[COMIC CON EXPERIENCE] Sábado (3º dia). Eu vi o horror. O horror.

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Eu lembro de quando a Comic Con nasceu. Lembro como se fosse ontem (quando, na verdade, foi anteontem). Eu entrei, belo e garboso, antes de abrir para o público. Alguns estandes estavam sendo montados, você podia ouvir o som de marteladas e música pop que será idolatrada pelos velhos no futuro (no meu tempo tinha Katy Perry e Let it Go, não esses lixos que a juventude ouve hoje!).

Então o evento aconteceu, as pessoas entraram e por um tempo foi bom. Não perfeito, mas bom, e as coisas funcionaram. Então a sexta-feira veio e passou, e embora não tenha sido dito com palavras, deu para perceber que algo havia mudado entre nós. Era como se, de repente, fôssemos estranhos um para o outro e não nos conhecêssemos mais!

O dia começou errado. Era a pré-estreia de Operação Big Hero 6 às 10h da manhã no auditório de 2000 lugares. Claro que haveria choro e ranger de dentes, e que muitas pessoas ficariam de fora. Até aí tudo bem, é suposto ser assim porque, como bem disse o grande pensador Galvão Bueno, “a física não permite”.

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Depois que foram acomodados os que compraram o pacote do Fan Experience (mais caro, porém com acesso preferencial) sobraram meia duzia de lugares, mais ou menos. Então seriam dados aos primeiros “comuns” da fila, certo? Bem, não.

Um voluntário caminhou até um ponto aleatório da fila, e entregou a meia duzia de pulseiras de acesso para quem calhou de dar sorte de estar do lado que ele caminhou (tinha tipo umas três colunas de pessoa por linha). Aleatoriamente assim. Eu vi isso acontecer a poucos metros de mim, ninguém me contou.

Mas ok, tudo bem, isso não é grande coisa. O que foi grande coisa foi o que aconteceu depois. Realmente grande.

Diferente dos dias de semana, no sábado a massa que trabalha e/ou estuda (ou seja, tem uma vida) veio em peso a CCXP. Tipo realmente peso, e a coisa não fluiu como nos outros dias.

Em média, a rotina de quem tentou ir a CCXP foi assim: meia hora na fila pra pegar a van da estação de metro mais próxima até o centro de exposições (que fica na beira de uma rodovia, meio isolado da cidade). Após isso (para fazer um trajeto de 5 minutos de van) era mais uma hora, hora e meia para trocar o ingresso comprado na internet por um tíquete real. Concluída essa epopeia, você podia entrar e, adivinhem, pegar fila de meia hora para as coisas menos populares. Cada uma.

Sério que no estande da Netflix chegou a dar duas horas de fila para tirar uma foto diante de um painel do Orange is The New Black (que até era legal, você tirava uma foto daquelas de fichação na polícia, sendo que você podia escrever na plaquinha o que quisesse). DUAS. HORAS. Tanto que lá por volta do meio dia a Netflix desistiu da ideia, porque seria apenas queimação de filme. E tudo seguindo nesta linha. Tudo.

O único critério lógico na praça de alimentação era: vai levar menos que uma hora? Quase uma hora para pegar um cachorro-quente. Desculpe, mas isso não é normal e, principalmente, isso não é divertido – que deveria ser a ideia da coisa.

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Os painéis e auditórios? Esquece. Deu mais de um quilometro de fila ali dentro (sim, eu contei) e para nada. Sério que teve gente que passou o dia em uma fila, literalmente, quilométrica, e para absolutamente nada. Acontece que, como é na Comic Con de San Diego, depois que as pessoas entram na sala, só abrem novas vagas quando alguém sair, mas não que você precise sair. EU entendo isso, mas que tal avisar para as pessoas que não tem phd em nerdice para não ficarem 4 horas na fila achando que uma vaga vai cair do céu?

Você não pode simplesmente trazer um novo modelo de evento ao Brasil e esquecer de deixar bem claro às pessoas como ele funciona. O resultado é esse:

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A fila de quatro horas pra entrar no auditório Thunder… Correção: fila pra torcer abrir uma vaga. Quase ninguém desse povo entrou.

Então, quem entrou para ver Big Hero, passou o dia ali dentro (que é um evento a parte, para todos os efeitos) ficou o resto do dia, e o pessoal que camelou na fila… bem, foram certamente duzentos reais bem investidos.

Verdade seja dita, para quem estava lá dentro, as coisas não foram muito mais épicas do que isso. Um dos painéis mais aguardados do dia, dos Vingadores, consistiu de incríveis… trailers. O que não é tão incrível assim desde que lançaram a internet, mas acho que talvez as pessoas estivessem esperando um pouco mais do que isso.

Claro que a vida seria mais fácil comprando o Fan Experience… só que até esses tomaram no toba bonitaço. Em mais de uma oportunidade os que compraram o pacote completo – e que por isso podem sentar mais perto do palco e perto dos artistas – foram jogados para escanteio para longe do palco porque… bem, por nenhum motivo aparente, já que houveram apresentações com uma cota de cadeiras vazias na frente.

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Sim, cadeiras vazias nesse dia que a fila de almas penadas ultrapassou um quilometro. E você reclamando da distribuição de renda no Brasil…

Ao contrário dos outros dias, as coisas simplesmente não funcionaram hoje. Eu não vou fingir que sou analista da defesa civil e dizer que sei o que deu errado (embora acho que a bilheteria aberta às duas da tarde tenha algo haver com isso, apenas acho). A menos que isso resulte em pegar novinhas, neste caso eu não terei vergonha em mentir descaradamente sobre minhas credenciais de engenharia civil.

Eu sei, a ideia do evento é ser uma experiencia (como o nome diz, dã), e justamente por isso é importante apontar coisas que não deram certo. Inclusive o Marcelo Forlani, um dos sócios do Omelete, foi algumas vezes se desculpar pelos inconvenientes. Hoje, a pegada foi punk.

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One thought on “[COMIC CON EXPERIENCE] Sábado (3º dia). Eu vi o horror. O horror.

  1. Pois é… eu tava lá no sábado, e foi bem isso mesmo. Fila, fila e mais fila, tudo de coisa de meia hora pra cima. Até o bebedouro tava com uma fila monstra. O ar condicionado bombando, e mesmo assim a sensação de que eu tinha sido teleportado para o meio da selva amazônica, devido à quantidade completamente absurda de pessoas dentro do galpão. Eu dei uma boa passeada pela feira, tirei algumas fotos (que você confere na página do facebook do Nerd-Geek Feelings) mas paineis, eventos, etc. simplesmente não rolou. Nem fiquei muito tempo porque tava me dando agonia tanta gente junto. Uma pena mesmo…

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