[CINEMA] OSCAR: como funciona a escolha? (ou quem são os “velhinhos do Oscar”)

velhinhos do OscarHá muitos anos o Oscar não tinha uma seleção de filmes indicados ao prêmio do carequinha dourado mais cobiçado do cinema (ok, ficou estranho isso). Com efeito, faz tempo que as opiniões não ficavam tão divididas entre qual o grande filme do ano passado. Mas, você já parou para pensar em como o Oscar funciona? Quem exatamente escolhe estas coisas, e quem são a cúpula de “velhinhos alienados da academia” a quem você amaldiçoa quando seus favoritos não vencem? Para estas e outras dúvidas, vem comigo!

QUEM SÃO OS “VELHINHOS DA ACADEMIA” E PORQUE O OSCAR É O PRÊMIO MAIS IMPORTANTE DO CINEMA

A maioria das pessoas (não se culpe se você for uma delas, eu já estive aí também) imagina que o Oscar funciona da seguinte forma: um bando de tiozinhos quase senis se senta numa sala e, após reclamar muito da juventude, e dizer que não se fazem mais filmes como antigamente – alguns reclamam que Hollywood é só comércio desde que inventaram essa coisa de filme colorido – acabam escolhendo o “menos pior” do ano. Ou usando algum outro critério maluco de velho senil.

Essa é Cheryll Boone Isaacs, atual presidente da Academia. Quando você pensa nos velhinhos senis caucasianos conservadores que decidem as coisas, é dela que esta falando. Se bem que ela não é particularmente importante para o Oscar.

Essa é Cheryll Boone Isaacs, atual presidente da Academia. Quando você pensa nos velhinhos senis caucasianos conservadores que decidem as coisas, é dela que está falando. Se bem que ela não é particularmente importante para o Oscar.

A maioria das pessoas também usa essa imagem mental para dizer que acha o Festival de Cannes/Sundance/Gramado/Tia Gumercinda mais justo e correto (na verdade quanto mais obscuro o festival, mais alternativo e descolado você vai parecer para seus amiguinhos hipsters).

De fato, a maior parte dos festivais de cinema realmente funciona assim: uma banquinha de tiozinhos se reúne e decide, por nenhum critério que não o que deu vontade em sua cabeça, quem recebe o prêmio.

Por exemplo, em 2010, Quentin Tarantino fez parte de uma destas comissões no Festival de Veneza e, como resultado, todos seus amiguinhos ganharam prêmios por filmes que ninguém sequer lembra. Sofia Coppola (ex-peguete do diretor na época) ganhou como MELHOR FILME DO ANO por Somewhere (onde?) e Alex de la Iglesia (quem?), amigo de longuíssima data do cara, ganhou como melhor diretor.

Em 2011, o filme Melancolia foi completamente banido do Festival de Cannes porque o seu diretor, Lars von Trier, deu uma declaração utilizando a palavra proibida (no caso, Hitler). Sem entrar no mérito da declaração em si, o que o filme tem a ver com isso? Pois é.

É assim que a maior parte dos festivais funciona, mas o Oscar é diferente. E é por isso que ele se popularizou como o prêmio mais importante do cinema, apenas porque é o mais justo.

Diferente dos prêmios de cinema tradicionais, o Oscar não é escolhido por um conselho de pessoas mais preocupadas em massagear o próprio ego, ou “fazer justiça social”, ou qualquer que seja a merda do momento devido ao seu sistema de votação.

Todos os filiados à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Los Angeles (e muita gente do cinema pode ser filiada à Academia, inclusive brasileiros como Fernanda Montenegro e Fernando Meirelles) pode votar. Uma vez convidado, a filiação é vitalicia, enquanto você quiser pagar a anuidade (cerca de duzentos e cinquenta dólares e um juramento escrito em sangue de que vocÊ sempre irá sacanear o Leonardo Dicaprio), e ao se filiar você se enquadra em uma das 14 categorias (ator, diretor, maquiador, iluminista, sonoplasta, efeitos especiais, figurinistas, roteiristas, etc) e, aí que entra a magia da coisa: você vota apenas NA SUA CATEGORIA, e também para melhor filme (todos votam no melhor filme).

O que significa que quem está escolhendo o melhor de determinada categoria são pessoas do ramo, e essa é a beleza da coisa. Roteiristas votam no melhor roteiro, maquiadores votam na melhor maquiagem, e atores votam no melhor ator.

Jennifer Lawrence, um dos velhinhos senis que votam no Oscar

Jennifer Lawrence, um dos velhinhos senis que votam no Oscar

A eleição é feita por quem vive o dia-a-dia da profissão e entende dos paranauês porque está lá ralando, não por um conselho aleatório de figurões. Pense um pouco: quem seria mais adequado para escolher o melhor, digamos, neurocirurgião do ano?

Os próprios médicos que entendem das necessidades técnicas e realidade da profissão, ou um zé mané qualquer que ouviu falar que teve um amigo de um conhecido de um primo que operou a cabeça? (na real, ele deve ter só levado uns pontos por tentar descer um corrimão de patinete).

Pense na sua profissão, por exemplo, você que vive isso no dia-a-dia não conhece do seu oficio melhor que o dono da empresa, que nem tem muita certeza do que ela faz, ou o cliente que passou na frente do prédio duas vezes na vida?

O Oscar funciona assim, a exceção de “Melhor Filme Estrangeiro” e “Melhor Documentário”, que possuem suas próprias regras – mais técnicas e tal.

E basicamente é isso. E é assim que o Oscar funciona, e é por isso que ele importa, porque ele é o mais democrático (logo, menos sujeito a caprichos pessoais) do cinema, feito pelas próprias pessoas do cinema.

Agora você sabe, e pode parar de se envergonhar criticando as escolhas dos “velhinhos senis da academia”. Mas não tema, ainda existe uma plenitudade de coisas mainstream – como a igreja católica, o futebol, a rede Globo ou Crepúsculo – para você criticar e parecer, intelectual, descolado e maneiro para seus amiguinhos.

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