[CINEMA] Planeta dos Macacos: O Confronto (REVIEW)

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Finalmente chegou a tão aguardada continuação de Planeta dos Macacos: A Origem (Rise of the Planet of the Apes), o filme que deu nova vida a essa franquia tão maltratada. E a história da ascensão da sociedade símia e seu confronto com os humanos não decepciona.

Dez anos após os eventos do filme anterior, o vírus usado como parte dos experimentos que levaram à criação dos macacos superinteligentes (o ALZ-113) exterminou quase toda a humanidade, com exceção de uns poucos gatos-pingados que se reuniram nos escombros de San Francisco sob a liderança de Dreyfus (Gary Oldman). Enquanto isso, governados por Caesar (interpretado pelo rei da captura de movimentos, Andy Serkis), os macacos que se estabeleceram na floresta ao norte da cidade estão construindo pouco a pouco uma sociedade própria, na qual vivem em harmonia, sob o famoso mandamento “Macaco não matará macaco” (Ape shall not kill ape). Aliás, no começo do filme, procura-se passar a impressão de que TODOS os humanos morreram já tem algum tempo, e o aparecimento do primeiro humano é uma tremenda surpresa… ou seria, se todos os trailers não tivessem revelado tudo o que eu escrevi acima. Enfim…

Essa situação relativamente pacífica é repentinamente interrompida quando uma equipe de humanos entra no território dos macacos em busca de uma usina hidrelétrica, da qual precisam para continuar tentando reconstruir sua sociedade, pois o combustível que vinham usando para alimentar seus geradores está quase acabando. (Analogia à nossa dependência moderna do petróleo, que é um recurso finito? Quem sabe.) Após um desentendimento inicial, que leva a uma tensão entre as duas sociedades que acabaram de descobrir a existência uma da outra, o Herói Galã de Plantão (sério, até agora não entendi qual é a profissão ou função desse cara além de “herói obrigatório”) Malcolm (Jason Clarke) lidera uma expedição para convencer os macacos a cooperar com os humanos para resolver essa crise sem a necessidade de uma guerra, enquanto do outro lado temos a influência nefasta de Koba (Toby Kebbell), o macaco feioso e cheio de cicatrizes que foi introduzido já no primeiro filme, que nutre um ódio profundo por todos os seres humanos e quer simplesmente vê-los mortos. E são esses conflitos paralelos de interesses, pautados pela questão central de até que ponto se pode confiar na outra raça, que conduzem a trama eletrizante do filme.

É, Koba não parece flor que se cheire...

É, Koba não parece flor que se cheire…

Para quem veio de Planeta dos Macacos: A Origem (eu mesmo assisti novamente esse filme no dia anterior), temos aqui um filme mais voltado à ação. Origem tem somente uma batalha relativamente curta perto do final, mas Confronto já começa chutando o balde com uma sequência de combate bem bacana (uma caçada, que serve para introduzir os principais macacos e seus conflitos internos), e a partir do segundo ato (próximo da metade do filme), quando a coisa degringola de vez, o ritmo da ação se mantém bastante firme até o final. Isso reflete as diferentes funções dos dois filmes: enquanto o primeiro foi uma “história de origem”, que se demorou bastante não só explicando o porquê de existirem macacos superinteligentes e a tal doença que devastou a humanidade, quanto também mostrando a fundo o desenvolvimento do Caesar (literalmente e enquanto personagem), já nesse as peças estão mais ou menos no lugar. É só uma questão de mostrar como ocorre o confronto entre os dois povos, algo muito bem explorado.

Como já adiantei acima, o grande mote desse filme é a desconfiança e o estranhamento entre povos diferentes, e as atitudes extremas (e hostis) que às vezes podem ser tomadas por puro medo e desespero – um tema que soa extremamente atual hoje, com o recrudescimento de antigos conflitos no cenário internacional, mas que no fundo nunca deixou de estar em voga. Algo que achei interessante pra caramba é como, no fundo, não há vilões nessa história, apenas pessoas que dão ouvidos a seus próprios medos e reagem da pior maneira possível. Por exemplo, o personagem de Gary Oldman. Os trailers procuram pintá-lo como um simples vilão intolerante (gritando Eles são animais!), mas ao conhecê-lo no filme, vemos que ele realmente tem como única preocupação a segurança e estabilidade da sociedade humana. Ele é mostrado se esforçando até o limite de sua capacidade para manter um monte de pessoas desesperadas sob controle, percebendo que perder a eletricidade pode ser a última gota d’água que levaria sua sociedade ao caos absoluto, e disposto a tudo para evitar isso. O único contato que ele tem com os macacos mostra seres violentos e dispostos a matar todos os humanos. Diante de tudo isso, dá pra discordar dele quando ele decide resolver tudo de maneira violenta?

Além de que, pô... é o Gary Oldman! Não tem como ele não ser foda.

Além de que, pô… é o Gary Oldman! Não tem como ele não ser foda.

De forma semelhante (e como Caesar faz questão de comentar), Koba viu somente o pior lado da humanidade, tendo sido sujeitado a todo tipo de experimentos cruéis ao longo de sua vida. Portanto, não é surpresa nenhuma que ele seja tão intolerante com os humanos, e fique indignado quando Caesar não só aceita a presença de emissários humanos em suas terras, mas inclusive se dispõe a cooperar com eles. Se bem que Koba tem uns ataques de vilanice mais pra frente, tomando atitudes puramente malignas e difíceis de justificar mesmo com seu passado. Achei que o conflito dele com Caesar poderia ter sido mostrado de maneira mais inteligente, e menos tipo “vilão obrigatório porque tem que ter alguém pra gente odiar incondicionalmente”, mas fazer o quê.

No final das contas, por incrível que pareça, Planeta dos Macacos: O Confronto é um dos filmes mais humanos que tem por aí esses dias. Ele encapsula praticamente toda a história da Humanidade, em sua narrativa de dois povos que entram em um conflito sangrento simplesmente por não compreenderem plenamente um ao outro, e deixarem o medo falar mais alto que a confiança – aliás, algo mostrado não apenas através de seus líderes, mas também dos cidadãos comuns de ambos os lados. Um tema explorado também é como há gente boa e ruim em todas as sociedades, e como não dá pra achar que alguém é boa gente só porque ele é “um dos seus” – ou seja, mesmo que de forma indireta, o racismo/nacionalismo é também abordado aqui. Em outras palavras, uma tremenda aula de sociologia, geopolítica, história e outras tantas coisas em um ótimo filme de ação.

O dia em que eu encontrei Caesar face a face

O dia em que eu encontrei Caesar face a face

Por fim, acho que vale comentar que eu assisti o filme em uma sala 4DX (Shopping JK Iguatemi, só pra constar), e achei bem interessante a experiência. O 3D do filme não é lá essas coisas – após alguns efeitos bacanas no início, a maior parte do filme tem muito pouca coisa que dê pra perceber, e há inclusive várias cenas que poderiam ter um ótimo 3D mas são totalmente “chapadas”. É como se, após mostrar uns efeitinhos pra justificar chamar esse filme de 3D, eles tivessem meio que largado a mão. Por outro lado, os efeitos de 4D (tremidas e inclinação da cadeira, pancadas, vento etc.) serviram bastante para a imersão total na história, principalmente nas cenas em que o 3D também funcionava bem. Pode parecer besteira, mas é outra coisa você pular, se mexer e sentir o impacto de cada cena junto com os personagens… às vezes dá a sensação de estar lá mesmo. O preço é realmente salgado, mas se você puder, recomendo experimentar pelo menos uma vez.

Nota: 8,5/10

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