[CINEMA] Blade Runner: Ridley Scott diz se Deckard é ou não um replicante

blade runner por Mateusz Kolek

Há muito tempo esta é uma questão que divide opiniões entre os fãs do filme Blade Runner, que pode ou não ter sido respondida quando o filme ganhou uma versão do diretor Ridley Scott alguns anos atrás. Pelo menos até recentemente, quando Scott resolveu respondê-la.

Numa entrevista ao site Digital Spy, Ridley Scott deu sua resposta definitiva a respeito do assunto. Portanto, se você é dos que gostam da ambiguidade de um dos grandes clássicos da ficção científica cyberpunk, recomendo não ler o que vem a seguir.

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Então aí vai:

“Definitivamente ele é um replicante.”

Na entrevista o diretor ainda disse que elementos do filme dão pistas disto, caso o espectador o assista atentamente, incluindo o sonho que ele tem com um unicórnio, que Scott acrescentou na versão do diretor.

Harrison Ford nunca deu uma resposta direta a respeito disto, mas chegou a dizer que interpretou o personagem como um ser humano:

“Cheguei a perguntar a Ridley se ele achava que o personagem que eu estava interpretando era ou não um replicante. Nunca tive uma resposta direta. O que é bom, eu acho. Mas pensei que era importante que a audiência fosse capaz de ter um representante humano no filme, alguém que ela pudesse compreender emocionalmente. Ridley não achou que isto era tão importante assim.”

Recentemente o ator recebeu o roteiro de Blade Runner 2, que começará a ser filmado em 2015. Segundo Ridley Scott, Ford disse que foi o melhor roteiro que ele já leu.

E você, acredita que a continuação do filme será tão boa assim? E o que achou da resposta de Scott? Diga nos comentários.

6 thoughts on “[CINEMA] Blade Runner: Ridley Scott diz se Deckard é ou não um replicante

  1. No livro “Androides sonham com ovelha elétrica”, o autor Philip K. Dick não diz se Deckard era ou não um replicante. Portanto, Ridley Scott não tem autoridade para falar a esse respeito. Mas como um filme quase nunca é fiel ao livro, dá a entender na película que Deckard era um replicante não só por causa do sonho com o unicórnio mas também quando Bryan o chama no Distrito Policial e o pede para ele caçar os replicantes dizendo que precisa da sua “mágica” e que ele era uma pessoa especial.

  2. Acho que o Ford, com sua objetividade de ator, viu a questão melhor do que o Scott. O conflito básico no filme é entre o homem, com suas limitações, histórico pessoal, emoções, e o super-homem (o replicante), altamente inteligente, forte, mas efêmero e sem raízes. Um conflito simples e bem resolvido. Transformar a história em uma luta entre replicantes sob a supervisão cínica do Gaff, pode até ser mais complexo e instigante em outro nível, mas resulta em um filme menos eficaz sob o ponto de vista dramático. Além do mais, como conflito entre homem e replicante, é um filme redondo, sem pontas soltas. Já quando vemos o Deckard como replicante, o filme tem muito mais pontas soltas, é uma história contada apenas pela metade, além de se multiplicarem as incoerências (por exemplo: por que o Deckard é muito mais fraco do que o Roy Batty, já que ele é um replicante programado para combater replicantes? Ele apanha muito de TODOS os relicantes, mesmo os que não criados para combate, e várias vezes escapa da morte nas mãos deles por pura sorte). O filme que passou nos cinemas em 1982 (em 83 aqui no Brasil) simplesmente não tinha o Deckard como replicante. Prova disso é a cena do sonho com o unicórnio, que teve de ser enxertada anos depois (e mal, caindo como uma pedra em uma sequência muito bem montada, quando o Deckard vê as fotos de família e dedilha no piano) apenas para corroborar essa idéia. Cada vez mais acho que o Scott declarando que o Deckard é um replicante equivale ao George Lucas tentando convencer os fãs de Star Wars de que a segunda trilogia (a das prequels) estava escrita desde os tempos do primeiro filme. Pura conversa fiada.

    • Conforme você escreveu, realmente existe no filme a cena no unicórnio (versão do diretor) e os retratos de família colocados no piano. Mas no livro, o autor nada menciona ao fato de Deckard ser ou não um replicante. Em um DVD making off do filme, fala-se que Deckard é um replicante.

  3. Terminei a pouco o livro de Dick, e concordo que Ridley Scott não tem essa autoridade pra falar uma coisas dessas … afinal o livro é absurdamente maior … amplia o universo do filme de maneira incrível … Tem toda a questão religiosa/espiritual que nem aparece no filme …

  4. Já há tempos que eu ouvia dizer que, pro Ridley Scott, o Deckard era replicante e pronto. Pelo jeito isso era um dos segredos mais mal-guardados da história do cinema, e essa revelação agora só confirma o que a galera já sabia. Mas pelo menos ele teve o bom-senso de deixar em aberto, o que abre possibilidades de discussão. Ou talvez o bom-senso nem seja dele exatamente, mas dos produtores, pois a versão do diretor é justo a que deixa mais claro que Deckard é replicante (com o sonho do unicórnio).

    Mas a discussão sobre isso ser fiel ou não à obra de Dick (que costumava ser extremamente ambíguo em tudo o que ele escrevia, e provavelmente nem acreditava que existia uma só versão da realidade no mundo real, que dirá em suas histórias) me lembra a ideia da “morte do autor”. Essa é uma corrente de análise literária que considera que a obra (seja livro, filme ou o que for) existe de maneira independente de quem a fez, e deve ser interpretada por si só, à parte de quaisquer comentários do autor (que não estejam na própria obra, claro). Ou seja, se eu escrevo um livro X, muita gente acha que X é sobre pinguins serial-killers, e eu digo em uma entrevista que X é na verdade sobre o mercado de cobre na Malásia, essa minha interpretação é tão válida quanto a dos pinguins serial-killers, não mais. O autor é apenas mais uma pessoa tentando desvendar a obra, e sua opinião não vale mais do que a de qualquer outra pessoa. Eu pessoalmente gosto dessa forma de ver as coisas, pois abre mais possibilidades de interpretação ao invés de encerrar a discussão de vez com uma resposta definitiva – e além do mais, sendo autor, eu posso dizer que não faço a menor ideia do significado maior por trás das coisas que escrevo, e adoraria que alguém descobrisse 😛

    Mas o caso é que, aplicando o princípio da “morte do autor” a Blade Runner, tanto a interpretação de Philip Dick (que pende mais no sentido de Deckard ser humano mesmo) quanto a de Ridley Scott (que Deckard é replicante) são apenas opiniões, que você pode aceitar ou não. Vale o que é retratado em cada obra – e, na versão cinematográfica do filme, tanto pode ser como pode não ser. Na versão do diretor, há fortes indícios que ele seja replicante, mas sei lá, de repente tem outra explicação pro policial esquisito lá saber que Deckard sonha com unicórnios. E tudo isso considera cada versão como uma obra independente, principalmente no tocante às diferenças entre o livro e o(s) filme(s) – eu sou adepto de considerar uma adaptação como uma obra nova, que tem a maior parte do enredo em comum com a obra original, mas não deve necessariamente se prender a ela.

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