[CINEMA] O DESTINO DE JUPITER (resenha)

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O Destino de Júpiter“, novo filme dos irmãos Wachowski, tem a maior recomendação para ser assistido que um filme pode receber nesta vida. Acontece que o filme teve sua premiere no festival de Sundance e, ao contrário do que normalmente acontece no festival quando os produtores estão presentes, o mesmo não foi aplaudido. Na verdade, durante o filme, vários dos convidados simplesmente levantaram e foram embora.

Ora, se o filme foi recebido com indiferença e desdem no Oscar do cinema indie, se os cinéfilos intelectuais, que acham que cinema não é cinema de verdade tem que ter uma cena de duas horas de um parto natural sem cortes para demonstrar a bestialidade da natureza humana (ou algo do tipo), rejeitaram o filme, é porque alguma coisa de bom ele deve ter, não é? Não é?

Bem, err…

mila kunis sexiest

Se não tá fácil nem pra mulher mais sexy do mundo de 2012, imagina pra mim, que finjo mexer no celular quando alguém me olha

CINDERELLA NO SÉCULO 25

A trama do filme é uma mistura de Cinderella com Duna, onde a Mila Kunis é uma imigrante ilegal que esfrega banheiros (é dado muita ênfase nisso, o único trabalho braçal que ela aparece fazendo é esfregando privadas), mas que na verdade é a reencarnação da herdeira de uma família fodona que é dona do universo. Tretas politicas, sua “família” espacial quer matá-la pra não ter que dividir o legado, esse perrengue todo.

Ah sim, o “negócio da família” dos Lannisters espaciais é cultivar civilizações em planetas, e voltar 100 mil anos depois para pegar todo mundo, fazer suco das suas células, e assim viver para sempre.

Se isso não fez o menor sentido para você (ou qualquer um que tenha a mais vaga noção do que seja um gene), eu diria que você está começando a entender esse filme…

Vamos começar que, para essa proposta, Mila Kunis é a pior escolha possível e imaginável. Ok, eu consigo acreditar na coisa dos Lannisters espaciais causando tretas, eu to de boa com o carinha das botas antigravidades, e até mesmo aceito a tiazinha que viveu 14 mil anos, tudo isso passa. Agora, um mundo em que uma das mulheres mais lindas da face da Terra tem uma vidinha ferrada e sem esperança esfregando privadas? Ah por favor, é mais fácil acreditar que tem uma raça alienígena que respira através de peidos do que nisso…

Jupiter consegue uma folguinha da sua vida de Maria e, usando o nome falso de sua amiga super modelo (sério, tem uma cena de uns 5 minutos com a amiga dela só de calcinha e sutiã, e com a barriga tão sarada que deve ter sido usada pelo Ultron pra quebrar o escudo do Capitão América), ela vai a uma clinica doar seus óvulos… de imigrante ilegal… sem instrução nenhuma… e sem nenhum antecedente médico… por U$15 mil dólares. Não estou mentindo, isso realmente acontece no filme.

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Para agradar todas as garotas que gostaram de Crepúsculo, o herói é metade cachorro, mas ao mesmo tempo é um metrossexual com maquiagem pesada

Então, se estiver nos Estados Unidos e precisar de uma graninha, é só passar numa clínica com um nome falso, emprestar sua menstruação e embolsar 15 pacotes. Certo…

Seja como for, no meio da cirurgia (?!?) é revelado que os médicos são homenzinhos cinzas abdutores com ordens da família Lannister espacial para matar a Jupiter, até que um cavaleiro branco surge correndo pelas paredes e matando todo mundo pra salvar ela.

Parece ruim, preguiçoso e hue hue hue br? Esses são apenas os 20 minutos iniciais do filme, tem mais 100 minutos da onde veio esse…

Eu suponho, no mais otimista que eu consigo ser, que os irmãos Wachowski quiseram fazer um filme Sessão da Tarde nos moldes de Flash Gordon e Star Wars, mas você tem que ser realmente otimista para acreditar nisso.

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TEATRO 101: essa posição de mão não faz você parecer que está atuando mais. Tem o efeito contrário, na verdade.

Verdade seja dita, o filme tinha potencial, e o cenário de fundo (que fica bem ao fundo na história mesmo) é interessante. Mas a coisa se foca em ser uma versão espacial de Crepúsculo. Aliás, parece que chamaram a Milla Kunis (que é uma boa atriz, vide Cisne Negro) num canto e disseram pra ela: “olha, queremos que as menininhas se identifiquem com a personagem, então, seja o mais garota comum de 2014 que você puder ser”. O resultado foi esse:

Cain: “Eu sou um Licomutante: uma mistura de humano com lobo criado para o exército.”
Júpiter: “Ah… ok, legal.”

Sem mentira que esse diálogo existe, e resume muita coisa que você precisa saber sobre o filme.

Se esse é o casal de protagonistas, imagina o que se pode esperar do resto do filme. Em determinado momento, eu realmente passei a acreditar que a lógica dos Wachowski era parar, colocar a mão no queixo, e perguntarem um ao outro: “Certo, e agora qual a coisa MAIS BREGA que pode acontecer em seguida?”. Se o filme consegue surpreender em alguma coisa, é nisso.

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Se o Framboesa de Ouro colocar um prêmio de “cena mais constrangedora do cinema”, essa das abelhas ganha fácil esse ano. Prevejo isso ser zoado à exaustão nos “Todo mundo em pânico” da vida.

Sim, tem um casamento forçado que é interrompido no último minuto (Final Fantasy X fez isso anos luz melhor, e é preciso um tipo muito especial de ruindade para ser pior que Final Fantasy), temos o mocinho que é “executado” sendo jogado no espaço… só que os caras jogaram ele no espaço junto com alguns trajes espaciais cheios de oxigênio (sério isso), e adivinhem se ele não é salvo no último segundo antes do ar acabar?

Quando você pensa que vai começar a ter um papo sério ou uma boa sacada, o filme te faz voltar pro chão e relembrar o quanto ele é ridículo. A cada cena chega a surpreender como os caras conseguiram escrever aquelas pérolas sem ficar vermelhos, e como alguém na Warner aceitou financiar essa bomba. Sério, estou falando de um filme que tem frases épicas como “as abelhas não mentem“, e desde “O Fim dos Tempos” eu não via algo tão ruim assim.

Eu acho que Eddie Redmayne (indicado ao Oscar pelo puta trabalho em A Teoria de Tudo) merecia um premio especial por ter conseguido gravar uma tomada inteira sem explodir na gargalhada, porque o seu vilão Balem é o suprassumo da ruindade.

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Ok, as botas-patins gravitacionais são legais na verdade. Se fosse um jogo, adicionaria uma mecânica interessante.

Bem, se tudo mais falha… ao menos a ação é boa, não é? Não…?

Visualmente o filme é muito bonito. Se alguma coisa deu certo nesse filme foram as artes conceituais – tanto para os aliens quanto para a tecnologia. E meio que termina por aí. As cenas de ação são intermináveis, arrastadas e chatas pra caralho.

De todas as pessoas no mundo, eu seria uma das últimas que bocejaria em uma batalha de naves espaciais, mas a coisa é tão qualquer nota que eu senti falta do Michael Bay. Olha o nível de chatice que é necessário para causar esse sentimento.

Impressionante como não importa o que esteja acontecendo, tipo um planeta explodindo (e explodiu porque o cara entrou nele com um mecha/caça vagabundo, apenas por isso), a edição das cenas de ação consegue deixar chato e previsível. As cenas de ação são tão longas e “frenéticas”, que não sobra muito tempo no filme para o espectador se importar com os personagens, ou com o que está acontecendo na tela.

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Mila Kunis está chocada que esse cara conseguiu trabalhar no cinema de novo, depois de ser um goomba no filme do Mario.

O filme tenta ser uma mistura de Duna, Flash Gordon e Star Wars, mas miraculosamente consegue pinçar tudo que tem de errado e não funciona nestas ficções cientificas. Se tivesse senso de humor, e soubesse rir de si mesmo, abraçar suas trashisses, poderia ser o novo Quinto Elemento. Mas não, o filme se esforça ao máximo com cada fibra do seu ser para ser o mais chato possível.

Eu realmente achei que nunca diria isso, mas dessa vez o festival de Sundance estava coberto de razão.

Os irmãos Wachowski, Mila Kunis, Channing Tatum, Sean Bean (que entrou no filme só porque disseram pra ele que nesse ele não morria, só pode), e Eddie Redmayne podem todos dar seus endereços, e esperar as Framboesas de Ouro chegarem ano que vem.

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10 thoughts on “[CINEMA] O DESTINO DE JUPITER (resenha)

  1. O pior filme que eu já vi na última década: SUPER-BOSTA. Por se tratar dos irmãos Wachowski pensei que fosse ser um filmaço, tipo MATRIX. DECEPÇÃO TOTAL. O filme viaja e muito na fantasia e com uma história totalmente bobinha. Quero o meu dinheiro de volta. Não vá ao cinema assistir isso. Você vai se arrepender.

  2. Desde o primeiro Matrix os caras ooops… o cara e a “guria” não acertam a mão… Matrix 2 já deu uma forçada de barra… o terceiro foi absurdamente ruim, Cloud Atlas é outra aberração, e eles conseguiram estragar Speed Racer… eu não entendo como esses caras ainda conseguem financiamento pra filmar qq coisa… eu não financiaria eles nem pra filmar festa de aniversário de criança…

    • Como esses caras (ou cara e mina, para ser politicamente correto) e o M. Night Shyamalan ainda conseguem financiamento de milhões de dolares para os seus filmes é um dos grandes mistérios de Hollywood

      • Verdade… tinha até esquecido o Shyamalan… ele é outro, só pode ser um pacto com o demo de umas cem gerações hahahahahahahah… todo filme que voce assiste se consegue ser heroi pra assistir até o final da desgraça voce pensa – bom, agora ele atingiu o fundo do poço, não é possível, depois disso vai… – mas nãaaaaoooo… eles atingem o fundo do poço e não satisfeitos começam a cavar quando chegam lá embaixo…

  3. Pingback: [CINEMA] WHIPSLASH (resenha) | NERD GEEK FEELINGS

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