[CINEMA] Êxodo – Deuses e Reis: Judeus, Muçulmanos e Guerras

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As polêmicas andam correndo soltas em Hollywood. Depois do problema com o lançamento do filme A Entrevista, outro filme tem sido assunto entre diretores e produtores nos corredores da fama. O nova produção Êxodo: Deuses e Reis, de Ridley Scott, foi proibida no Egito e teve várias de suas sessões canceladas no Marrocos.

exodo-estreia-proibida-no-egito-01-christian-bale-moisesDevemos lembrar que estamos falando de um filme que trata de uma história bíblica. E o Egito é um país de tradição muçulmana, ou seja, acata as leis do Antigo Testamento Bíblico. Assim, a razão da proibição no Egito é que, de acordo com a censura local, o controverso filme traria uma “visão distorcida” em torno da vida de Moisés. Abdel Sattar Fathi, chefe da censura egípcia, lamentou que o filme mostre que “os judeus estiveram envolvidos na construção da pirâmide de Giza como povo eleito por Deus”, e que passe a impressão de que os egípcios teriam torturado os judeus. Além disto, Êxodo teria manipulado os ensinamentos do Alcorão, o livro sagrado do islã. A partir das declarações do chefe da censura, não é difícil notar que o filme tem inclinação semita. Um posicionamento perigoso em tempos de conflitos acirrados entre Judeus e islâmicos. O que é curioso, posto que o desenho animado da Dream Works, “O Príncipe do Egito“, tratou do mesmo assunto com o mesmo teor de pró-semitismo, e de forma belíssima, e não foi alvo de censura alguma quando de seu lançamento no ano de 1999.

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Cena de “O Príncipe do Egito”

Exodus-Gods-and-Kings-Poster-EdgertonOutro país onde Êxodo: Deuses e Reis tem enfrentado problemas é no Marrocos, também de tradição Islâmica. Apesar de não ter ocorrido uma proibição oficial, o longa-metragem teve várias de suas sessões repentinamente canceladas. Ainda não houve um posicionamento oficial nem dos exibidores locais nem do Centro Cinematográfico Marroquino sobre o assunto. Ainda há que se dizer que, de acordo com alguns críticos, o filme apresenta um Deus autoritário e genioso, diferente daquele retratado na Bíblia. No filme de Scott, Deus chega a se comportar como um garoto mimado, que quer ver seus desígnios realizados, custe o que custar. Essa caracterização tem movimentado opiniões de religiosos em todo o mundo.

No Brasil, Êxodo: Deuses e Reis está em cartaz desde ontem, após atrair pouco mais de 150 mil espectadores nas pré-estreias realizadas na semana passada. Esperamos que a comunidade Islâmica, assim como a Judaica, compreenda que o filme é uma obra de arte, e não tem o intuito de ofender ninguém. Enquanto isso, esperemos as pragas do Êxodo

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4 thoughts on “[CINEMA] Êxodo – Deuses e Reis: Judeus, Muçulmanos e Guerras

  1. Quê?? O islamismo “acata as leis do Antigo Testamento”? Que é que você tá dizendo, minha filha? O islamismo surgiu mais de 600 anos depois de Cristo, e segue as leis do Alcorão, um livro inteiramente novo, ainda que inspirado em bases judaicas e cristãs. Um pouco de pesquisa não faz mal a ninguém 😉

    O problema aqui é que o islamismo “reconhece” os profetas do judaísmo e do cristianismo, e Moisés é considerado por eles como uma das figuras mais importantes da época do Antigo Testamento. Daí vem a ideia de que o filme “distorce” Moisés, ao retratá-lo como um general belicoso, além de considerar a abertura do Mar Vermelho como um maremoto ao invés de uma intervenção direta de Deus (algo citado no Alcorão, sendo por esse motivo que esse livro entrou no assunto). Mas eu desconfio que a questão mais grave seja retratar os egípcios antigos (que, claro, não eram muçulmanos, mas eram ancestrais dos egípcios modernos) como um povo cruel que escravizou os judeus, os quais teriam construído as pirâmides, algo que as autoridades do Egito negam. Vale lembrar que o viés pró-semita ou “sionista” é uma acusação lançada pelo governo do Egito, não um posicionamento claro do filme, como o texto sugere.

  2. Sim, minha filha, claro que o Islã reconhece os profetas do Antigo Testamento, como aliás eu apontei em meu post acima. Só que, pelo que você escreveu, ficou parecendo que o Islã segue basicamente o Antigo Testamento, o que não é verdade. O Antigo Testamento tem tanto valor para os muçulmanos quanto para os cristãos, se não até menos, pois não faz parte do cânone oficial islâmico (mas sim do cristão). Novamente, como eu já disse, o islamismo considera “santos” os profetas do Antigo E NOVO Testamentos, mas todo o material destes livros é considerado “ultrapassado” por qualquer palavra de Maomé, que os muçulmanos chamam de “o selo dos profetas” justamente por ser (na visão deles) a fonte definitiva da Palavra de Deus. O que se difere do cristianismo, religião preponderante nos Estados Unidos, onde o filme foi produzido, bem como na maioria dos locais onde ele foi exibido, que considera o Antigo Testamento de Moisés como parte integrante e indispensável de seu livro sagrado, e portanto, a Palavra de Deus inerrante. E mesmo assim não teve cristãos (que dirá judeus) protestando a ímprecisão do filme. Por isso, considerei que reportar que o fato de a censura ao filme estar restrita a países muçulmanos ser decorrente de uma relação especial desta religião com o Antigo Testamento é algo que não reflete bem a realidade desta religião, que conheço de longa data e há muito estudo, inclusive como consequência do meu aprendizado da língua árabe. Mas sei lá… como você gosta de dizer, isso é só a minha opinião 😛

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