[CINEMA] FOXCATCHER: Uma História que Chocou o Mundo (crítica)

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Se tem algo que o cinema nos ensinou na temporada 2014/2015 foi que nada deve ser mais temido do que as perigosíssimas “Baseado em uma história real”. Adicione a isso o esforço hercúleo para inventar o pior subtítulo de todos os tempos, “uma história que chocou o mundo”, e temos todos os sinais de que alguma coisa estava para desandar nesse filme. Eu só não sabia apontar muito bem o que…

Mark Schulttz (Channing Tatum) é o campeão olímpico de luta greco-romana em 1984, mas entre uma olimpíada e outra vive ele uma vidinha fodida sem apoio nenhum, e fazendo bicos para manter as contas, enquanto treina para as olimpíadas de 1988 – uma realidade bastante comum a todos os atletas dos esportes olímpicos, tanto no Brasil quanto nos EUA, ao menos naquela época.

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Aquele momento em que Channing Tatum faz photobomb com você

O filme funciona MUITO bem em transmitir a rotina silenciosa e minimalista de Mark, a fotografia, o silencio e a iluminação passam uma sensação austera como o inverno. Durante o filme, todo tem aquele clima pesado de velório, sabe como é? Isso funciona bem.

A vida de Mark muda quando o bilionário excêntrico John Du Pont (Steve Carell) oferece para financiar os sonhos mais loucos de Mark, e dar o reconhecimento que ele merece para que a América volte a ter ídolos ou algo do tipo. Ao mesmo tempo, ele tenta se encontrar, e lidar com sua complicada relação com seu irmão Dave Schultz (Mark Ruffalo), grande estrela do esporte de quem Mark vive à sombra.

É comum comediantes terem sucesso em papéis dramáticos (se alguma coisa, precisamos de mais papéis “sérios” do Jim Carrey) e Steve Carell não é exceção. Tem alguma coisa errada no seu John Du Pont, só que não dá pra dizer exatamente o que é, e isso cria uma tensão muito interessante.

Ele é um homossexual reprimido? Um psicopata serial killer? Só um cara querendo agradar a mãe? Ou ele realmente acredita no que está dizendo?

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América: onde você andar por aí com uma arma na mão é absolutamente normal. MURICA FUCK YEAH!

A relação estranha entre Du Pont e os irmãos Schultz funciona muito, muito bem. A sensação de “tem alguma coisa errada aqui, só não sei dizer o que” permeia o filme todo, e adicione a isso o “clima de velório” do filme, e temos a construção de algo que poderia levar a algum lugar, o clima do filme é realmente ótimo.

Só que termina por aí.

Apesar das ótimas atuações de Carell, Rufallo e Tatum (quem diria que eu iria elogiar o Channing Tatum, mas ele realmente transmite um atleta convincente – saca jogador de futebol dando entrevista?), não existe atuação genial que salve um roteiro ruim e mal dirigido.

A proposta é boa, mas a edição do filme é realmente muito ruim, e depois de uma hora de filme você meio que desiste de entender sobre “o que é” esse filme. As coisas vão acontecendo na tela apenas porque “aconteceram de verdade”, mas não tem nenhum propósito nem constroem nada.

"Bro, do you even lift?"

“Bro, do you even lift?”

95% do filme são cenas jogadas, e tudo que você consegue pensar é: “tá, mas qual a moral disso?”. Espera-se que o final do filme amarre as coisas e então tudo faça sentido, mas não. Como o filme não se ocupou em construir nada (ou, vá lá, até tentou, mas foi tão ruim que o efeito é o mesmo) o final do filme, a tal “coisa que chocou o mundo”, como todo o resto, parece jogada e sem propósito.

O clima de tensão é bem construído, conhecer os bastidores de um esporte pouco popular por aqui é legal, e as atuações estão acima da média, mas tudo isso se torna apenas uma imensa pista para um avião que nunca decola, o que acaba servindo apenas para frustrar o espectador, e fazer o filme ser chato. São duas horas e 9 da sua vida que você jamais terá de volta.

nota-2

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