[CINEMA] Viagem no Tempo: 7 Loops Temporais de Hollywood

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É tudo culpa do filme Feitiço do Tempo (Groundhog Day).

A comédia de sucesso de 1993, estrelada por Bill Murray, que interpreta um sarcástico meteorologista forçado a reviver o mesmo dia várias vezes até ele tornar-se uma pessoa melhor, tornou a ideia do loop temporal muito popular como um recurso narrativo para filmes e séries de TV – e por uma ótima razão. Não há uma pessoa que não tenha passado por um dia que ela gostaria de reviver pra fazer as coisas de outra forma. É uma ideia de apelo universal, por isto é fácil entender porque Hollywood continua procurando novas formas de explorar a premissa.

No Limite do Amanhã (Edge of Tomorrow) foi a última variação em torno do tema, o que torna um bom momento para relembrar algumas das obras mais marcantes do cinema e da TV que utilizaram esta premissa.

“Causa e Efeito” (Jornada nas Estrelas: A Nova Geração)

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Na verdade, talvez devêssemos botar a culpa neste episódio da 5ª temporada de A Nova Geração, que foi ao ar em 1992 – um ano antes de Feitiço do Tempo.

O episódio começa com a Enterprise explodindo, com toda a sua tripulação a bordo, que se esforça para entender porque ele estão repetindo o mesmo evento sem parar, sempre resultando numa morte flamejante. Picard (Patrick Stewart) e companhia acabam descobrindo que eles ficaram presos num ciclo de causalidade temporal (naturalmente), e se libertam deste “disco arranhado”. Sua recompensa? Um bate papo com Kelsey Grammer!

Contra o Tempo (Source Code)

© 2010 Vendome Pictures

É Feitiço do Tempo com uma dose cavalar de velocidade, com Jake Gyllenhaal lutando para impedir um malfeitor de explodir um trem neste subestimado thriller de ficção científica de 2011, dirigido por Duncan Jones (filho de David Bowie).

Contra o Tempo adicionou um novo detalhe ao conceito de loop temporal, pois nosso herói só consegue repetir os 8 minutos finais que levaram à tragédia – ocupando a consciência de outra pessoa. Quanto menos você tentar dar algum sentido a isto, melhor.

Meia-Noite e Um (12:01)

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Jonathan Silverman Helen Slater encabeçam este filme pra TV de 1993 dirigido por Jack Sholder e exibido pela Fox. Silverman interpreta um cientista que testemunha o assassinato de sua colega (Slater), toma um choque elétrico e é forçado a reviver os mesmos eventos terríveis sempre que o relógio chega à meia-noite e um.

Neste o mundo inteiro está preso num loop temporal, e o herói do filme tem que descobrir uma forma de libertá-lo.

Crimes Temporais (Los Cronocrímenes)

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Este filme espanhol de 2007, dirigido por Nacho Vigalondo, é cheio de momentos “WTF?!”, que partem da premissa de um cara normal – Hector – que acidentalmente se encontra preso num loop temporal, sendo perseguido por um homem enfaixado numa área isolada da cidade. Máquinas do tempo e paradoxos se acumulam neste imperfeito, mas envolvente, conto de viagem no tempo.

“Mystery Spot” (Supernatural)

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Este episódio da 3ª temporada da série da CW é um ótimo exemplo do que ela faz de melhor: pegar uma alegoria e levá-la a seus limites mais divertidos e autoconscientes. Enquanto investiga coisas malucas no local que dá nome ao episódio, Sam (Jared Padalecki) é forçado a testemunhar seu irmão Dean (Jensen Ackles) morrer várias vezes seguidas – com resultados cada vez mais gráficos e algumas vezes hilários.

Corra, Lola, Corra (Lola rennt)

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O diretor Tom Tykwer pôs sua protagonista pra correr neste sucesso cult de 1998, no qual Franka Potente é forçada a reviver a mesma “corrida” de três formas diferentes num esforço para reunir uma quantia em dinheiro para salvar seu namorado – um criminoso novato. Sempre que os eventos são reiniciados, Lola e os personagens que a cercam, e com quem cruza, têm seus destinos alterados – deixando o espectador envolvido com a história do início ao fim.

“Monday” (Arquivo X)

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Arquivo X estava em sua melhor forma neste auto-reflexivo episódio da 6ª temporada, que começa com Mulder (David Duchovny) sangrando após ser baleado num assalto a banco que deu errado. Daí, no dia seguinte, ele acorda – ileso – deitado em seu colchão de água, que está com um vazamento. Isto inicia uma série de eventos que levam Mulder à mira do assaltante do banco, resultando num episódio muito inventivo e cômico, co-escrito por Vince Gilligan (que anos depois criou Breaking Bad).

Primer

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Este filme indie de 2004, dirigido e estrelado por Shane Carruth, é o equivalente àquela dor que você sente após tomar um sorvete muito rápido – mas de uma forma boa.

Primer faz Crimes Temporais parecer bem mais simples quando comparado com seu fiel e louco compromisso de mostrar o que realmente aconteceria se alguém literalmente inventasse uma máquina do tempo em sua garagem. Dores de cabeça se acumulam conforme o filme gira em torno dos paradoxos que os personagens principais devem encarar quando eles voltam no tempo e não gostam do que encontraram. Como muitos filmes de viagens no tempo, este pede que seja visto mais vezes (levando o espectador a vivenciar seu próprio loop temporal no processo).

(texto original de Phil Pirrello, traduzido e adaptado por Rodrigo F.S. Souza)