[CCXP 2016] Como sobrevivi à Comic Con Experience

Literalmente rindo da cara do perigo.

Literalmente rindo da cara do perigo.

Três dias depois do fim do maior evento nerd/geek da América Latina, finalmente sinto-me recuperado o suficiente para dividir com vocês minhas impressões sobre a tumultuosa loucura sensorial que foi a 3ª Comic Con Experience. Prepare-se, pois nem tudo serão flores nos parágrafos abaixo.

Antes de começar a falar da CCXP em si, vale uma contextualizada: eu não sou o tipo de nerd viajante, que vai em eventos de médio e grande porte com frequência. O máximo que eu havia feito até minha jornada de três dias na Comic Con foi ir à Fest Comix de 2011, que nem de longe se compara ao tamanho do “carnaval nerd/geek” que aconteceu no último final de semana em São Paulo.

Aliás, esta é uma das mais fortes impressões que perduraram durante e após o evento: o de estar participando de um tipo de carnaval cheio de pessoas, luzes e sons. Mas já chego lá…

Apesar de ter sido minha 1ª CCXP, esta não foi a 1ª nem a 2ª chance que eu tive de ir ao evento. Nos anos anteriores eu cheguei a comprar ingressos para os 4 dias, mas, por uma série de fatores e empecilhos que não serão citados aqui, acabei não indo. Talvez porque meu destino fosse encarar a maior de todas as CCXPs até a presente data.

Enfim, chega de enrolação, e vamos ao que realmente interessa!

Prepare-se para (muitas) frustrações

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A Comic Con Experience é um evento que exige muito desprendimento e um bocado de sangue frio para ser encarado. O que significa saber de antemão que você não conseguirá realizar tudo aquilo que havia planejado.

Minhas frustrações começaram no momento em que fui comprar os ingressos, e não tinha mais para o sábado.

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No fim das contas não levei nem 1/3 dessas HQs (nem a Amélie…)

Alguns dias antes de viajar pra São Paulo, eu separei algumas HQs que gostaria que fossem autografadas por alguns dos autores e artistas que estiveram presentes no evento, entre eles o lendário Frank Miller e o excepcional Frank Quitely. Do Miller eu desisti antes mesmo de viajar, pois descobri que já haviam vendido todas as senhas para quem quisesse um rabisco do velho. No caso do Quitely, a frustração veio no último dia, pelo mesmo motivo.

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Bem vindo ao pesadelo dos claustrofóbicos…

Antes de entrar no Centro de Exposições, eu passei pelo calvário da espera. Enquanto o Sérgio conseguiu entrar no evento horas antes de mim, por ter credencial de imprensa, eu tive que me contentar em encarar uma fila quilométrica metido num estacionamento, sem sinal de wi fi ou 3g, onde esperei mais de duas horas até que liberassem a entrada da multidão crescente de visitantes que tiverem a mesma infelicidade que eu: comprar ingressos de meia entrada.

Depois ainda tive que andar mais uma hora feito uma barata tonta até descobrir onde o Sérgio e o Rafael estavam, porque o mapa do app da CCXP é uma merda, e eu continuava sem sinal de wi-fi ou 3g lá dentro (problemas que só consegui resolver no 2º dia do evento). Mas, no final, consegui encontrá-los.

As outras frustrações incluíram painéis nos concorridos auditórios dos quais não consegui participar, porque envolviam sacrifícios, como abrir mão da maior parte das atrações da CCXP para ficar enfurnado nos salões, ou mesmo acampando na entrada da CCXP antes da abertura dos portões.

Fora tudo isto, não importa se você irá em todos os quatro dias da convenção, um fato é incontornável: você não conseguirá ver tudo. Eu fui apenas nos dias 1, 2 e 4, e deixei de conferir muita coisa que estava rolando por lá. E vá por mim, isto foi bom, porque…

Chegará uma hora que você não aguentará mais tantas pessoas, luzes e barulhos

Tá, isto pode ser só um problema meu. Mas eu duvido muito que sou a única pessoa que não suporta cargas massivas de informação por segundo.

Eu vivo em Guaxupé, no interior de Minas Gerais. Meu trabalho é relativamente tranquilo (sou auxiliar de biblioteca), e raramente eu me meto em locais onde me sentirei como uma formiga num formigueiro.

Algo do porte da CCXP é capaz de provocar um fenômeno que eu chamo de “dissolução da individualidade”. O que diabos é isto? Eu explico. É basicamente você sentir-se tão absorvido pelos estímulos sensoriais do ambiente, ao ponto de esquecer-se que é, bem, um indivíduo. Imagine você como uma gota d’água, e a CCXP como um oceano, e terá uma noção do que é sentir as barreiras de sua individualidade sendo demolidas por um bombardeio de sons e luzes.

Aliás, este é o tipo de evento que eu não recomendo a pessoas sensitivas (mais sobre elas neste ótimo artigo). Para elas, imagino que a CCXP é correspondente ao Inferno na Terra.

Apesar de tudo, deu pra divertir

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Aélsio, eu, Sérgio, Tati e Carla

Se eu pudesse dar apenas um conselho a alguém que vai pela primeira vez na CCXP, seria: vá acompanhado!

Sério, eu não teria conseguido se não estivesse na companhia de amigos. Neste caso estou falando de Sérgio, Rafa, Tati, Aélsio e Carla (namorada do Aélsio). Sem eles possivelmente eu seria matéria de algum jornal. Algo como: “Homem de 34 anos sofre colapso nervoso em evento nerd e é encontrado encolhido em posição fetal num canto do Centro de Exposições de São Paulo.”

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Eu e a Tati prestes a virar um cartaz de filme no estande da Paris Filmes.

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Explorar a CCXP acompanhado deles foi divertido. Foi contagiante ver meus amigos ficando fascinados com as atrações, tirando fotos com os cosplayers (e me fotografando ao lado deles), e especialmente sentir que pelo menos uma parte daquela multidão de rostos desconhecidos te conhece o suficiente pra se importar com seu bem estar.

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Sem eles eu teria enlouquecido lá dentro. E digo isto sem medo de estar exagerando.

Valeu a pena?

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Valeu! <3

Como o próprio nome do evento sugere, a CCXP é uma experiência (dã!!). Como tal, ela tem aspectos positivos e negativos. Acima de tudo, ela é um grande mercado que explora até a última gota de nossas paixões, sejam elas ligadas aos quadrinhos, cinema, TV, games. Enfim, tem de tudo lá, e você muito provavelmente sairá dela como eu: bastante frustrado no que diz respeito à satisfação de muitos dos desejos que ela irá despertar em você.

Mas, há coisas a serem apreciadas.

Independente de você ter ou não grana o suficiente pra levar pra casa uma action figure ou algum acessório relacionado à sua saga ou herói favorito, você terá a chance de levar pra casa algumas lembranças de encontros com representantes deles:

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Também terá a chance de conhecer pessoalmente e trocar algumas ideias com artistas cujo trabalho você acompanha de longe. E esta será, particularmente, uma das melhores lembranças que eu carregarei do evento. Foi gratificante encontrar quadrinistas que se tornaram meus amigos nos últimos anos, como o Guilherme de Sousa, o Hugo Canuto e o Wagner William; conhecer pessoalmente a Bianca Pinheiro, o Gabriel Arrais e o Abel; e descobrir talentos cuja existência eu desconhecia, como o casal Luísa Furukawa e David Mussel (Dokan Studio).

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Eu, Bianca Pinheiro, e a dupla de Bear

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A simpática e talentosa Luísa Furukawa

Se eu iria novamente à CCXP? Ainda é cedo pra responder esta pergunta. Se eu me arrependi de ter ido? Não. Ela é uma experiência única, que todo nerd/geek deveria viver pelo menos uma vez na vida, nem que for pra descobrir que não a repetirá.

Por hora eu prefiro concordar com o velho Roger Murtaugh: