[CINEMA] – Caminhando com Dinossauros: quando Em Busca do Vale Encantado encontra A Marcha dos Pinguins

walking_with_dinosaurs_3d_ver2 (1)

Nós nerds somos atraidos por 5 coisas basicamente: zumbis, piratas, robos, ninjas e dinossauros. Eu ia dizer “peitos” também, mas vamos nos ater a coisas com as quais temos reais chances de interagir, sim? Pois bem, dizia eu que a aritimética, digo, os nerds são facilmente comprados por qualquer um desses elementos. Coloque dois desses no mesmo filme e teremos um nerdorgasmo.

Eu sei que eu sou um fanfarrão, o joker, o palhaço, o coringa, mas um fato que comprova isso é que um dos assuntos mais buscados aqui no sitio vindo do google é o tal do Jurassic Park 4. O que eu não os culpo, quem não quer ver lagartos de quatro toneladas comendo pessoas? Mas aí tem uma coisa bastante interessante: “dinossauro” não é um genero realmente e sim uma generalização que abriga um numero inenarravel de criaturas em um periodo de tempo que vai desde os primeiros pelos pubianos do Silvio Santos até 65 milhões de anos atrás.

robot-handed t rex

Pra você ter uma idéia de como isso é vago, em numero de anos decorridos, o Tiranossauro Rex está mais perto do ser humano do que de um triceratops. Bem, SEJE como for todos nós amamos dinossauros e nada jamais superará aquela paradinha que vinha nos chocolates nos anos 80 a menos que eles lancem um sobre atrizes porno, o que eu acho estatisticamente improvavel.

Mas ao contrário do que o credo popular e as mulheres acreditam, nerds também são pessoas e compartilham algumas filosofias de vida com os cidadões produtivos e de bem. E uma diretriz que nós todos compartilhamos é: NÓS ODIAMOS SER EDUCADOS. Pessoalmente eu acho que é um resquício do pavoroso sistema de ensino que nós temos (o maior critério de compatibilidade entre duas pessoas deveria ser a pergunta “qual você acha que é a verdadeira função da escola?”, se duas pessoas responderem a mesma coisa podem se casar porque devem ser almas gemeas siamesas), mas qualquer coisa que soe como “estou aprendendo alguma coisa” soa como um sinal de alerta. Não é atoa que as maiores empreitadas de sucesso para ensinar alguma science bitch para nós vem justamente de formas que tentam totalmente não parecer com educação e sim algo realmente divertido, como o épico Mundo de Beakman ou mesmo o Telecurso 2000 (qualé, eu tinha que acordar cedo na época tá?)

E nesse quesito ninguém é mais mestra na arte de ensinar para as massas do que a BBC de Londres e seus documentários, alem de fazerem a carreira do Drauzio Varella, atingem infinitos níveis de formidável. E é aqui que entra “Caminhando com Dinossauros o filme em 3D” que de cara entra na disputa pelo premio de titulo mais bocaberta do ano. Ou talvez porque eu odeie 3D. Não, o nome é idiota mesmo.

3dmovie

Verdade seja dita, o longa não é um documentário e sim um filme cientificamente correto. Mais ou menos. Err… naquelas. Ok, vamos aos trabalhos.

Vou pular a introdução constrangedora e idiota com atores humanos que foram sequestrados de algum seriado idiota do Disney Channel e obrigados a atuar com armas apontadas para suas familias (só isso explica) e pular para a parte em que o passaro pré-histórico Alex conta a história do seu amigo Littlefoot, digo, Patchi que é um belo e nanico bebe Paquirrinosauro. Espera, um o que? Bem, o Paquirrinosauro era o primo pobre do Triceratops que alem de não ter o mesmo agente em Hollywood tinha quase 1/3 do seu tamanho e 1/10 do seu estilo. Pra você ter uma idéia, pelo que dá pra entender os paquirrinosauros eram tipo os gnus do período cretaceo só que pesavam quatro toneladas. Provavalmente eles também mataram o Mufasa no Rei Leão do período paleolítico.

Baltow_JuraPark_therizinosaurus_cheloniformis

Dica para o proximo Jurassic Park: coloquem o therizinossauro (que tem 12m de altura, alias) como protagonista. Coisa linda di deus.

Os “grandes vilões do filme” são os gorgossauros, mais ou menos os equivalentes aos deinonicos (que é o que você conhece por velociraptor, sim, Michael Crichton sabia que aquele bicho não era o velociraptor e sim o deinonico, mas ele mandou a paleontologia se foder com base no fato que o nome deinonico é comerciamente idiota) da época e aterrorizam Patchi e sua turminha da pesada.

Como documentário o filme funciona bem: aprendemos um monte de coisas novas e interessantes sobre bichos que nunca tinhamos ouvido falar antes sem que nos sintamos ofendidos por alguem estar tentando nos ensinar algo. Quer dizer, exceto quando o filme para e uma criança fala dados cientificos sobre o dinossauro novo apresentado, quem teve essa idéia merece uma pirocada no ouvido.

Já como filme, bem… vamos dizer que é necessário uma boa dose de boa vontade para comprar o peixe. Uma grande dose de boa vontade. Não me entendam errado: o  filme não é sem méritos e tem algumas boas sacadas. Como por exemplo a coisa que só os protagonistas falam (como todo filme de animal, saca?) e os adultos apenas emitem sons de dinossauros, o que fica um lance meio Charlie Brown. E Patchi e Alex tem lá o seu carisma e bons dialogos. A cena que o Alex para a cena quatro vezes para ridicularizar os bracinhos do gorgossauro não tem como não rir… aqueles bracinhos… to rindo só de lembrar disso na verdade.

O problema na verdade é quando eles tentam romancear a história para ver como um filme para crianças. E se tem algo que aprendemos com os mosquitos é que a natureza não é nada romantica.

hippie

O romantismo sempre acaba na primeira lama no seu cabelo

Veja, a história principal é sobre o nerd baixinho que perde os pais cedo e tem que crescer nesse mundo cãossauro enquanto tenta conquistar o amor da sua vida, a dinossaura gostosona da turma (pelo menos eu achei ela bem gostosa, ela é tão rosadinha que eu não conseguia pensar que ela daria um excelente churrasco) que o colocou na friendzone enquanto sofre bullying do seu irmão badass fodão. Ou seja, é basicamente Sex Drive com dinossauros adaptado para crianças.

Espera, o que?

Tipo eu entendo a jornada do herói, a aventura de conhecimento e amadurecimento  de mostrar valor e aceitar quem você é e blablabla e… podemos voltar ao fato de que estamos falando de gnus de quatro toneladas? Tipo o cara quer ficar com a patassaura alfa ali, beleza. Só que pra isso só tem um jeito: sendo o lider da manada já que é o lider da manda que come todo mundo por ali. Ou seja, é uma história do triunfo do amor romantico… e de como Patchi vai ter que fazer o serviço com outras 50 dinominas nas horas vagas. E isso em um filme para crianças. A quantidade de furos e coisas omitidas para não dar na cara que dinossauros não são exatamente romanticos é bastante perturbadora. Ou de como o filme deixa implicito que o reinado de Patchi vai durar até apenas o próximo macho querendo molhar o biscoito em seu dinoharem perceber que basta dar umas porradas em um nanico (de excelente coração e boas idéias, mas fisicamente inapto que é a unica coisa que importa na natureza).

591

Go alfa or go home!

Enfim, como eu disse o filme tem boas intenções e eu até diria que cumpre o seu proposito se eu conseguisse identificar um (eu não tenho certeza exatamente se é um documentário que tenta ser um filme ou um filme que tenta ser cientificamente correto), mas que exige muita boa vontade para ser engolido. Mas aqueles bracinhos… hahahaha… aqueles bracinhos…