[CINEMA] Filmes que bagunçaram sua cabeça – Parte I

Quem nunca teve aquele nó incrível na cabeça depois de ver um filme, que atire o primeiro blu-ray!

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Impossível numerar todos os filmes que bagunçaram a mente de espectadores cinemas afora. A indústria cinematográfica parece ter um gosto apurado por filmes complexos e desafiadores, que deixam um gostinho de mistério no ar.

Mas, quem é que não gosta desse mistério, não é mesmo? No fundo, nós adoramos chegar ao fim de um longa com a cabeça repleta de teorias loucas, hiperlinks e ligações (im)possíveis que poderiam explicar esta ou aquela cena. Somos conspiradores naturais, afinal de contas…

E em nome dessa natureza conspiratória/misteriosa que habita todo nerd cinéfilo (um pleonasmo), segue uma singela lista de alguns filmes que, sem dúvida, deixaram você menos normal e cheio de ideias muito pouco razoáveis.

Clube da Luta
(Fight Club – 1999)

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Não adianta pagar de malandro, nerd! Você só sabe o enredo deste filme de cor porque já o assistiu pelo menos umas 500 vezes.

A verdade é que – se visto UMA PRIMEIRA E ÚNICA VEZ – Clube Da Luta, baseado no livro homônimo do (louco) escritor Chuck Palahniuk, possui uma trama tão complexa que apenas ao fim é possível notar detalhes bobinhos mas muito estranhos, como por exemplo o fato de o protagonista não ter um nome (por quê?), Marla aparecer do nada e seguir O Narrador o tempo todo e em todos os lugares, como se também fosse parte de sua mente doente (por quê?), entre milhões de outras coisas.

O detalhe mais besta é o fato de que Tyler aparece várias vezes no filme, rapidamente e quase escondido, antes de ser formalmente apresentado ao espectador. Algumas daS vezes são quando O Narrador está tirando uma cópia na máquina de xerox da empresa, durante a conversa de Norton com o médico, na primeira reunião do grupo de homens que sofreram de câncer no testículo, e durante um comercial do hotel onde trabalhava. Curiosamente, Tyler confessa, após aparecer oficialmente no longa, que, em seu trabalho de projetista entediado de cinema, ele ficava inserindo imagens pornográficas nos filmes.

Fight Club (1999) Edward Norton and Brad Pitt (Screengrab)

Tyler e sua jaqueta vermelha de James Dean

Que seria isso, senão um gigantesco tapa na cara do espectador, com o intuito de mostrar que Tyler nada mais é do que um resultado da mente doente do Narrador?

Bem… Vale a pena ver com lápis e papel na mão e reparar em alguns (muitos detalhes).

P.s:  Não, a receita dada no filme para fazer bombas não funciona.

Brilho Eterno de uma mente sem lembranças
(Eternal Sunshine of a Spotless Mind – 2004)

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A única coisa realmente muito fácil de se compreender neste filme é que felizes são os esquecidos.

É um filme fantástico, mas ao assisti-lo, ele só fará sentido se você já, alguma vez, sofreu por amor.

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Abençoados os que esquecem?

Num misto de romance com drama e ficção científica, “Brilho Eterno” brinca com uma linha do tempo efêmera como flocos de neve que se derretem. Tão efêmera e confusa, perdida em falsas memórias, memórias sem dono, memórias criadas e memórias futuras – esta é para quem leu “O Erro de Descartes” – que faz o espectador incapaz de saber no fim das contas o que era real, o que foi apagado, o que realmente aconteceu em algum lugar do passado, ou o que foi apenas um devaneio amoroso. E em que mente estávamos? Estávamos mesmo acompanhando o processo de apagamento – e fuga do apagamento – de Joel? Pense bem…

De todo modo, um filme para ver e rever.

O Cubo (Cube – 1997)

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Sete desconhecidos acordam em um local estranho. Ao analisarem os fatos, os sete desconhecidos chegam à conclusão de que cada um deles parece muito bom em alguma coisa, e que o lugar em que estão é um cubo, com saídas para outras salas igualmente em forma de cubo, mas com perigos escondidos. O filme consiste basicamente em um show off de tentativas de clímax… Só que sem um clímax. O que seria a descrição perfeita de sexo sem orgasmo? Talvez…

Há quem acredite e defenda a ideia de que esse filme tem muita genialidade em sua trama cúbica. O fato é que, em uma primeira camada, O Cubo se apresenta como realmente apenas um filme de baixo orçamento, em que sete pessoas tentam desesperadamente sair de um lugar desgraçado no qual entraram sem uma razão que tenha sido explicada em momento nenhum do longa metragem.

Koyaanisqatsi: Uma Vida Fora de Equilíbrio
(Koyaanisqatsi: Life Out of Balance – 1982)

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Koyaanisqatsi significa vida louca… Não… Não VIDA LOKA, seu manés! Vida louca.

Além de ser o trava-línguas mais maldito que você vai encontrar, esse filme pode não fazer sentido nenhum à primeira (ou à segunda, terceira, quarta… enésima vista). Para começar, Life out of Balance é um documentário, o que por si só já o torna diferente, mais sério. Mas não basta, nerd. Isso por si só seria muito fácil: o documentário é feito sem palavras. A linguagem é puramente imagética.

Diferente de, por exemplo, Samsara, um documentário completamente voltado para demonstrações de espiritualidade ao longo do mundo, por meio de cenas curtas em altíssima definição de rituais e lugares místicos, este documentário se pretendeu, como o próprio diretor Godfrey Reggio afirma,  “alienígena“. Life Out Of Balance não foi feito para ser apreciado como o citado Samsara, para causar impacto com os Zeitgeists da vida, para ser pensado como “Da Servidão Moderna“. Life Out of Balance é simplesmente um flood de imagens que farão sua mente ficar (ainda mais) louca.

Quando Duas Mulheres Pecam
(Persona – 1966)

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Tendo sido traduzido com o nome de “Quando Duas Mulheres Pecam“, e considerado por alguns críticos como um dos filmes mais difíceis de todos os tempos, essa pérola de Ingmar Bergman é capaz de fazer uma verdadeira anarquia em uma mente despreparada.

A enfermeira Alma é incumbida de tomar conta de Elizabet Vogler, uma atriz que entra em estado de semi-catatonia em meio a uma apresentação de uma peça de teatro. Isoladas do resto do mundo, as duas mulheres vão se tornando cada vez mais próximas. Alma encontra na emudecida Elizabet uma perfeita ouvinte, e lhe conta os seus mais íntimos segredos, como uma orgia praticada com dois jovens adolescentes e uma amiga numa praia deserta, e um subsequente aborto. Após ler uma carta comprometedora de Elizabet, Alma começa a perder o controle sobre si mesma, sentindo-se extremamente ligada à atriz e, ao mesmo tempo, oprimida pelo seu silêncio. Gradualmente, a persona de Elizabet toma conta da enfermeira, e as identidades das mulheres parecem se fundir em uma só.

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Quando duas mulheres… se tornam uma.

O curioso do filme é a forma como Bergman consegue fazer com que os monólogos e as montagens das cenas forcem o espectador a miscigenar as personagens, como se realmente as duas consciências houvessem se tornado uma apenas.

Alucinações do Passado
(Jacob’s Ladder – 1990)

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Esse filme não irá bagunçar sua cabeça. Ele irá estragá-la.

Jacob’s Ladder fala da mente perturbada de um veterano da Guerra do Vietnã, que mora em Nova York e, assombrado por seu passado, entra numa espiral de loucura que confunde alucinação e realidade. Mas ele não entra nela sozinho.

Alucinações do Passado

Carregado pelas imagens perturbadoras, cortes de cenas confusos, e muitas figuras que você preferiria não ver, o filme faz com que o espectador também alucine junto com o pobre Jacob, ao ponto de forçar a fronteira do mal estar.

Encaixotando Helena
(Boxing Helena – 1993)

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Mal falado entre os cinéfilos e críticos em geral, este filme te bagunça muito mais pela maluquice do algoz que maltrata a pobre Helena. Uma mistura de Norman Bates com algo de “A Pele Que Habito“, Boxing Helena mostra o que pode se tornar a consequência mais trágica de uma obsessão mal direcionada.

Repare bem nas pern… pernas? Que pernas???

E se você quer saber porque a título foi traduzido ao pé da letra… Bem… digamos que a garota passa a ter razões para caber numa caixa (e eu vou para o inferno depois de dizer isso).

Bem, nerds… existem, como já disse, um milhão de filmes capazes de fazer sua mente girar… Quais outros filmes te bagunçaram de verdade? Diga nos comentários.

6 thoughts on “[CINEMA] Filmes que bagunçaram sua cabeça – Parte I

  1. Amigos. Um fime que definitivamente precisa estar em sua lista, é esse do diretor Gaspar Noé:
    Enter the Void (“Soudain le Vide”, França, Alemanha, Canadá e Japão) – 2009

  2. Quero ser John Malkovich é de pirar, A origem, 21 gramas e sua narrativa fragmentada, Solaris, A ilha do medo, esses são alguns dos filmes de pirados.

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