[CINEMA] Crítica: O Grande Hotel Budapeste

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Texto de Ralph Teixeira Barbosa

As qualidades dessa obra são muitas, sob o ponto de vista técnico se destaca a meticulosidade do planejamento de cena de Wes Anderson, onde se exploram ao extremo as simetrias em sequências e trocas de planos, ou transições, incontável o volume de cenas sequenciadas onde há um enfoque peculiar ou ângulo novo em que a assinatura do diretor transborda.

Cores saturadas aliadas e contrapostas a cores pastéis, parecendo em dados momentos que vislumbramos a vitrine de uma patisserie francesa, tem uma belíssima textura aveludada e chegam a ter sabor, o filme inteiro é um convite à gula e é, em imagem, uma experiência sinestésica por excelência.

É fundamental frisar a beleza do próprio hotel, com seu ecletismo e imponência, o tratamento de suas cores, a preocupação de em cada cena existir a contraposição de complementares ou suplementares também sendo algo perceptível mas sem ser óbvio, gritante ou desagradável.

A história é conduzida a partir de diálogos muito acelerados, tornando um pouco cansativo e dificultoso acompanhar o ritmo, no entanto são diálogos belamente escritos, sem grandes complexidades e que revelam muita poesia imagética, um certo romantismo na maneira de se expressar. Talvez isso limite um pouco o público a que se possa dirigir o filme, não que seja impossível, mas é fundamental entender a linguagem de inversão e uma estilística de diálogo mais literária (mesmo isso não sendo algo ostensivo). Também presencia-se cenas do absurdo e do insólito (o que é algo perfeitamente crível dentro da realidade fantástica criada por Wes).

Outra característica que pode ser um “defeito” ou “qualidade” é o grande volume de personagens, ficando difícil desenvolver aprofundamento em um pouco mais de 2 horas de filme, mas me parece uma escolha do diretor privilegiar os tipos interessantes, enquanto personagens (sem tornar os personagens escadas insossos, tampouco esvaziar a personalidade das protagonistas), centralizar num núcleo menor de 3 a 4 personagens todo o aprofundamento necessário para contar uma história de forma coerente. 

Outra característica atrelada ao volume de personagens é a excentricidade dos tipos, não podemos dizer que também não exista certa dose de genialidade do texto e da construção da história em nos despertar o interesse a respeito de todo um universo que não foi contado, ou tantos quantos possíveis.

Quanto às atuações, transmitem a verossimilhança necessária e a candura sem excessos ou dramas desnecessários, muitos dos sentimentos são transmitidos de forma sensível, no detalhe, sem grandes cenas, tem uma precisão de direção em que essa contraposição de doçura e secura se revelam também uma assinatura da estilística de Wes, sendo impossível apontar destaques nesse campo, acredito que todo o elenco foi exitoso e preciso em relação ao intuito, ou ao que acredito ser o intuito do diretor.

Nota 9,5 de 10 – Filme dinâmico, multi-gênero, com uma história inteligente e diferenciada.

Brindes: fanarts de Lorena G baseadas no filme, do qual disse o seguinte:

“Eu saí do cinema pensando sobre os detalhes belos e variados que apareceram [nele]. Eu estava realmente fascinada pelos deliciosos cenários e queria rever o filme, quadro a quadro, procurando estas imagens e ilustrando-as com cuidado.”

Confira abaixo o resultado:

The-Grand-Budapest-Hotel-Flat-Illustrations-by-Lorena-G

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