[COMIC CON EXPERIENCE] Domingo (4º dia). Redenção.

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O brasileiro possui não só um caso de amor com a incompetência, mas toda uma síndrome de Estocolmo com o lance das coisas não funcionarem. Dar 40% do seu salário para o governo, eleger como deputado (o cara que faz as leis) o cara mais hue hue hue br engraçadão, ou achar normal que as coisas simplesmente não funcionem, não só é esperado do cidadão, como você é visto como um completo alien maluco – ET bilu level – quando sugere que as coisas não precisam ser ruins.

Como disse o grande pensador Morpheus – interpretado por Laurencio Queimapeixe: “E muitas delas estão tão acostumadas, tão dependentes do sistema, que vão lutar para protegê-lo.

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Figurinos originais usados nos filmes em exposição, how cool is that?

Figurinos originais usados nos filmes em exposição, how cool is that?

Eu recebi muitas críticas pelo post de ontem apontando tudo que aconteceu de errado no terceiro dia da Comic Con, via de regra, as pessoas me disseram coisas do tipo que deveríamos ser gratos por qualquer coisa que fosse feita e que era errado reclamar.

Mas isso não muda o fato de que muita coisa deu errada. O que eu meio que esperava. O que eu não esperava era que a produção do evento estivesse realmente prestando atenção nisso.

Em um nível de eficiência raramente visto neste país, a direção da Comic Con fez algo realmente louco: listou os problemas do sábado e os corrigiu para o domingo. Sem licitação de seis meses, sem culpar o capitalismo ou a cultura do público, sem nenhuma dessas desculpinhas moles que estamos acostumados a ver (e até achamos que é o “normal”).

Tinha um problema, foi lá e resolveu. Simples assim.

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O FIM DA PUTARIA DAS APRESENTAÇÕES E PALESTRAS

Um dos principais problemas de sábado foi que as pessoas não funcionam na Comic Con como em qualquer lugar do mundo, e o evento não fez a menor questão de orientar ninguém.

Relembrando, funciona assim: quem entra para os auditórios para ver as apresentações pode passar o dia lá se quiser. Como o número de lugares é limitado, só abriria mais vagas se alguém saísse – o que raramente acontece. Por isso não adianta acampar 8 horas na porta do auditório porque não vai rolar.

Porque o livro sobre os ultimos dias de Kripton está na sessão do Batman e... OH!

Porque o livro sobre os ultimos dias de Kripton está na sessão do Batman e… OH!

No domingo isso foi cortado: quem entrou entrou, e quem não entrou nem tinha mais acesso a esta área. Aproveite o evento, se divirta, mas não passe o dia sentado esperando uma coisa que não vai acontecer. Pronto. Simples, fácil e indolor, não houve choro nem ranger de dentes.

Se quiser assistir as coisas, compre o pacote mais caro (o fan experience), ou seja um mão de vaca e madrugue como se não houvesse amanhã. É um sistema justo quando as pessoas são PREVIAMENTE avisadas que vai funcionar assim e não depois de 5, 6 horas sentadas na fila esperando.

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POR FAVOR NÃO SEJA ESTUPRADO

A grande atração do dia foi a pré-estreia do Hobbit – numa exibição em 3D com resolução de 4k e a presença do elenco, como o mito Robert Armitage. O que não é pouca merda, diga-se de passagem.

E para garantir o seu lugar no evento sem ter o Fan Experience, algumas pessoas passaram a noite na porta do Centro de Eventos. Qual o problema disso?

Acontece que o Centro de Eventos fica localizado em uma região isolada, violenta e de acesso complicado. A chance de dar merda em passar a noite num lugar assim é de mais de 9 mil.

Não foi nem uma, nem duas, nem três vezes que eu vi a produção do evento pedir pelo amor dos antigos deuses e dos novos que as pessoas não fizessem isso. Sério, eles realmente imploraram para que não fizessem isso.

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E as pessoas fizeram mesmo assim. Felizmente não deu nada, apesar das probabilidades, mas eu realmente não vejo o que mais a CCXP poderia ter feito para impedir que algo estupido assim acontecesse.

Porque é realmente difícil proteger as pessoas da própria estupidez.

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O que poderia acontecer de errado no Brasil ao passar a noite no escuro em um lugar desses? CHOCKING NEWS: São Paulo não é San Diego ou Las Vegas.

HARDER, BETTER, FASTER, STRONGER

Outro problema que aconteceu no sábado foi que absolutamente nada funcionou como deveria, e você tinha que pegar uma fila de, no minimo, meia hora para QUALQUER coisa. Até para amarrar os cadarços.

No domingo isso foi DRASTICAMENTE reduzido. Como? Simples: eficiência.

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Os estandes otimizaram suas rotinas de trabalho para dar vazão mais rápido, contrataram mais pessoas onde necessário, mantiveram os estoques fluindo. No sábado, por exemplo, a tiazinha da tapioca às 11 da manhã já estava sem opções de sabores porque simplesmente acabou. No domingo continuou chegando suprimentos o dia todo, direto, ela tinha mais uma pessoa ajudando, e todo mundo teve sua tapioca em poucos minutos e todos saíram felizes.

Eu sei que no Brasil, diante de um problema, o “certo” é reclamar que o governo não faz nada e aceitar qualquer merda como se não tivesse como ser diferente, mas às vezes trabalhar certo de forma inteligente e eficiente funciona também. Como aconteceu no domingo na Comic Con.

Deveríamos tentar isso mais vezes. Mesmo.

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Para entrar estava uma fila do cão

SOYLENT GREEN IS PEOPLE!

Ok essa frase não tem o menor sentido, mas eu adoro ela mesmo assim. SEJE como for, outra coisa muito importante é que no domingo o centro de eventos estava muito menos lotado do que no dia anterior. Isso aconteceu por diversos fatores, mas eu apontaria principalmente a divisão clara entre o pessoal dos painéis e o pessoal do resto do evento (como o acesso foi limitado, melhorou MUITO o trânsito de pessoas).

Some a isso que foi o último dia do evento (meio que quem tava na seca de vir já tinha vindo) e que alguns ficaram traumatizados pelo sábado horrível (eu mesmo estava com vontade zero de ir domingo, falei com muita gente que se sentiu assim, e vi outros tantos vendendo ingresso), e temos um ambiente transitável e para o qual o ar condicionado do centro dava conta.

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Uma moça gorda e adotada. <3 <3 <3

Não chegou a ficar frio como fica quando está mais vazio (como quinta e sexta), mas também não foi a Transamazônica de sábado.

Diversos fatores juntos – não em pequena monta por parte da organização do evento – colaboraram para que o dia fosse bem melhor. Depois de sábado eu sequer tinha vontade de voltar no domingo, mas depois de domingo, eu realmente pretendo voltar ano que vem.

Com um pacote fan experience dessa vez 🙂

Props de cena reais emaranhados em cordéis

Props de cena reais emaranhados em cordéis

4 thoughts on “[COMIC CON EXPERIENCE] Domingo (4º dia). Redenção.

  1. Eu evito muito esses eventos. ainda mais se for no Brasil. assim,ate os eventos otakus eu sempre evitei pq sao um porre de chatos. Uma coisa que tem que ser explicada aqui e o que eu sempre disse é que o OBJETIVO REAL desses eventos já foram pro ralo..pro limbo há muito tempo. Não existe objetividade neles e sim uma bagunça. Eventos hoje se resume a isso daí. Parece uma festança de adolescentes correndo pra cima e pra baixo sem fim. Muitos que vão a esses eventos vão pela bagunça e nao pelo o que exatamente deveriam ir. Muitos que estao la nem fazem ideia do que é esse universo,mas querem ta la para aparecer. Nos anos 90,eu ia nuns eventos no RJ que eram bem modestos sem essa coisa POP STAR de dos ultimos anos. eram eventos divertidos onde trocavamos ideias..gibis..vhs…cartas..faziamos novas amizades e marcavamos novamente para todos nos encontrarmos. existia objetivo ali. nao eram 10 mil pessoas em lugares enormes amontoado de gente. eram 150..200..que era muita coisa para pessoas que curtiam coisas que eu curtia. não havia ainda esse oba oba da cultura pop ficar pasteurizados e padronizado. por isso,eventos como esses,nao tem alma pra mim.

    • A questão é que não é culpa nem do evento mas sim do tempo em que vivemos
      Tudo agora tem que ser super ultra mega hyper para 20 mil pessoas ficarem sozinhas mexendo no celular sem falar com ninguém. Em qualquer lugar é assim hoje em dia

  2. Cilon, concordo totalmente com a questão do tempo em que vivemos, da cidade em que estamos e etc, mas deveriam ter no mínimo previsto que pessoas que passaram pela bilheteria e/ou compraram ingressos antecipados iriam, em algum momento, pelo menos tomar um refrigerante com o calor absurdo que fazia lá dentro. A fila de qualquer quiosque de comida era de mais de 10 metros de comprimento! Acho que, como sempre, falta planejamento e estudos antes de sair fazendo evento…

    • Bem, esse é todo o ponto. Isso não aconteceu domingo. As filas não estavam maiores do que voce encontraria em qualquer shopping

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