[ARTE] Um mundo de Madeira – “Hoje seu pesar cintila nos varais…”

Fazia hoje essa galeria de arte em madeira quando comecei a pensar em Santos do Pau oco… Na verdade, não nos santos em si, pois estes não tiveram culpa de serem esculpidos vazios por dentro para que guardassem neles coisas impróprias.

Lembre-se que falo de santos e não dos seres humanos. Mas somos todos feitos de pau oco mesmo. Não tem jeito.

Enfim, pensava nisso quando recordei da música Milagreiro, cantada por Djavan e Cássia Eller.

Não sei quantas dores sofreu o coração de quem compôs essa canção (não me dei ao trabalho de caçar, porque essa é uma melodia que marca bem uma fase ruim da minha vida). Mas essa pessoa tinha a mesma amargura do Santeiro, milagreiro, descrito.

Qualquer pessoa dessas que passa pela vida da gente mas que não fica- embora acreditemos em “Para sempres” – me chamou a atenção para a letra dessa música.

“Ele Aluou. Hoje seu pesar cintila nos varais. Usou as sete vidas e não foi feliz jamais”

“Mais um santo para esculpir é o que lhe vale para evitar que o rancor suas ervas espalhe”

Depois que essa pessoa (não pessoa, porque no meu mundo não está mais, e eu sofro de falta de noção de permanência) falou dessa música, parei para pensar que, talvez, todo artista seja artista por todos os motivos mais doloridos do mundo.

Sim, isso é um assunto para outro post. Talvez outro post sobre Genialidade e Loucura (eis um deles).

Mas é interessante pensar que cada um dos artistas que cunhou a madeira crua para formar pessoas, momentos, dragões, peças ou fantasias, conforme você vê abaixo, pode estar ferindo as fibras para não ferir a si mesmo ou outro alguém.

Por que tanta filosofia e tanto divagar num post sobre arte em madeira?

Porque… não sei… Acontece.

Abaixo, um mundo inteiramente de madeira, feito das lascas de fibra macia retiradas delicadamente ou abruptamente por cinzéis, facas, lâminas e brocas…

Aproveite a viagem.