[CINEMA] Ex Machina (Crítica)

EX MACHINA AVA POSTER

Não sabia o que esperar. Não acompanhei trailers. Nem acompanhei notícias.

Soube que ele existia por intermédio do editor, o que mostra que ou alguns bons filmes estão sendo boicotados ultimamente ou que eu continuo exercendo muito bem a minha função de caipira. Acredito que as duas possibilidades devam estar corretas.

Possuem um bom nível de abstração? Conseguem entender Jackson Pollock? Então pensem fora da máquina. Deixem a abordagem acadêmica de lado e assistam ao longa de ficção científica Ex Machina que surgiu no início desse ano, dirigido e roteirizado pelo cabeçudo do Alex Garland, conhecido por nos presentear com Dredd e Extermínio (28 Days Later).

Só para introduzir, mas bem de leve, sem machucar, temos Caleb, interpretado por Domhnall Gleeson, jovem programador da empresa Blue Book. Foi escolhido pelo chefe, o dono da porra toda, para desfrutar de uma semana louca e etílica em sua humilde residência no meio de um paraíso gelado no fim do mundo. Nesse lugar esquecido por Eru, bateram uma caixa encefálica sobre arte, amor, sexo, ciência, filosofia, confiança, consciência, programação e, adicionadas nessa salada, inteligências artificiais emergentes que nos transformarão em fósseis obsoletos. Então, vamos flertar e dançar com ginóides gostosas nesse bacanal psicológico e existencialista.

REALITY SHOW

Reality Show?

Se qualquer um de nós estivesse no lugar de Caleb, um geek que estudou a vida inteira, trampando na empresa de programação e pesquisas científicas mais foda desse mundo, entenderíamos sua reação na cena inicial.

Acessando uma labhouse no meio da tundra, Caleb deparou-se com Nathan, um cabrón informal, descontraído. Porém, chegando mais perto dele, descobriu um cientista brilhante, frio, calculista, narcisista, incisivo, e que se expressava com total convicção para impor todos os seus argumentos. Um homem rico, excêntrico, afastado da civilização e conectado com a natureza, projetando máquinas que mimetizavam nossas funções vitais e capacidades cognitivas. Oscar Isaac interpretou o personagem mais interessante da trama. Pois coisas sutilmente agressivas são sempre mais perigosas…

ENCONTRO

Nunca discorde de cientistas boxeadores.

KYOKO

Por que não se sentir bem ao despertar em um alojamento aconchegante enquanto Kyoko serve seu café?

O que poderia dar errado?

Resposta bem simples: Ele não estava num lugar seguro. Poderia se divertir, mas também precisava aplicar Testes de Turing numa das inteligências artificiais que habitava o recinto. Ava, delicada, educada, cativante. Avançada.

SILHUETA

Olhe para Ava, e ela olhará de volta. She is fucking amazing.

No primeiro encontro, tudo o que há para se enxergar é a sua silhueta feminina incompleta, porém perfeita. Alicia Vikander se movimentava e se comunicava com maneiras adequadas e convincentes, sem exageros, sem besteiras.

O filme está dividido nas sessões entre Caleb e Ava. Um aprendizado mútuo de seres jovens e solitários que conflagrou uma espécie de campo minado de emoções confinadas, tanto no lado genuinamente humano quanto no lado supostamente simulado. Quem estava sendo testado?

REJECTED

O que poderia acontecer em uma semana?

Por conta da eletricidade cortada pelos distúrbios de convivência, o tom do filme mudou do azul para o vermelho, abrindo algumas janelas com oportunidades para que os seus comportamentos mudassem, descortinando intenções que estavam veladas, propagando linhas de raciocínio um pouco mais inesperadas.

Todos os diálogos foram muito bem construídos, discutindo sobre uma gama de temas e referências agradáveis, amarrados com a consciência de quem somos e quem são os outros, o que tentam nos dizer, não apenas com palavras, mas também com “micro-expressões”.

CERVEJA

Moral da história: se quiserem brincar de Deus, bebam com moderação.

nota-4

 Saudações. E até o próximo post.