[CINEMA] Sniper Americano (crítica)

sniper-americano-feat

Esta é a história de Chris Kyle, um sniper que tornou-se uma lenda por sua atuação na Guerra do Iraque, responsável por mais de 150 mortes, dirigida por Clint Eastwood e estrelada por Bradley Cooper.

Cá entre nós, Sniper Americano é “o filme de guerra da vez”. Dê uma olhada na lista de indicados ao Oscar da última década e serão poucos os anos em que não encontrará algum do gênero entre os indicados, porque a Academia é previsível a este ponto. Outro que é certo de entrar na lista de indicados é Clint Eastwood, mesmo que ele não seja indicado a melhor diretor. E o que falar de Bradley Cooper, que pelo terceiro ano seguido é indicado ao prêmio de melhor ator? Será que dessa vez ele leva, ou vai começar a disputar com Leonardo DiCaprio o título de ator mais indicado ao Oscar que jamais ganhou uma estatueta?

american_sniper_bradley_cooper

“Relaxa, Chris… Se você não ganhar dessa vez, você ainda estará uma indicação atrás do DiCaprio…” (monólogo interno)

Mas, estou divagando aqui. Voltemos ao filme!

Já tendo provado que é competente o bastante para dirigir filmes de guerra – após o mediano A Conquista da Honra e o ótimo Cartas de Iwo Jima – Eastwood conduziu Sniper Americano com a competência habitual, e seu já conhecido estilo de direção discreto. Não há grandes inovações técnicas, nem contorcionismos de câmera aqui. Só o bom e velho recurso de câmera na mão em momentos mais tensos, uma trilha sonora condizente com o momento, e o resto é atuação bem feita por Bradley Cooper.

O ator, aliás, encarnou muito bem  Chris Kyle, uma lenda tão recente da história dos Estados Unidos, que Cooper chegou até a conviver com a família do sniper da vida real. Se ele merece a indicação de melhor ator? Eu diria que é um bom trabalho de atuação, mas nada impressionante, apenas correto.

A história retratada não foge do que já vimos em inúmeros filmes do gênero: soldado que abraça a bandeira dos Estados Unidos, vai pra uma guerra em outro continente, e volta transformado e obcecado por ela. Isto tudo a direção de Eastwood e o roteiro de Jason Hall contam de maneira direta, sem grandes surpresas. É um filme redondinho, mas que, sinceramente, se não fosse por sua indicação ao Oscar, passaria batido por muita gente como “mais um filme de guerra.”

"Eu estou ficando bom nisto..."

“Eu estou ficando bom nisto…”

Sniper Americano é um longa claramente feito para o público dos Estados Unidos, que enfrentou diariamente o drama de ver seus filhos indo para um país desconhecido lutar uma guerra que era mais movida por politicagem do que por desejo de retaliação desperto por um ataque terrorista cujos responsáveis e os motivos são questionáveis até hoje. É a exaltação de um herói de guerra que seguiu cegamente seu desejo de fazer justiça, cego de que todo o combate por ele travado tinha outra finalidade.

Mas o objetivo dessa crítica não é analisar o contexto histórico e político no qual está inserido este drama em particular, mas o drama em si, e nisto o longa revela-se um bom filme. Longe de ser memorável, é apenas correto, com boas atuações, e um ator principal empenhado em fazer jus ao personagem real que está interpretando.

Apesar de ter sua dose de sangue, violência e tensão – sendo o melhor momento do filme aquele que envolve dois snipers, um pai desesperado e um terrorista sanguinário com uma criança e uma furadeira (!) – Sniper Americano é um filme feito para agradar e não ofender seu público-alvo, ou seja, estadunidenses que só querem ver um de seus heróis recebendo a homenagem suprema de sua cultura belicista e imperialista: vê-lo retratado nos altares da sétima arte. Isto ele cumpre bem. Mas, como eu disse, não é um filme para nós, latino-americanos que só conhecemos os fatos retratados através da TV e de reinterpretações dos mesmos pelo cinema. Para nós, ou pelo menos para mim, ele é apenas um bom filme, e não mais do que isto.

nota-3

One thought on “[CINEMA] Sniper Americano (crítica)

Comments are closed.