[CINEMA] Por que assistir a AKIRA? – Good for Health. Bad for Education.

Assisti a Akira pela primeira vez na vida quando tinha apenas cinco aninhos de idade.
Pois é. Uma garotinha chorona de 5 anos de idade.
Apesar da minha veia dramática acentuada e da minha propensão a temores injustificados ( a.k.a. Cagaço de tudo), fiquei fascinada ao ver o anime pela primeira vez. 
Depois de muito tempo e de muito resistir, resolvi assistir Akira novamente.
O resultado me provocou um verdadeiro fascínio. Bom, pode parecer óbvio que tudo seja uma grande epifania quando reassistimos a um filme que, aos cinco anos de idade era tão complexo e aos 20 e tantos parece muito mais claro (Mas nunca simples. Simples não é um termo que caiba aqui) .
Apesar do filme ter sido lançado em 1988, sendo adaptado de um mangá que rolou de 1982 a 1990, é uma obra que não sofre do mal de tantas outras obras pr~e-anos noventa: Akira não é datado.
Poderíamos pensar numa previsão do futuro que vem do passado. Nessa quadrilha em que os movimentos são caóticos e os dançarinos cheiram a pólvora ou substâncias nucleares, poderíamos pensar em “Admirável mundo novo” e “Neuromancer”.
Ambos os livros supracitados fazem, com maiores ou menores acertos, previsões de futuro. A diferença enorme é que, apersar de muito fantástico e maravilhoso para a desconstrução de certos pensamentos engessados sobre a ficção científica, Neuromancer não acertou tanto quanto Admirável mundo novo. E é isso que faz dele um livro que pode ser chamado de datado.

Voltando a Akira, temo uma previsão de futuro feita em um passado bastante mais recente, com menores chances de erros e, por consequência, menores chances de se tornar Datado.
E não é.
Se um dia será, é provável, mas não é.

Um filme impressionante que moveu toda uma geração e que até hoje larga de suas influências por aí, Akira é um desses filmes que você precisa assistir antes de morrer.
( Antes que o meteoro chegue)

1. Cenário distópico

Quem me conhece sabe o quanto eu amo uma história que envolva qualquer tipo de distopia. Não por acaso, a ficção científica é uma paixão particular. Mas não só ela.  Seja um V de Vingança, um Laranja Mecânica, um Blade Runner, um 1984. No fim das contas isso pode ser encarado como fatalismo, mas se você se der conta, nós vivemos já uma distopia. A diferença básica é que não escolheram nos dar uma distopia bonita como nos filmes de ficção. Ficamos só com os restos de imundície.
Mas tenhamos fé… Braços mecânicos e bombas nucleares em breve. 
Mas a ideia de se mostrar um cenário distópico ( e o que o torna realmente interessante) é que toda distopia irá fazer uma crítica social. Ela é, grosso modo, o exagero de um elemento ruim já existente, pronto a tomar a humanidade ou cada sociedade de uma forma diferente, mas guardando algumas similaridades. E é essa honestidade aberta do mundo distópico que Akira nos oferece e que chama a atenção.
E, claro, além de toda carga semântica, os cenários são lindos, bem trabalhados, as cores maravilhosas. O modo como os prédios se movimentam, dando a impressão que você está em uma das motos da gangue de Kaneda e Tetsuo, andando em alta velocidade pelas avenidas da cidade. Além disso, a sociedade retratada, a cidade suja e violenta, o governo militar e opressor e os terroristas anti-governo nos dão uma sensação de mundo muito real e palpável.

2. Animação rica

Akira marca a mudança de Katsuhiro Otomo dos mangás para o cinema e, de lá pra cá, fez um tanto de outras coisas boas. De tanta qualidade, Akira não perde para os filmes recentes de animação e pode até te chocar mais com a violência.
As cenas de perseguição, aquelas em que Tetsuo demonstra todo seu poder e o final, quando ele se descontrola me deixaram boquiabertos. Aliás, foi Akira o responsável por mostrar aos Estados Unidos o Japão legal e abrir as fronteiras para outros animes. O anime fez com a América o que o mangá fez com a França.

3. História que prende

Akira fala de muitas coisas,  e a menos complexa ( eu disse MENOS complexa) é a capacidade de julgamento entre certo e errado, justiça ou crueldade.
Outro assunto que cutuca é a questão do Poder, da fraqueza humana e o  medo, que fazemos com esses fatores e o que acontece quando alguém oprimido ganha capacidades que extrapolam nossa compreensão. Também é uma história sobre a ciência e como ela ajuda ou atrapalha a humanidade – sempre depende do ponto de vista. Você é vitimado ou beneficiado pelos poderes vigentes?
Mas se quiser simplificar muito, é uma história sobre amizade em um futuro distópico com gangues de moto.
E assim como outras obras japonesas, ele não perde tempo te explicando, mastigando. Akira respeita a mente do espectador e não acha que quem está assistindo é burro, mas ao mesmo tempo não facilita a compreensão total do que está acontecendo. ( Saca aqueles diálogos internos que explicam tudo? Não rola. Você tem que prestar atenção.)
Akira desconstrói  a ideia tradicional de narrativa e desenvolvimento de personagens e entra de sola em assuntos como isolamento social, corrupção e poder.
Claro que o filme deixa de fora vários elementos e subtramas do mangá e muda até o final (pudera, o filme saiu antes que a série de revistas terminasse).

4. Movimento cyberpunk

 

O mangá é um dos grandes representantes do movimento cyberpunk do início dos anos 80 junto com o romance Neuromancer, de William Gibson, e o filme Blade Runner, de Rodley Scott, baseado no livro de Phillip K. Dick. Katsuhiro usou como referências Star Wars, os desenhos de Moebius e o mangá Tetsujin 28-go.

De Moebius, Katsuhiro se inspirou nas perspectivas exageradas, designs realistas e cidades futurísticas. Ainda assim, toca em temas mais sensíveis, como as pressões sociais e a política.

Para quem não sabe, o movimento cyberpunk consiste em um subgênero de ficção científica que foca em avanços tecnológicos e científicos, misturados com uma mudança radical na ordem social. Geralmente focam no conflito com inteligências artificiais ou megacorporações em um cenário pós-industrial.

5. Influências na cultura pop

 

Akira deixou marcas em todos os lugares.
Seja a brincadeira com as pílulas ( uma vermelha e outra azul) em Matrix, seja no traço de outros artista, seja nas referências e em outros muitos lugares.
Por Quê?
A resposta é simples: Pela riqueza de sua construção e enredo, Akira tornou-se um clássico – não no sentido de ser algo antigo, mas no sentido de ser revisitado para a busca de orientação, inspiração e referencial.
Um anime, um “Simples” Anime – desenho coloridinho, coisa de crianças, besteirol para as mentes mais rudimentares que passam pela TV sem notar o que estão perdendo- tornou-se um ícone importante da cultura Pop pós anos 80.

E aí? O que falta para você assistir a Akira?

 

 

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