[CINEMA + HQ] Atomic Blonde + Atômica a Cidade Mais Fria (crítica e resenha)

Atomic Blonde:

Bom, vou começar essa resenha pelo que meus olhos viram primeiro. No meu caso foi o filme, estrelado por Charlize Theron.

 

O pano de fundo é a Guerra Fria, o local é a Alemanha, na época da queda do muro de Berlim. Aqui acompanhamos Lorraine Broughton. Espiã do MI6 designada para a missão de recuperar uma preciosa lista, que está nas mãos erradas em terras germânicas. Lá ela é guiada por Percival (James McAvoy), que em certos momentos, digamos, deixa em dúvida sua lealdade à coroa britânica. A história é cheia de reviravoltas. Tudo é um jogo de gato e rato, onde não se pode confiar em ninguém.

As cenas de ação são um prazer para os olhos. Todas as coreografias das lutas protagonizadas por Theron mostraram o quanto Lorraine Broughton é uma mulher de calibre alto, que não precisa ficar dependendo de ninguém para salvá-la. Que mulher Foda, meu Deus! Todos os detalhes de uma boa briga estão em cena. É visceral, ao passo que Lorraine vai ficando com o rosto todo inchado e detonado a cada movimento das lutas que se desenvolvem (especialmente na cena onde ela luta em um prédio). Ela bate muito e dá conta do recado, mas também apanha na mesma medida com que bate. Mas, além de ser uma excelente agente na luta corpo a corpo, Broughton ainda é mais inteligente, e uma jogadora de alta experiência no jogo de enganação.

Os personagens coadjuvantes do filme completam perfeitamente a história. McAvoy está perfeito, como o louco Percival, cheio de ironia com Theron. Ele é tão bom de briga quanto sua parceira do MI6. Sofia Boutella, que interpreta a misteriosa espiã francesa Delphine Lasalle, incinera a tela junto da protagonista, mostrando toda a sensualidade das duas espiãs (juntinhas). John Goodman está muito bem também como chefe da CIA.

A trilha sonora do filme é fantástica. O carro-chefe é “Blue Monday”, da banda Health. Porém, predominam artistas mais consolidados, como George Michael (“Father Figure”), David Bowie (a intensa “Cat People (Putting Out Fire)”) e Queen (a clássica “Under Pressure”, dividida com Bowie).

O diretor David Leitch fez um trabalho extraordinário, desde todo o jogo de câmeras nas cenas de luta, passando por todo o jogo de espionagem e reviravoltas que o filme nos proporciona. E o final, meu amigo nerd, te surpreende ainda mais. Todo o filme te faz pensar quem está traindo quem, quem está do lado de quem. O diretor vai injetando personagens ao longo da trama, e você que se vire para saber quem é quem. E isso é bom, porque ele não te entrega tudo mastigado, e te induz a querer saber o que cada um está tramando. A adaptação da HQ ficou bem fiel. Leitch traduziu toda atmosfera da graphic novel, e ainda acrescenta algo a mais ao longa: as cenas viscerais de ação.

Atômica é um dos melhores filmes de ação do ano, com certeza, e espero que Theron não se prolongue em sua volta ao papel de Lorraine Broughton. Afinal, “é um prazer duplo enganar o enganador”.

Trailer:


Atômica a Cidade Mais Fria

Agora que falei do longa, vou falar de sua origem. A HQ criada por Antony Johnston e Sam Hart, que é espetacular, e fez Charlize Theron cair de cabeça no projeto do longa.

Sinopse:

Berlim, outubro de 1989. O muro que dividiu a Alemanha está prestes a cair, feito uma peça de dominó que acabará derrubando também a União Soviética e a impenetrável Cortina de Ferro. A Guerra Fria parece chegar ao fim, mas o assassinato de um agente secreto inglês do MI6, com informações inestimáveis — uma lista que contém os nomes de todos os espiões que atuam em Berlim — deixa claro que os dois lados ainda têm muito o que esconder, como até hoje. Mas, junto ao corpo, não se encontra lista alguma.

Originalmente publicada com o título The Coldest City, a HQ, que chegou junto do lançamento da adaptação do cinema, do diretor David Leitch, foi lançada com o selo Darkside Graphic Novel, da Darkside Books, em uma edição suntuosa, em capa dura, papel de qualidade, e as ilustrações com detalhes incríveis em preto e branco.

Antony Johnston é o autor da premiada série de HQs Wasteland, roteirista do game Dead Space, e escreveu histórias de personagens como Wolverine e Demolidor. A arte é de Sam Hart, ilustrador inglês que mora no Brasil e tem no currículo quadrinhos como Juiz Dredd e Tropas Estelares. A HQ já foi premiada como melhor graphic novel pela Comixology no ano em que foi publicada.

Os traços de Sam Hart são de muita qualidade. Os desenhos usam um “estilo” mais antigo, sem quase nenhum detalhe no cenário e nem expressão facial nos personagens. É um traço simples, porém excelente. Com sua simplicidade, eles são extremamente bonitos e passam o ambiente pesado de Berlim em plena Guerra Fria.

A HQ mantem os diálogos originais em alemão, russo, e também em francês, que são traduzidos em um apêndice, além de conter também todos os significados das siglas das agências de espionagem e seus departamentos. Talvez isso possa incomodar alguns, mas acho que ficou bem bacana manter esse formato.

Como foi bem adaptado no filme, as paginas também intercalam as cenas durante a missão na Alemanha e a sala de interrogatório, onde se encontra Lorraine Brougthon narrando sua missão aos superiores. As páginas da missão, com borda branca, são a maioria, e as de interrogatório com a borda preta. Uma das mudanças que ocorre no filme em comparação com a HQ é a relação amorosa que ela mantem com o francês Pierre, que é muito mais interessante no filme.

Os nomes são para se guardar, e você pode acabar se perdendo em algum momento, mas nada que atrapalhe o desenvolvimento da história. Diferente do longa, na HQ Percival é mais velho e sisudo, e não jovem e louco, mas é tão bom quanto. A mudança que mais chama atenção em relação ao longa é que a HQ basicamente não possui quase nenhuma cena de ação, algo que não interfere no ritmo da história, já que quadrinhos e cinema são artes diferentes. A HQ te deixa instigado pelo que vem a cada nova página, fazendo as 176 páginas serem devoradas rapidamente.

Atômica: A Cidade Mais Fria é uma graphic novel com os melhores ingredientes de uma boa história de espionagem: ritmo tenso e uma trama que pode mudar a todo momento. Tanto a HQ quanto o filme baseado nela, são surpreendentes. Cada um te instiga a querer mais do mundo de Lorraine Broughton.

Darkside Books

Tradução: Érico Assis

Capa dura

23 x 16 x 1,7 cm

176 páginas

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Cultura

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