[CINEMA] A estranha alquimia de Gravidade

Nota: Este post contém SPOILERS de todo o filme Gravidade. Se você ainda não assistiu, largue tudo e vá ver agora. Não só pra poder ler isto, mas porque é seu DEVER. James Cameron disse que é “o melhor filme já feito sobre espaço”… do que mais você precisa?

Gravity

A essas alturas do campeonato, você pode estar de saco cheio de ouvir falar de Gravidade – melhor filme do mês, do ano, da história, e por aí vai. Talvez esteja se perguntando: “Por que diabos eu vou querer ler mais uma resenha ou o que seja sobre isso?” Pois eu digo, meu colega, que o que você vai ler aqui não pode ser encontrado em lugar algum da internet (eu sei porque o Oráculo me disse): uma visão da obra sob o ponto de vista da grande e antiga “ciência” da Alquimia.

“Ora,” você há de perguntar, “mas alquimia não é aquele bando de ideias malucas que as pessoas tinham antes de descobrirem a química, que tentavam achar um jeito de transformar chumbo em ouro? O que é que pseudociência medieval tem a ver com cinema, espaço, o shortinho da Sandra Bullock, ou qualquer outra coisa?” O caso é que noções ultrapassadas de química são só o começo da alquimia, e ela tem muito a ver com o filme sim. Vou confessar um segredinho: A minha ideia inicial era só tentar ver se eu conseguia emplacar qualquer tipo de comparação, mas conforme eu fui pesquisando, as semelhanças que eu fui achando eram tantas que chegava a assustar.

Alquimia!

Isso não se parece com nenhum laboratório que eu conheça…

Bem, pra começar, vou esclarecer um ponto importante e geralmente ignorado: A alquimia, na verdade, tinha muito pouco a ver com laboratórios e esquemas pra enriquecer com metais pesados, e tudo a ver com espiritualidade. Claro, havia sim um conjunto de práticas químicas que os caras faziam para conseguir diferentes tipos de substâncias, mas isso era só a superfície da coisa. No fundo, todos os conceitos que eles utilizavam eram metáforas para ideias como a busca pela purificação da alma, a reconexão com Deus, a reconciliação dos lados masculino e feminino de cada um, e por aí vai. Da mesma maneira que qualquer ficção científica que se preze (e não vou entrar no mérito de se Gravidade é FC ou não, mas pelo menos nesse ponto vale) não é realmente sobre o espaço ou alienígenas ou robôs ou seja lá o que for que está sendo retratado ostensivamente na tela, mas sobre questões humanas universais e frequentemente muito pessoais – neste caso, a perda de sentido da vida após uma tragédia terrível e a posterior recuperação da vontade de viver, bem como a dor da separação e o anseio pelo reencontro.

Aliás, se a alquimia tem um lema, ele é “Solve et coagula” – literalmente “dissolver e coagular”, mas na verdade significando algo mais como “separar e reunir”. E qual é a tagline, ou lema do filme? “Don’t let go” – “não largue” ou ainda “não deixe ir embora/se separar.” Isto, por sua vez, também é oposto por uma fala de Matt Kowalski, personagem de George Clooney, que a certa altura fala para Ryan Stone (Sandra Bullock): “You have to let go” (“você tem que se desprender”). Ou seja, o filme também é norteado pelo mesmo princípio central da alquimia: união e separação.

You have to let go.

You have to let go.

Existe um procedimento e/ou filosofia (conforme eu disse, tudo são metáforas) chamado Magnum Opus, ou “Grande Obra”, que é a peça central da alquimia, praticamente o resumo de sua essência. Trata-se do processo voltado à obtenção da Pedra Filosofal, cuja natureza não é muito clara – a interpretação mais comum é que esse objeto é o que transforma chumbo em ouro (ou talvez a Magnum Opus em si seja essa transmutação), mas há quem diga que é o “Elixir da Vida”, que promove a vida eterna e/ou cura todas as doenças. A função exata da pedra literal não importa – o que interessa é o que ela representa, que é a perfeição, a transcendência, a união com o Divino. Aliás, reparou no sobrenome da protagonista? Stone. Pois é, logo aí já entrega quem é a nossa Pedra Filosofal que passará pelo processo de transmutação para se realizar plenamente.

Antes de entrar na alquimia em si, vale relembrar um pouco a trajetória de Stone no filme, e principalmente as duas linhas que ocorrem em paralelo. Por um lado, há a jornada física, que é a parte mais óbvia do filme: ela se perde no espaço, se salva com a ajuda de Kowalski, tem que abandoná-lo para chegar à Estação Espacial Internacional, vai em seguida para e estação chinesa e finalmente volta à terra após quase morrer algumas vezes. Por outro lado, há a jornada interior dela – a depressão pela perda da filha, a falta de vontade de viver e tentativa de se afundar no trabalho e em outras coisas (como dirigir ouvindo rádio), o medo e instinto de sobrevivência quando fica solta no espaço, a perda de Kowalski e afundamento ainda maior na depressão, o desespero ao não conseguir chegar na estação chinesa e entrega à morte, e o ressurgimento, superação das perdas que sofreu e reconquista da disposição para viver, culminando em sua salvação literal no fim do filme. Ambas as linhas de enredo progridem lado a lado, não só cronologicamente mas também na temática – separação, perda, desespero, esperança, superação e reunião (com a Terra e consigo mesma).

Solve et CoagulaPois bem. A Magnum Opus consiste, em sua essência, de três etapas: Nigredo “enegrecimento”), Albedo (“embranquecimento”) e Rubedo (“avermelhamento”). Fala-se também de uma quarta etapa, a Citrinitas ou “amarelamento”, que fica entre albedo e rubedo, mas como ela é ignorada em muitas versões da Obra, vou deixar de lado para não complicar (e também porque eu ainda não consegui identificar bem no filme… a gente se vira como pode).

Nigredo ou putrefação é o processo de decomposição da substância em seus elementos básicos,  geralmente pelos processos de calcinação (queima), dissolução e separação (por exemplo, decantação ou filtragem). Simbolicamente, representa a degeneração e desagregação da alma, até atingir seu ponto mais baixo, o “fundo do poço” de onde você só pode subir. A psicanálise (que, nos estudos de Carl G. Jung e seus adeptos, utiliza muito a alquimia como ferramenta de análise) associa isso com a depressão que pode anteceder uma grande mudança interior. A ideia é reduzir o objeto da transmutação a seus componentes mais fundamentais ao retirar tudo aquilo que lhe dá forma, todos os seus ornamentos e propriedades, e separar seus ingredientes.

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Tchaaaaaau…

No filme, isto é muito bem retratado em ambas as jornadas da Dra. Stone. Na jornada física, temos a cena mais emblemática do filme, que é quando ela se separa da nave e fica à deriva; neste momento, tudo o que ela tem na vida, literalmente, lhe foi retirado, até mesmo o ar que respira (ou quase). No ponto culminante da cena, a Terra está fora do quadro, significando que ela está completamente isolada e sozinha no espaço. Só existem ela e a escuridão. Já em sua jornada interna, o nigredo toma a forma clássica da depressão pela perda da filha. Há também uma separação e isolamento em relação ao mundo – perceba como ela deixa claro, em sua conversa com Kowalski, que não tem ninguém “lá embaixo” com quem ela se sinta ligada, e como ela gosta de ficar sozinha no carro e mesmo no espaço (onde ela diz sentir muita paz). Ou seja, antes mesmo do acidente espacial, ela já estava à deriva e separada da Terra. Outro momento importante de nigredo é a crise pela qual Stone passa na cápsula Soyuz, na qual ela desiste de tudo e inclusive se entrega à morte. Ela não chega a morrer literalmente, claro, mas metaforicamente ela tem uma morte e enterro em um caixão de chumbo (a própria cápsula – o chumbo é só simbólico), uma imagem recorrente e importante na alquimia.

Nigredo

Isso te lembra alguém?

A etapa seguinte é o Albedo, ou purificação, que consiste em retirar as impurezas do material através de processos de lavagem, destilação, sublimação etc., e isolar seus dois componentes fundamentais e opostos. É aqui que a parte simbólica e mística começa a realmente falar mais alto, pois estes dois componentes são identificados com os princípios masculino e feminino, ou sol e lua na simbologia alquímica. O propósito disso é retornar o material a seu estado mais puro e primordial, no qual ele está apto a ser transformado em qualquer coisa e receber qualquer propriedade.

Vale a pena focar um pouco nesta ideia dos componentes masculino e feminino, pois ela é fundamental para a compreensão da alquimia. Você já deve ter ouvido falar dos quatro elementos que, conforme se acreditava antes do advento da química propriamente dita, compõem toda a matéria: fogo, terra, água e ar. A alquimia trabalha basicamente com esses elementos e as interações entre eles, mas considera também que eles são só o começo da história. Há três outros “elementos” ou substâncias (chamados de tria prima, ou “três primórdios”) que os alquimistas consideravam como ainda mais fundamentais que os quatro elementos clássicos: Sal, Mercúrio e Enxofre.

Conivnctio Sive

altas putaria

O mercúrio é o princípio da fluidez, por ser considerado algo que transcende a diferença entre sólido e líquido (ele é um metal, mas é líquido a temperatura ambiente?! – pensaram eles). Ele representa a maleabilidade, a volatilidade, e o princípio flexível do qual tudo pode ser criado. É o princípio feminino, frequentemente associado com a lua, e considerado como aquilo que deve ser fecundado e/ou moldado para gerar um resultado, e é geralmente representado por uma “Rainha Branca”. O enxofre é o princípio inflamável, expansivo e energético, associado com o sol e com o masculino, e representado por um “Rei Vermelho”. Ele é o responsável por fecundar o mercúrio e lhe dar forma e movimento; sem ele, o mercúrio é apenas potencial não utilizado. A interação entre os dois princípios, a conjunctio ou unio mystica (retratada como um casamento e/ou coito entre o Rei Vermelho e a Rainha Branca), representa a união dos opostos que gera um produto maior que a soma de seus componentes. O trio é finalizado com o sal, o princípio da solidez e estabilidade, associado com o corpo ou matéria física (ao passo que enxofre e mercúrio são alma e espírito respectivamente), que transforma a união do mercúrio e enxofre em algo concreto.

OK, tudo isso é muito interessante (ou não… ei você dormindo aí no fundo da sala, acorda pô!), mas e o filme? Ora, esse papinho todo de masculino e feminino já deve ter entregado aonde eu quero chegar. Sim, amiguinho, nossos Rei Vermelho Clooney e Rainha Branca Bullock não chegam a se pegar literalmente no filme (imagino que a roupa de astronauta deve atrapalhar um pouquinho), mas simbolicamente o rala-e-rola entre eles é fundamental para a transformação da Stone Filosofal. Repare bem: Ela inicialmente é plácida, quieta, vai só levando adiante a vida, indo com a corrente; é bastante capaz e cheia de potencial (as peripécias dela na viagem entre a Espação Espacial Internacional e a estação chinesa mais do que provam isso), mas não tem a motivação ou determinação para fazer algo concreto com isso. Ele, por outro lado, é cheio de vontade, expansivo, jovial, e muito focado em seguir adiante, dar o próximo passo, alcançar objetivos. Ele pode não ter muito potencial para crescer ou criar coisas novas (característica do mercúrio), pois inclusive já está se aposentando, mas é fundamental para ativar esse potencial na doutora Ryan Mercúrio Stone. É, portanto, o enxofre da relação.

Conjunctio

A Rainha Branca e o Rei Vermelho

Voltando ao albedo (que, aliás, é um termo técnico da astronomia, significando a quantidade de luz que um corpo celeste reflete – não que tenha a ver com a história, só um fato aleatório), a purificação de Stone corresponde à limpeza das cargas negativas que anuviam a mente e alma dela. Inicialmente, isso corresponde ao medo e desespero que ela sente ao se desprender da nave no começo do filme, que Kowalski ajuda a dissipar. Em seguida, temos os “fantasmas” que ela traz da Terra (a culpa e depressão pela morte da filha), bem como a desesperança e falta de autoconfiança que ela sente na cápsula Soyuz, sendo tudo isso expurgado ao mesmo tempo com a ajuda (ainda que póstuma) de seu colega. A presença forte de Kowalski em ambos os momentos evidencia a oposição masculino-feminino que caracteriza o albedo. Aliás, vale lembrar que as fases de nigredoalbedo geralmente são repetidas em ciclos sucessivos até que o objeto esteja pronto para a próxima fase, o que explica acontecerem repetidamente em diferentes momentos do filme.

Chegamos então à última etapa, o rubedo. Esse é o ponto culminante da Magnum Opus, a obtenção final da Pedra Filosofal, e talvez por isso mesmo é o estágio mais misterioso e menos explicado. Quimicamente, processos associados a ele costumam incluir fermentação, fixação (transformar uma substância de forma que ela fique mais estável e não-combustível) e coagulação. Trata-se da unificação total dos princípios masculino e feminino da etapa anterior; o Casamento Sagrado entre o Rei Vermelho e a Rainha Branca, que começou no albedo, termina nessa fase e resulta em Rebis, um ser hermafrodita geralmente retratado como uma pessoa de duas cabeças, uma masculina e uma feminina, com cada metade do corpo representando um sexo. Rebis é a própria Pedra Filosofal, algo que reúne os atributos de mercúrio e enxofre, lua e sol, em uma coisa só e indivisível, superior aos dois elementos que o formaram, e representa também a união entre Céu e Terra, Deus e Humano, a transcendência da alma humana para o espírito divino.

Rebis

Bicho bonito…

É aqui que entra o que eu considero ser a cena mais crucial para a compreensão do filme, pelo menos sob o ponto de vista da alquimia: a “visita” de Kowalski à Dra. Stone na cápsula Soyuz. (Que, aliás, significa “união” em russo. OK, isso foi simplesmente baseado no equipamento usado na vida real, mas achei a coincidência bem interessante nesse contexto.) É importante destacar aqui que essa visita tem uma natureza dual: por um lado, conforme descobrimos logo em seguida, foi tudo uma alucinação ou sonho de Stone, tendo portanto acontecido só na cabeça dela, e tecnicamente envolvendo só ela mesma; por outro, o fato da figura dele fisicamente aparecer em tela (e na visão da personagem), como alguém distinto e com as características e (supostos) conhecimentos do astronauta morto, simplesmente não pode ser ignorado. Ele não está lá à tôa.

Para mim, isso significa que o princípio masculino e sulfúrico (enxofre) de Kowalski estava sim presente ali, fazendo um contraponto ao mercúrio de Stone; entretanto, a revelação de que isso foi um sonho torna evidente que essa presença era interior à personagem de Sandra Bullock. Em outras palavras – naquele momento, Kowalski estava dentro de Ryan Stone. (Eu ia dizer “sem maldade por favor”, mas no contexto de “casamento sagrado”… enfim.) É por isso mesmo que a grande virada do filme acontece no exato momento em que Stone acorda, olha para o lado e não vê ninguém. Ali, percebemos que o Kowalski com quem ela conversou fazia parte dela mesma; ambos são um só. A união alquímica está completa.

A jornada ainda está longe de acabar (a moça ainda tem que passar por muitos perrengues antes de chegar à segurança), mas a personagem que vemos a partir daí parece outra completamente diferente – e é, porque passou pelo processo de transmutação. Ryan Stone (aliás, o fato dela ter um nome andrógino e usar cabelos curtos “de homem” não me parece uma coincidência) agora reúne os atributos da Rainha Branca e do Rei Vermelho, do feminino e do masculino, mercúrio e enxofre, e apresenta uma atitude determinada, focada, perseverante, igual ao personagem de George Clooney, com quem ela se unificou. A Pedra (Stone) Filosofal está praticamente completa, na forma andrógina de Rebis.

Ryan Stone na Soyuz

Pra mim tá 100% *S2*

Eu disse praticamente porque, claro, como sabemos, o filme não termina aí. Stone usa o conhecimento que ela buscou no abismo mais profundo de sua alma, em seu momento de morte simbólica (e quase literal) e ressurreição, para alcançar a estação chinesa Tiangong. (Que significa “palácio celestial” em chinês – Magnum Opus como união com o Divino? Cara, esse jogo de simbologias deixa a gente maluco. O nome vem do projeto espacial chinês na vida real, aliás.) Por falar nisso, não pude deixar de reparar no momento Wall-E, principalmente na rapidez com que Stone domina o extintor de incêndio e como isso lembra o jetpack de Kowalski no início do filme. Parece que ela realmente o absorveu.

Enfim, ela alcança a estação chinesa, entra logo na cápsula de escape (as coisas agora acontecem rapidamente, porque a jornada interior dela está praticamente completa), e reentra na atmosfera, em uma cena fantástica e rica em significado. Ela está novamente em uma cápsula, a qual está inclusive queimando, formando uma imagem quase literal de Mercúrio dentro de um frasco, cozinhando no fogo.

Mercúrio no frasco

Sandra, nosso anjinho, cozinhando em seu frasco

Os estágios alquímicos são repetidos, agora em rápida sucessão (pois são somente o toque final da Magnum Opus dela), tendo novamente o desespero claustrofóbico dentro da cápsula (nigredo), a atmosfera queimando todo o entulho à volta dela e removendo tudo o que prende a cápsula (albedo), ela dominando o ângulo de reentrada e conseguindo manobrar a cápsula até seu destino (rubedo), ela caindo na água e quase morrendo afogada (nigredo), a água “lavando” suas impurezas (albedo – note também o paralelo óbvio com o batismo, que no Cristianismo purifica a alma), e por fim sua volta triunfante à Terra e ao mundo dos vivos (rubedo).

Muito se foi dito sobre as metáforas que o filme apresenta em termos de nascimento – Stone em posição fetal logo que chega à Estação Espacial Internacional, seu “primeiro respiro” tanto ao chegar à EEI quanto, novamente, ao colocar a cabeça para fora d’água na sequência final, e por fim ela “aprendendo a andar” logo no finalzinho, como se fosse um bebê. Bem, como eu disse, uma das metáforas que a alquimia usa para a criação da Pedra Filosofal (uma metáfora de uma metáfora?) é o nascimento de Rebis, o hermafrodita fruto do casamento/coito do Rei Vermelho com a Rainha Branca. Nesse sentido, a simbologia de morte, gestação e nascimento do filme, que já é poderosa por si só, ganha uma dimensão adicional, como sendo um reforço para a ideia do Magnum Opus alquímico. Stone está finalmente “nascendo” de forma definitiva no fim do filme, como a Pedra Filosofal, o/a Rebis (como já mencionado, ela tem características andróginas), transmutada pelo processo alquímico em um ser transcendente, que literalmente conquistou o céu e a terra.

Surpresa!

YEAAAAHHH ESTOU VIV- oops…

Por falar nisso, deixo vocês com um trecho da Tabula Smaradigna (“Tábua de Esmeralda”), um texto atribuído a Hermes Trismegisto, lendário deus fundador da alquimia e uma das obras mais fundamentais desta disciplina:

Sobe da Terra ao Céu e desce novamente à Terra
e recebe a força das coisas superiores e das coisas inferiores.
Por este meio obterás a glória do mundo e toda obscuridade se afastará de ti.

Até mais, e boa transmutação!

Nota: Apesar dele quase não ter sido utilizado para escrever este artigo, o livro Alquimia – Introdução ao Simbolismo e à Psicologia, da psicanalista junguiana Marie-Louise von Franz, foi o que me inspirou a fazer este post, além de ser responsável pela maior parte do que eu conheço de alquimia.

2 thoughts on “[CINEMA] A estranha alquimia de Gravidade

  1. Muito boa argumentação e perspicácia para conseguir relacionar Gravidade a alquimia! Fantástico! Leitura obrigatória pós sessão de Gravidade!! 🙂

  2. Meu, excelente texto! Seria pedir demais que fizessem algo semelhante com o filme “Sinédoque, Nova York”?

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