[CIÊNCIA] Cento e quinze anos… é um bom número para se viver?

Acabo de ler uma matéria do jornal The New York Times a respeito de um estudo publicado na revista Nature, que afirma que, finalmente, a humanidade alcançou o limite para a sua longevidade – 115 anos.

A pesquisa realizada pelo Dr. Vijg, especialista em envelhecimento do Albert Einstein College of Medicine, vem sendo muito discutida pela comunidade científica: uns dizem que há argumentos sólidos para a conclusão, e outros dizem que chega a ser desanimador ver quantas vezes o mesmo erro pode ser cometido na ciência e em revistas respeitáveis; tomam em defesa as tendências de sobrevivência desde o início do século passado.

“Uma criança nascida dos Estados Unidos em 1900 tinha uma expectativa de vida média pouco menor que 50 anos. Uma criança americana que nasça hoje pode esperar viver, em média, 79. A expectativa de vida média no Japão tem aumentado mais do que em qualquer outro país no mundo, atingindo consideráveis 83 anos. ”. São esses os dados.

Por outro lado, também existe solidez no trabalho da equipe do Dr. Vijg, que, utilizando o Banco de Dados Internacional sobre Longevidade (montado por um dos cientistas opositores) mapeou quantas pessoas estavam vivas em um determinado ano, no período de 1920 aos dias atuais.

Os resultados obtidos:

a) Em 1920, na França, o grupo da sociedade que mais cresceu foi o das mulheres com idade igual a 85 anos.

b) De 1920 a 1990, a parcela da população francesa que mais cresceu foi a das mulheres com 102.

c) Se essa mesma tendência tivesse continuado, hoje o grupo teria sido o das velhinhas com 110 anos.

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A idade que experimentou o grande aumento anual de sobrevida parou de crescer significativamente depois de 1980. – FONTE: Nature.

No entanto, em meados dos anos 80, esse movimento de conversão em populações cada vez mais velhas começou a desacelerar e parece ter parado. Quando o Dr. Vijg e os seus alunos analisaram os dados de 40 países, encontraram a mesma propensão geral.

Em 1968, a idade mais avançada foi 111 anos e, vinte anos adiante, só havia aumentado em 4 anos. Salvas exceções, como a senhora Jeanne Calment, uma supercentenária considerada a pessoa que mais tempo viveu no mundo – faleceu aos 122, numa casa de repouso. Dona Morte não deve ter tido pressa alguma mesmo em levá-la dessa para uma melhor…

No gráfico dos pesquisadores, a senhora Calment é “claramente um caso isolado”. Calculando a probabilidade de alguém viver muito além dela, dada a inclinação atual, o veredicto: é praticamente nula.

“Seriam necessários 10.000 mundos como o nosso, para haver a chance da existência de um único ser humano que alcançasse 125 anos”, disse o Dr. Vijg.

Considerando os dados, os cientistas preveem que o futuro será bem parecido com o presente. Estimam que a pessoa mais velha viverá cerca de 115 anos.

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As idades das pessoas mais velhas a falecerem num dado ano sugerem que o limite da longevidade humana é cerca de 115 anos. – FONTE: Nature.

A partir do final do século XIX, a expectativa média de vida começou a subir, porque menos crianças estavam morrendo. Nas últimas décadas, os adultos também têm desfrutado de uma saúde melhor.

Algumas dessas melhorias são provenientes das mudanças de hábitos, como não fumar e ter melhores dietas. Mas os upgrades e amenidades da vida moderna não retardaram o processo biológico subjacente ao envelhecimento.

Em seu experimento, Dr. Vijg descreveu o envelhecimento como o acúmulo de danos ao DNA e a outras moléculas. Nossos corpos podem retardar o processo através da correção de algumas dessas falhas. Porém, no final, é sempre demais para consertar.

“Em algum momento tudo dá errado, e você entra em colapso.”

A melhor esperança para a nossa espécie NÃO É a de estender a nossa expectativa de vida, mas prolongar os anos de vida saudável – com boas práticas e drogas capazes de endireitar alguns dos malefícios celulares que vêm com o tempo.

Quero ser um velhinho bem inteiro, pelo menos até os 95 anos, como foi a minha avó Rosa. Depois disso, se não tiver em boas condições, melhor que eu me vá mesmo.

115 anos é um bom número, na minha opinião! E para você, Nerd?