[BOARD GAMES] KING OF TOKYO – resenha

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pre-ri-goQuando falamos em “Board Games modernos” as pessoas têm uma certa dificuldade em imaginar o que seria isso. Seria um tipo de Banco Imobiliário com cartão de crédito? Seria War com unidades de mechas? Seria o Jogo da Vida com opção de união civil homossexual? Esta caveira representa PRE-RI-GO?

Não, não, discutível e sim.

King of Tokyo é, na minha opinião, uma das melhores respostas para mostrar o que é um board game moderno. Acessível aos iniciantes e divertido para gamers experientes, o jogo lançado no Brasil pela Galapagos Jogos é uma porta de entrada ao admirável mundo novo dos jogos de tabuleiro com diversão garantida.

king of tokyoCriado por Richard Garfield – o mesmo criador do cardgame intermundialmente e profanamente famoso, Magic: The GatheringKing of Tokyo é sobre monstros gigantes saindo na mão (ou na pata, ou na garra, ou na cauda, ou nos pelinhos fofinhos cutsy-wootsy) para ver quem é – vocês jamais vão adivinhar essa parte – o rei de Tóquio!

Cada jogador controla um monstro icônico da cultura pop, como o Cthulhu, o King Kong, o Godzilla, o Dragonzord e por aí vai (por questões de direitos autorais, eles não têm esses nomes, mas são claramente reconhecíveis), e o seu objetivo é se tornar o rei de Tóquio, sendo por fama, ou simplesmente socando seus oponentes até a inanição física.

Para isso, o jogo vem com um pequeno tabuleiro que representa Tóquio, e funciona com um sistema de “rei da colina”: quem está dentro de Tóquio bate em todo mundo que está fora, e quem está fora bate em quem está dentro. Se o seu nível de matemática é o suficiente para saber que Pi é a razão de um círculo em relação a sua circunferência e diâmetro, deve ter concluído que tem algo que não fecha nesta conta.

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Se todo mundo que está fora bate em quem está dentro, mas só apanha de uma pessoa, qual a vantagem de entrar em Tóquio? Além de satisfazer seus fetiches 50 Tons de Monstro e apanhar de todo mundo, claro…

Acontece que quem está em Tóquio recebe pontos de vitória ao ficar lá e – novamente você jamais iria imaginar isso – se aproxima da vitória. A outra coisa é que entrar em Tóquio não é opção do atacante e sim do atacado, assim, quem está dentro de Tóquio e apanha é que decide se quer permanecer depois de apanhar, e se sair, quem bateu é que entra em seu lugar.

Para realizar essa mecânica, o jogo usa seis dados com seis faces (eu tentei achar outro motivo para colocar mais um seis nessa frase e fazer uma teoria satanista, então imaginem que eu consegui), que o jogador rola para ver o que o seu monstro faz neste turno. Após rolar os dados, o jogador pode re-rolar ainda duas vezes os resultados que ele não gostou, de forma que o jogo não é completamente aleatório, e o jogador tem a opção de escolha (o que é chamado de “rolagem seletiva”).

king of tokyo dadosAs faces dos dados são as seguintes:

PATA: causa 1 de dano em quem está na outra área do jogo (quem está fora de Tóquio causa dano em quem está dentro, quem está dentro causa dano em quem está fora)

CORAÇÃO: cura 1 dano do seu monstro, mas só funciona para quem está fora de Tóquio. Sim, dentro de Tóquio, além de apanhar de todo mundo, você também não pode se curar. Parece difícil e é, mas é por isso que o jogo se chama “Rei de Tóquio”, e não “Rei de vou ficar em casa fazendo maratona de Gossip Girl na Netflix”.

FACES COM NÚMEROS 1, 2 e 3: se saírem três dados com o mesmo número, o monstro ganha aquele valor de pontos de vitória. Então, se saírem os dados 1, 1 e 1 ele ganha um ponto. Se saírem 2, 2 e 2 ele ganha dois pontos, e se saírem os dados 3, 3 e 3 ele ganha três pontos. Terrivelmente complexo, eu sei, mas este site não se responsabiliza por aneurismas causados por tamanho esforço mental.

RAIO: O monstro ganha um ponto de energia representado por um cubinho verde, que parece muito, e eu digo muito, gostoso. Incentivamos a lembrar que o cubinho de energia que vem com o jogo é feito de plástico, e não deve ser consumido sob nenhuma circunstância, independente do quão saboroso ele pareça ser.

Mas para que servem essas energias? Para comprar cartas com efeitos especiais, que dão poderes ao seu monstro (ou que sacaneiam os oponentes, o que é tão bom quanto). O preço que vem na carta representa quantas energias ela custa.

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Assim, King of Tokyo ao mesmo tempo é muito fácil de se entender (mesmo uma pessoa que não é gamer consegue começar a jogar depois de uma explicação de menos de 5 minutos), e possui diversas opções de estratégia, que é uma das minhas qualidades favoritas no jogo.

Você vai ficar em Tóquio conseguindo pontos de vitória? Vai ficar fora se curando e esperando que os outros jogadores se matem? Vai ser o cara que tenta matar a tudo e a todos? Vai acumular energias para comprar cartas que lhe darão unlimited pauaaaaaaaaaaaaaaa? Vai jogar aleatoriamente e ficar com o que sair no dado?

simpsons kaijuExistem diversas formas de jogar, não existe uma estratégia dominante, e depende muito do fluxo da partida, não existe um “jeito certo” de jogar King of Tokyo, o que confere muita jogabilidade ao game.

Cada partida dura de 20 a 30 min (a minutagem pode variar, claro), e o jogo comporta de 2 a 6 jogadores. Como experiencia pessoal, digo que o jogo fica melhor com mais gente possível, já que a aleatoriedade das rolagens, e a zoeira dos jogadores, tornam tudo mais imprevisível e dinâmico, e como cada jogada não demora muito, não atrapalha ter muita gente (existem jogos que são insuportáveis com muitos jogadores, porque leva vários minutos até ser a sua vez novamente, mas este não é o caso aqui).

O principal aspecto negativo do jogo é a eliminação de jogadores, já que você sai do jogo quando o seu monstro morre. Em alguns board games isso pode ser um GRANDE problema (já que existem board games que podem durar várias horas), mas como as partidas de King of Tokyo tendem a durar no máximo meia hora, e é muito difícil morrer nas primeiras rodadas, quem está de fora não precisa ficar muito tempo só assistindo.

Ainda assim, pela duração que tem (é um jogo rápido), e para o que se propõe a fazer, King of Tokyo é ótimo, tanto para apresentar novos board games para leigos, quanto para se divertir em uma partidinha rápida entre um jogo e outro “mais pesado” para jogadores experientes. Afinal, desde pequenos, nós nerds aprendemos que poucas coisas podem ser mais divertidas do que ser o REI DE TÓQUIO!

 

O jogo conta também com duas expansões (Power Up e Halloween), também lançadas no Brasil pela Galapagos Jogos, e um “sucessor espiritual” chamado King of New York, sem previsão de lançamento no Brasil.

nota-4