[CINEMA] – FROZEN: É bom te-lo de volta, tio Valter

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Certas pessoas nascem com um dom que não pode ser negado. Um fato menos conhecido do esporte é que no fim da carreira Michael Jordan – apenas o maior jogador de basquete de todos os tempos- largou o basquete para realizar seu sonho de infancia de jogar baseball profissionalmente. Ou você assistiu Space Jam e sabe disso e é um cara legal, pode ser isso também. Neil Gainman pode ser um excelente desenhista, mas não se pode negar que é com o uso das palavras que ele se torna um deus. Romario pode ser um deputado decente (ao menos nunca foi envolvido em nada e tem opiniões bastante decentes sobre os temas relevantes), mas não muda o fato de que nem Pelé foi tão bom quanto ele dentro do espaço de 9m de uma area de futebol.

E por uma dessas coisas da vida, e como a vida tem coisas, estúdios de animação tendem a seguir essa coisa de demonstrar talento com uma area especifica e por mais que tentem variar seu ramo de habilidades fica claro que eles nasceram para determinado tipo de filme. O que é curioso, já que você não pode apontar e dizer “esse filme é muito cara da Sony” mas você pode claramente identificar um padrão para os longas do estúdio Ghibli, da Pixar ou da Dreamworks (longa vida ao império dos caras gordos fodas!). E então, claro, tem a Disney.

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Não tem chororo, esse jogo acabou

Assim como o Roberto Carlos, o estúdio Disney se perdeu completamente nos tempos modernos. A Disney não pegou muito bem essa coisa da transição da animação para o 3D e vinha em uma espiral descendente de pouca qualidade. Ultimamente a Disney estava sendo mais lembrada como financiadora de grandes franquias de terceiros (bancar a Pixar, a Marvel Studios, etc), foi só muito recentemente que a Disney se reencontrou e abraçou de vez o que sabe fazer de melhor: histórias fantasticas de princesas (ok, tecnicamente a Mulan não é uma princesa embora todos concordamos que o Simba seja) com muita musica, animação de qualidade, tiradas não tão obvias e personagens carismaticos. E é ao reconhecer isso, reconhecer que sabe fazer o que faz de melhor é que a Disney mais acerta do que erra com Frozen

Frozen

ANIMAÇÃO

Um dos aspectos no qual a Disney mais havia apanhado nos ultimos tempos era a qualidade visual dos seus filmes era bastante abaixo da concorrencia. Aquele “aviões” parece quase o “carros genérico” que sempre saem de leva quando um novo blockbuster para os pimpoluchos (não acredito que usei essa palavra). Pois bem, Frozen é a animação mais bonita e gostosa de assistir que eu já vi, visualmente falando. Claro, não tem minions, mas as princesas são tão bonitas que eu poderia passar o dia olhando para elas (ou talvez eu esteja demasiadamente carente, pode ser isso também), tem os huguinhos (já chego a nisso) e a animação do gelo é algo tão bonito como eu não via desde a primeira vez que eu joguei a fase das cavernas de cristal do donkey kong country

MÚSICAS

Existem três coisas que são essenciais a vida que as pessoas adoram falar mal porque são vadias mimadas: pizza california, trocadilhos e musicais. Bem, fodam-se vocês e seus patinetes! Musicais são incriveis e um dos fortes pontos dos longas da Disney são suas canções. Bem, esse é o ponto fraco de Frozen. Apesar de ter uma canção tema muito boa (“Let it go” de Idina Mendel ou “Livre estou” de Taryn Spilman), a trilha sonora tem pop demais para um cenário de fantasia. Tem momentos que parece que estamos na audição de um show da Kate Perry e isso é um grande corta tesão.

KID’s STUFF

Como toda animação moderna, o filme foi feito para crianças gostarem mas que possa ser suportado pelos pais. As vezes acontece dos pais gostarem mais das coisas para as crianças do que as proprias crianças, como é o caso dos Minions de Meu Malvado Favorito (posso afirmar pelos resultados de pesquisas do blog acredite). Frozen não faz isso com tanta sutileza e muitos omentos “para crianças rirem” parecem um tanto forçada na maior parte do tempo. Os pequenos trolls, que fazem as vezes de minions aqui, são fofinhos e engraçadinhos, tem uma boa musica e uma boa movimentação mas talvez o maior merito do filme seja não abusar disso.

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PERSONAGENS

Frozen não é nenhum Rei Leão e não dá pra dizer que são personagens realmente memoraveis mas ao contrário do que normalmente acontece em animações são bastante solidos, com motivações bastante plausíveis. Eu diria na verdade que a plausibilidade e a humanidade dos personagens é o que faz a história funcionar pq se for colocar a limpo e tirar todos os gimmicks narrativos é uma história bem depressiva na verdade, e fazer com que você sinta empatia  pelos personagens é o que faz a coisa funcionar. Alem disso, a protagonista Anna é altamente gostavel já que ela é uma ruivinha adoravel, animada porém com uma história muito triste. E todos amam meninas tristes. Ou eu realmente preciso começar a sair mais, sério…

Eu gostei bastante do co-protagonista Sven que é um cara que não gosta de pessoas e seu único amigo é seu alce. Na hora pensei “ok, lá vem um discurso sobre o valor da amizade, provavelmente com uma música chata sobre isso” e para minha surpresa não veio nada do tipo. Pelo contrário, a mensagem do filme é “as pessoas não mudam, trabalhe com o que tem”. Não esperava isso realmente.

O alivio comico com voz engraçadinha o boneco de neve Olaf (na versão brasileira dublada pelo Fabio Porchatt) oscila entre momentos de estupidez genuinamente engraçada e momentos Jar Jar Binks. Não é o Timão, mas também mais acerta do que erra.

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HISTORIA

O grande apelo de Frozen é sua história coesa e plausivel mas sem cair no lugar comum dos clichês de histórias de princesas. Pra começar o filme não tem uma vilã terrível. Ok, até tem vilões mas é mais uma ferramenta narrativa do que algo com destaque na história e isso merece muitos elogios. Outra coisa é que o filme foge do lugar comum e da coisa de “amor verdadeira” ser banalisado e acredite ou não no que eu vou dizer, é utilizado de maneira inteligente. Provavelmente eu nunca mais vou dizer isso na vida, mas nesse filme o amor é colocado de uma forma crível e inteligente. Ainda não acredite que eu disse isso.

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Não olhe com essa cara, na época isso era explodidor de cabeças

GERAL

Como eu disse, o filme mais acerta do que erra e seus acertos se focam basicamente em voltar as origens do que um filme da Disney deve ser e seus personagens bem construidos. Méritos para a diretora Jenifer Lee (que havia sido roteirista do não menos competente Detona Ralph, que foi o primeiro filme da Disney a ser melhor que o da Pixar em um mesmo ano) que fez um trabalho intimista mas ao mesmo tempo fantastico e magico. Alguns erros por escolher os caminhos faceis demais as vezes mas que serão lapidados com o tempo e experiencia. Para um trabalho inicial o resultado é muito acima do esperado.

E dado como não teremos animação da Pixar eu diria que Frozen pode terminar entre as três animações mais competentes do ano (não acho que vá ser melhor que Lego Movie ou que o filme do estúdio Ghibli), mas com certeza se segura bem e tem seus méritos por lembrar a Disney o que ela faz de melhor. Talvez o segredo de se adaptar aos novos tempos é justamente não tentar se adaptar.

the-lego-movie-batmanSó um desastre pra essa não ser a melhor animação do ano

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