[CIÊNCIA] Golfinhês, comunicação com extraterrestres e “até mais e obrigado pelos peixes!”

“Golfinhês” ajudará na comunicação com extraterrestres (?).

golfinhes
Quando me deparei com essa notícia publicada na Gazeta Russa há cinco semanas atrás, pensei que pudesse ter havido algum engano. Não podia ser verdade!

Que história era aquela de “golfinhês” e comunicação com extraterrestres?!

Intrigado, fui atrás da fonte para me certificar. Fato: É VERO!

O estudo está disponível na integra no site ScienceDirect e foi publicado pela segunda maior e conceituada instituição de ensino superior na Rússia, a Politécnica Estatal de São Petersburgo.

sciencedirect
A tecnologia empregada para decifrar o diálogo entre golfinhos poderá nos ajudar mesmo a compreender “conversas” de outros animais e, quem sabe, até de alienígenas!

Cientistas da Reserva Natural de Karadagski, na Crimeia, conseguiram identificar palavras e frases aleatórias na fala de golfinhos. Nessa pesquisa, em que se empregou um mecanismo de detecção sonora subaquática, constatou-se que o bate-papo de dois espécimes (Iacha e Iana) era constituído de combinações que não se repetiam, dando a entender que se tratavam de fonemas distintos.

Os sons que um golfinho emite se diferem dos produzidos por outros delfinídeos sobretudo no espectro e na frequência de impulsos não coerentes. Além disso, os golfinhos são educados: tem linguagem coloquial desenvolvida e esperam a sua vez de falar, sem se atropelar.

Quando soltam o verbo, o volume de informações é surpreendente, sendo vinte vezes maior que o transmitido pelos seres humanos – comunicação muito mais informativa que a nossa!

A ideia agora é criar um dispositivo que permita não só ouvir e compreender a linhagem, mas realizar ação inversa (papear com eles) e entender a fala de outros seres vivos. Quem sabe possamos aprender alguma coisa?

Na antologia do autor Douglas Adams, O Guia do Mochileiro das Galáxias, é feita uma zombaria genial do comportamento humano, escolhas e responsabilidades em assuntos sócio-políticos e das problemáticas cotidianas.

mochileiroAinda que não tenha sido citada na obra de Adams, a temporada de caça aos golfinhos, muito comum no litoral nipônico, já começou no mês passado levantando críticas de representantes internacionais. A prática bárbara-cruel-desalmada-perversa-monstruosa-e-coisas-mil-horríveis é condenável pela quantidade de bichos mortos e por ameaçar às populações cetáceas.

No documentário vencedor do Oscar de 2010, A Enseada (The Cove), o cineasta Louis Psihoyos conta da sua experiência na Baia do Taiji no Japão, em companhia do treinador de golfinhos Richard O’Barry e da Oceanic Preservation Society.

Milhares de bovinos e caprinos são exterminados pela indústria alimentícia ocidental, mas nenhum desses massacres é tão violento ou incompreensível quanto o de golfinhos perpetrado pelos japoneses. A polêmica é ainda agravada pelo fato de que a carne repleta de mercúrio (substância altamente cancerígena) desses seres de autoconsciência é servida às crianças das escolas da região.

A Enseada também acompanha a trajetória de arrependimento de Richard O’Barry que capturou e treinou sem muitos escrúpulos incontáveis golfinhos (dentre eles, o golfinho amigo, Flipper), até ter presenciado o suicídio de um deles em sua frente e, então, decidir que deveria mudar de vida.

A despeito de a caça comercial de baleias estar mundialmente proibida há trinta anos, equivalente não se aprova aos mamíferos marinhos menores, em parte pela oposição do Japão. O que beira ao absurdo!

Em O Guia do Mochileiro das Galáxias os golfinhos fogem da Terra antes que ela seja destruída pelos vogons, povo conhecido pela sua brutalidade, feiura, inaptidão de escrever poesias, sua total falta de sapiência e por possuir a pior pontaria do universo. Mais espertos, nossos camaradas que sorriem e batem palminhas com frequência já sabiam o que ia acontecer, antes de nós.

vogonSeria bastante agradável que eles utilizassem da tecnologia em pesquisa no Mar Negro, para se comunicarem com óvnis e, então pegassem carona com seres de inteligência superior fugindo dessa crueldade.

Para nós seres “humanos” (?), restaria apenas um: até mais e obrigado pelos peixes!