[CINEMA] Capitão América: Guerra Civil (crítica)

capitao america guerra civil painel

Uma missão dos Vingadores que começa admiravelmente bem, termina desastrosamente mal, servindo de estopim para nações do mundo inteiro reverem atuações anteriores da equipe, e exigirem uma regulamentação de suas atividades com a proposta do Tratado de Sokovia.

Eis a premissa de Capitão América: Guerra Civil, um dos filmes mais aguardados de 2016. Mas engana-se quem pensa que o filme se restringe a uma disputa entre os Vingadores que aceitam assinar o Tratado – que exige que suas atividades sejam supervisionadas pela ONU – e aqueles que se recusam a submeter-se ao que os líderes do mundo julgarem a forma correta de usar seus superpoderes e habilidades sobre-humanas. Há muito mais em jogo do que uma batalha dos egos do Capitão América e do Homem de Ferro.

Para uma melhor apreciação de Guerra Civil é necessário encará-lo como uma continuação direta de Vingadores: Era de Ultron e, especialmente, de Capitão América: Soldado Invernal. Bucky desempenha um papel decisivo na disputa estabelecida entre Tony Stark e Steve Rogers, e na introdução do Pantera Negra, que é diretamente afetado por um atentado terrorista supostamente cometido pelo Soldado Invernal.

Era de Ultron é a base para a construção do “vilão” do filme, Helmut Zemo, cujas ações desencadeiam diversos eventos da trama, entre eles a revelação de um segredo do passado do Universo Marvel Cinemático que atinge o Homem de Ferro.

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Estabelecidos os motes da trama central, o roteiro do filme é muito hábil em abrir espaço para que todos os personagens desempenhem papéis relevantes para o desenrolar da história. Não só a ação das equipes foi muito bem coreografada, coordenada, filmada e editada, como seus diálogos foram cuidadosamente escritos de um modo que refletem suas personalidades e posicionamentos distintos. Assim, temos embates físicos e verbais se alternando numa espécie de “sinfonia cinematográfica” que é conduzida com muita elegância pelos irmãos Russo.

E já que os mencionei, é preciso elogiá-los pela qualidade excepcional das sequências de ação, feitas num ritmo empolgante, com movimentos impactantes e muitas vezes complexos, mas que nunca deixam o espectador perdido, graças à clareza dos enquadramentos, a precisão dos cortes, e a excelência da montagem. Destaque para a atuação dos Vingadores no primeiro ato; a luta do Capitão América e do Soldado Invernal numa escadaria (que me fez lembrar da excelente luta do Demolidor em sua 2ª temporada num cenário semelhante); e, claro, a incrível batalha entre os heróis no aeroporto, que além de tensa é muito divertida, e cheia de pequenas e grandes surpresas (uma delas literalmente).

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Boa parte da diversão do filme reside nas pontuais e muito acertadas participações do Homem-Aranha na batalha do aeroporto. Temos aqui a melhor transposição do personagem pras telonas, muito fiel à versão mais jovem e tagarela do herói. Seu misto de piadista com adolescente entusiasmado por atuar ao lado de heróis que ele admira tanto quanto nós, espectadores, os admiramos, é contagiante. E antes dela, o primeiro encontro de Peter Parker com Tony Stark, apesar de criar uma leve quebra do ritmo do filme, é uma forma inteligente e bem humorada de introduzir o personagem sem uma recapitulação enfadonha e redundante de sua origem. Ele deixará muita gente ansiosa pra conferir seu primeiro filme dentro do Universo Marvel dos cinemas em 2017.

O mesmo cuidado é dispensado ao Pantera Negra, que já tem parte de sua história e mitologia apresentados no filme, criando um gancho para seu filme solo (previsto para 2018), mas sem desviar nossa atenção da trama principal de Guerra Civil.

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E aqueles que leram a saga homônima que serviu de inspiração para o filme reconhecerão referências pontuais a alguns eventos dela, como o incidente de Stanford; a aliança entre o Homem de Ferro e o Homem-Aranha; e a criação de uma prisão para super-humanos. Mas, obviamente, é uma adaptação que não tem a proporção do confronto visto nos quadrinhos, o que não a desmerece como um entretenimento de excelente qualidade, muito bem arquitetado.

Capitão América: Guerra Civil é o melhor filme de ação do Marvel Studios, superando Soldado Invernal neste quesito, e o que melhor explora a dinâmica entre todos os heróis, sendo, neste ponto, bem mais feliz que os dois primeiros filmes dos Vingadores. Nele os irmãos Russo demonstraram que estão prontos para a tarefa hercúlea que os espera nas partes 1 e 2 de Vingadores: Guerra Infinita, quando terão que lidar com um contingente ainda maior de personagens. Que venha Thanos, e com ele o fim da fase 3 da Marvel nos cinemas, iniciada aqui!


nota-5