria para clínicas psiquiátricas onde situações aberrantes e socialmente inaceitáveis (alguém realmente matricularia seu filho em uma escola onde a chance de sofrer um acidente apenas subindo uma escada transcende o absurdo?) são bastante corriqueiras. Assim como pacientes simplesmente desaparecem (seja porque foram transferidos, receberam alta ou algo pior).

3 – Cedrico Diggery é o garoto popular e bem sucedido que Harry poderia (ou gostaria) de ter sido, não fosse seus problemas mentais. Não coincidentemente, o garoto “normal” é morto por Voldemort – que é o alter ego e projeção de sua raiva e fúria. Mas aqui vai a coisa interessante:

Harry é o único que vê esse evento, e ninguém acredita que foi “Voldemort” – ou mesmo que ele exista. Esse evento é uma metáfora para Harry assassinando um garoto que é perfeito demais, odiado por ter a vida de amor e conforto que Harry sempre quis mas nunca teve. Então ele imagina que “Voldemort” fez isso – um quadro não tão incomum à esquizofrenia, na verdade.

Ninguém acreditar que “Voldemort” fez isso, ou mesmo que ele possa sequer existir, é uma metáfora para a realidade onde as pessoas sabem da real situação de Harry.

É possível também que o assassinato de Cedrico não tenha acontecido no mundo real, e sim inteiramente fantasiado por Harry, mas prevalece a metáfora de que a morte do que seria sua “versão normal” é uma simbologia para Harry perdendo sua última chance de ter uma vida normal. Com efeito, esse é o “ponto sem retorno” da série toda.

Dividir o dormitório com o Cedrico não era fácil...

Dividir o dormitório com o Cedrico não era fácil…

4 – O quinto livro começa com Harry atacando seu primo (que seria seu irmão no mundo real e não fantasiado por Harry) e o deixando traumatizado. Este incidente, segundo Harry, foi causado por “Dementadores“, que nenhuma pessoa comum pode ver.

Este incidente leva Harry a ser considerado para uma instituição mental muito mais rigorosa (Azkaban, no caso) – ou, mais provável, uma ala de “segurança especial”. [Nota do Editor: e reparem como Azkaban, foneticamente, tem um som parecido com Arkham, nome da instituição mental onde são presos os criminosos insanos capturados pelo Batman]

5 – Azkaban é, com efeito, a iconografia de tudo que se teme a respeito de uma instituição mental. A personificação dos maiores horrores que o tratamento psiquiátrico pode causar, e ela é toda sobre insanidade e desespero. Efetivamente é dito que ela é a prisão mais segura do mundo, porque os seus detentos estão tão presos dentro de suas próprias mentes, que sequer sentem vontade de escapar. A analogia é obvia.

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6 – Mesmo para os padrões de Hogwarts, Harry é um garoto estranho que vê e sente coisas que ninguém mais vê ou sente. Harry é esquisito em um mundo já esquisito, e esse é um tema bastante recorrente na série.

7 – É repetida diversas vezes que “Voldemort” e Harry Potter são partes um do outro. E isso sequer é teoria conspiratória, é o cerne da história! Adicionalmente, eles são muito parecidos em vários aspectos: órfãos, mesmas varinhas, mesmos livros, etc.

Harry tem visões de Harry e ouve pensamentos de Voldemort e vice-versa, e é notório como Voldemort vai crescendo na vida de Harry desde ser um mero sussurro na sua cabeça, até se tornar “real”, e no fim Harry descobrir que ele é que era uma parte de Voldemort (sendo uma horcrux, no caso).

Podemos concluir, então, que a série Harry Potter é sobre os tipos de experiencias que crianças internadas encontram, e que a maioria das pessoas vêem apenas como uma história sobre magia. Não é sobre magia. É sobre traumas mentais e esquizofrenia, e as consequências disso.

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O reforço final desta ideia vem de uma das últimas cenas da saga, quando o fantasma de Dumbledore (Dumbledore representava o tratamento de Harry, e a sua “morte” simboliza o rompimento com a esperança em tal) – o paragono da razão na vida de Harry – lhe diz o seguinte no limbo (sob a forma da estação de Kings Cross):

– Me diga uma última coisa – disse Harry – Isso foi real? Ou está acontecendo apenas na minha cabeça?

– É claro que está acontecendo apenas na sua cabeça, Harry. Mas por que isso significaria que foi menos real?

Pensem sobre isso 😉

3 thoughts on “[CONSPIRAÇÕES] HARRY POTTER é uma série sobre instituições mentais?

  1. Olá, li a matéria e parabéns, está ótima! A propósito, a primeira imagem, das duas moças sendo carregadas, é de que filme/série? Desculpas se for muito conhecida, estou por fora. Obrigada 😀

  2. bela matéria, porém gostaria de saber como o 3º livro se encaixaria nessa teoria? ele no inicio transforma a tia em um balão por ela falar mau dos “pais perfeitos” dele, no final ele descobre que tem um padrinho que era amigos dos pais, ele imaginou que a tia estivesse falando mau dos pais? e o sirius seria outro médico responsável por ele como o Dumbledore ou só mais uma alucinação de acordo com a teoria?

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