[CINEMA] Gravidade e 3D

Gravidade e 3D

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     Olá, meu nome é Eduardo Roza e sou o odiador oficial do 3D. Bem, não sou o oficial só quis mesmo tomar o título pra mim porque não conheço alguém que odeie tanto este artificio vagabundo como eu.

      Nas próximas linhas, mais exatamente quando você clicar ali embaixo, falarei o quanto a tecnologia 3D é inútil e sem graça em toda sua história atual, exceto quando enconstou num filme chamado: GRAVITY de Alfonso Cuarón.

    Caso não tenha visto o filme e não gosta de SPOILER evite o texto. Se não se importa continue e compreenda o que quis dizer nos parágrafos anteriores.

 

    Não teve Avatar, Martin Scorsese (Hugo), animações, nem filmes de terror, Superman, ou  Hobbit. NADA, afirmo, nada serviu adequadamente o 3D até hoje. Nem os filmes propriamente filmados com a tecnologia muito menos os filmes que foram convertidos, em minha opinião, conseguiram exibir de forma perfeita ou coerente o 3D.

Certamente você amante da tecnologia já deve estar rodando na cadeira discordando do que eu falo, e possivelmente está desistindo de ler o texto, mas indico que continue e avalie o restante, mesmo que seja pra entender o porque Gravidade SÓ FUNCIONA/ FUNCIONARÁ EM 3D.

Primeiramente quero dizer porque o 3D é inútil e porque odeio tanto.

      Ele é um artificio que tenta simular algo que só acontece na vida real, portanto ao tentar simular a realidade ele falha. Certos filmes estruturam algumas cenas APENAS para demonstrar algo acontecendo em 3D, normalmente a cena é inútil. Uma faca que é direcionada para você, uma espada, água “caindo” em você, pedra, etc. Tudo só pra criar uma emoção “extra”, entretanto forçada e que não tem função narrativa nenhuma. Tanto que  se certos filmes forem visto na sua versão normal (2D), acredito que NADA antes apresentado em 3D perderá força em 2D. Em minha visão não perde. O que eu deixo de ganhar é uma dor de cabeça, sim porque o 3D é tão inútil que a única emoção que tenho é raiva por causa da dor de cabeça.

 

     Quando um diretor se utiliza do 3D, por desejo próprio ou não (questões das empresas produtoras), ele se vê obrigado, ou obriga-se a criar cenas na história do filme para que o artificio seja trabalhado. Normalmente a cena estruturada para o 3D é inútil e não funcional. A ideia de usar o 3D para transmitir mais realismo é falho. Tentar produzir realidade no cinema não é algo funcional. S v estamos vendo um filme SABEMOS que o que está acontecendo não é real, mesmo quando você na inserção da sala escura codifica a realidade é para aquele ambiente, ou seja, você toma como real o que está na tela porque a escuridão permite e porque obviamente a maior parte dos filmes tratam de fragmentos da realidade. Entretanto passado a experiência inicial de se inserir na realidade da sala escura e na acomodação do cérebro qualquer elemento inserido irá nos incomodar. Barulhos extras, frio intenso na sala, luzes etc. Pra mim o 3D é mais um destes elementos incomodador, pós acomodação no ambiente “sala escura”. Em minha opinião e de alguns muitos que conheço o cérebro não capta bem essa simulação falsa do 3D da realidade e qualquer modificação no filme não traz nada de mais a não se um GRANDE incomodo. Principalmente quando o 3D é aplicado a algo que nós conhecemos. Mesmo que o filme seja alienígena, ou que pessoas voem, ou algo que não presenciamos na nossa realidade, já tivemos alguma ideia física através de simulações ou algo do tipo. Já  estamos há alguns anos com o artificio sendo desenvolvido e melhorado e assim mesmo não chegou perto do que é sempre prometido…bom, não até a chegada de “

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Gravity

   Mesmo que possa ser incoerente, Gravidade e sua utilização do 3D é perfeita e talvez a única vez utilizada com o propósito certo. E por que eu seria incoerente? No parágrafo anterior eu cito que quando o 3D é aplicado a algo do nosso imaginário cultural, ou que já sentimos de alguma forma e ele não funciona porque as sensações que querem ser passadas são falsas  fazendo o cérebro perceber e SEMPRE estranhar. Nesse sentido então eu sou incoerente ao dizer que o 3D em Gravity é diferente porque também já vimos mil filmes no espaço e com astronautas com a tecnologia e 3D. Entretanto é a primeira vez que um assunto num filme IMPLORA pela tecnologia. O filme funcionaria em 2D? SIM, mas sua eficácia se dá justamente pela soma do 3D.

 

FILME (resumo retirado do site Adoro Cinema)

“Matt Kowalski (George Clooney) é um astronauta experiente que está em missão de conserto ao telescópio Hubble juntamente com a doutora Ryan Stone (Sandra Bullock). Ambos são surpreendidos por uma chuva de destroços decorrente da destruição de um satélite por um míssil russo, que faz com que sejam jogados no espaço sideral. Sem qualquer apoio da base terrestre da NASA, eles precisam encontrar um meio de sobreviver em meio a um ambiente completamente inóspito para a vida humana.”

 

    Ao nos inserir no ambiente livre do espaço nós praticamente somos encaixados a situação que acontece no filme. O 3D aqui funciona com perfeição porque a simulação da realidade no filme (que NUNCA passamos pela experiência e acredito que nunca passaremos) é agregada ao cérebro como uma possível nova experiência. Justamente por nunca termos passado pela situação entramos e aderimos mais ao 3D, mesmo estranhando. Acredito que o elemento principal seja a escuridão da sala + a escuridão do espaço. Podemos aqui usar um termo o que o personagem Hans Landa de Inglorious Basterds de Tarantino usa perfeitamente: thats a “BINGO”.

 

     Você deve tá aí agora esbravejando sobre outros elementos que não existem na vida real e que podem funcionar também com o 3D.  Monstros, e outras coisas. Mas se a mão deste monstro tentar ou a espada de um personagem dos quadrinhos, ou outra coisa similar “estranha e não existente” tentar “sair da tela” você saberá na vida real identificar similaridades não é? Você acha mesmo que algo sendo “tacado” em sua direção com o artificio do 3D é algo interessante? É uma experiência boa? Se sim, que bom pra você e pra quem produz esses filmes. Se sim que você acha diferencial, que bom pra você e seu cérebro que se adapta a bobagens. Se não parabéns junte-se a mim no clubinho odiadores do 3D.

 

      Voltando a Gravidade, cada cena em que o 3D se faz presente de forma específica cria um ganho gigantesco ao filme. Eu delirei. Fiquei estasiado. Tudo que ocorre no espaço com a simulação de 3D não só endossa a narrativa como nos deixa maravilhados. Nunca um ataque de peça destruídas sendo jogadas em direção da tela foi tão eficaz na história dessa tecnologia. Confesso, eu desviei. Não a toa o filme tem sido unanimemente adorado e citado como um dos melhores deste ano. O próprio James Cameron elogiou o filme. Não que Cameron não saiba usar a tecnologia, mas uma vez afirmo ele utiliza da forma que a maior parte dos diretores, ele CRIA UM AMBIENTE. Apesar de seu eterno desenvolvimento tecnológico (agora aqui é o 3D) seja um campo de estudo e experimentações ainda acho a utilização do 3D em Avatar fraca. É válida? SIM É, a titulo de desenvolvimento. De qualquer  por mim não faz diferença se não for utilizado da forma certa, no contexto certo já que a tecnologia de 3D hoje em dia  é usada apenas para experimentalismo ou pra TENTAR “MARAVILHAR “ audiências e arrecadar mais alguns dólares. E isso é PURA BOBEIRA.

 Pra finalizar ouso dizer que Gravidade é um marco cinematográfico.

Alfonso Cuarón é diretor de:

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Eduardo Roza é formado em cinema pela Universidade Estácio de Sá, Criador deste site NERD GEEK FEELINGS, A Casa do Roza e outros e escritor do livro “Simbologia no Cinema de Paul Thomas Anderson”.

2 thoughts on “[CINEMA] Gravidade e 3D

  1. Bom texto. Realmente “Gravidade” superou minhas expectativas. Antes de ir assistir eu já havia sido alertado sobre a importância de ser visto em 3D. De fato, corroborando com a opinião do autor, acredito que o recurso se encaixa perfeitamente na narrativa do filme e não funciona tão somente como um efeito de animação do público. Uma das propostas de Gravidade é fazer o expectador mergulhar no universo, que é inóspito, perigoso, silencioso e solitário. Os protagonistas são lançados nesse espaço pouco acolhedor, onde nem mesmo seus movimentos estão sob completo controle. E é ai que o 3D se entrelaça com a trama ao trazer essa inércia espacial para dentro da sala do cinema. Eu juro que nunca eu me senti tão próximo do filme quanto em Gravidade. A sensação que o 3D nos proporciona é de também estarmos flutuando, ao lado de Sandra Bullock (ou Ryan Stone), acompanhando seu renascimento em quanto ser humano. As tomadas de câmara em perspectiva auxiliadas pelo 3D fazem fluir todo o significado contido em cada cena. Este filme é, sem dúvida, um dos melhores dos últimos tempos e talvez o primeiro que tenha consigo se apropriar tão bem desse novo recurso tecnológico.

  2. Não odeio e também não amo de paixão a tecnologia do 3D, que é na realidade, um diferencial a mais do cinema e relação a experiência que o espectador terá em sua própria casa. O 3D só funciona realmente na demonstração de profundidade dos cenários e quando estes são bem iluminados, claros.

    Acredito que essa tecnologia não funcione para demonstrar proximidade pela própria limitação da tela – tudo que se “aproxima” de nós e some por extrapolar o campo da tela e/ou dos óculos se torna mais um elemento incomodador, a exemplo daqueles que você citou em seu texto. Nada que foi feito para assustar, atirando o quê quer que seja na minha direção funcionou (nem mesmo em Gravidade): a única vez que isso ocorreu e sim, eu desviei a cabeça, foram as duas flechas atiradas na direção da câmera no planeta Nibiru no início de Além da Escuridão – Star Trek. Algo bem realizado juntamente com a surpresa (não se sabia quem atirou aquelas flechas) me causou a impressão real que algo vinha em minha direção.

    Dito isso, de todo o 3D utilizado em Gravidade, aquele utilizado com o espaço escuro e estrelado não funciona justamente por causa da escuridão toda, mas funciona razoavelmente bem quando naves/estações próximas do ponto de vista da câmera e quando temos a luz do sol como fonte de iluminação, ocorrendo o mesmo dentro das estações. Prefiro mil vezes o 3D de quando a dra Ryan Stone se livra da roupa espacial e volta a superfície da água. Ali é o 3D utilizado 100%. Assisti Gravidade em 2D em uma das quatro vezes que conferi o filme (todas as outras em 3D) e, felizmente, percebi que a magnitude do filme não é nenhum um pouco alterado pelo fato de usar ou não óculos especiais.

    Mas se o 3D ainda há esperança, acredito que o seu futuro esteja conectado às filmagens em HFR, que deixa os filmes em 3D com a nitidez de um filme convencional, funcionando tanto em cenas escuras quanto em cenas claras. A nitidez é tanta que faz com que as cenas de ataque do dragão em Erebor, no início do filme, numa qualidade muito aquém de todos os outros efeitos usados no filme, se aproximando muito do tosco, o que não fica evidente nas outras exibições: 2D, 3D ou blu-ray/DVD.

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